segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ACAPO desafia deputados em Bruxelas a realizarem tarefas de olhos vendados

A ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal vai desafiar os deputados do Parlamento Europeu a vendarem os olhos enquanto realizam algumas atividades, como ligar uma máquina de lavar, numa ação de sensibilização em Bruxelas.
 

Juntamente com outras associações da União Europeia de Cegos, a ACAPO vai promover na terça e na quarta-feira, no Parlamento Europeu, a iniciativa “High Speed Blind Dates”, uma ação de sensibilização dirigida aos parlamentares europeus.
“A ideia foi mobilizar uma entidade com as responsabilidades e as competências políticas do Parlamento Europeu (…) para uma ação de sensibilização” que visa “chamar a atenção para as questões de falta de acessibilidade a nível da União Europeia”, disse hoje à agência Lusa a presidente da ACAPO, Ana Sofia Antunes.
Durante a iniciativa serão desenvolvidas diversas atividades interativas, que visam consciencializar os eurodeputados para as dificuldades que os cidadãos com deficiência visual enfrentam no desempenho das suas tarefas da vida diária e que a maioria realiza autonomamente.
Ana Sofia Antunes explicou que os deputados europeus vão ser desafiados a vendar os olhos e convidados a realizar um conjunto de atividades sem ver, como introduzir uma ‘password’ num ecrã tátil, como os dos iphone ou tablets, e colocar uma máquina de lavar a louça a funcionar.
“Enquanto realizamos o percurso com eles, durante o qual os convidamos a realizar este conjunto de tarefas, vamos procurando sensibilizá-los para diferentes questões e convidá-los a integrarem o grupo que ao nível do Parlamento Europeu representa as pessoas com deficiência para que seja o mais forte possível e integre o maior número possível de representantes”, adiantou.
A presidente da ACAPO disse que as associações estão “a pôr bastante esperança naqueles que possam vir a ser os resultados desta iniciativa” e na visibilidade que pode ter a nível dos meios de comunicação social em toda a Europa.
“Sendo uma população minoritária tem sempre uma certa tendência para ser esquecida e a nossa função é recolocar em cada dia e em cada momento os problemas que afetam esta população com deficiência visual em cima da mesa”, sublinhou.
Apesar de “sermos fantásticos a nível de legislação e de garantir que os nossos direitos encontram-se legalmente protegidos”, aquele “pequeno grande passo” entre a previsão legal e a concretização das leis que são aprovadas “ainda não é feito nem garantido a nível da grande maioria dos Estados da União Europeia e Portugal não é exceção nessa matéria”.
“Leis fantásticas, prática pobre”, comentou Ana Sofia Antunes, reiterando que o objetivo da iniciativa é “chamar a atenção” para a falta de acessibilidade ao meio edificado e às tecnologias de informação, cujos equipamentos “deviam ser pensados para todos, mas não são”.

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