Pedro Viana deixou de comer sozinho. Um tormento, as primeiras semanas de confinamento. Não conhecia dias assim. Não percebia por que não havia de sair de casa, de ir ao centro de atividades ocupacionais, de abraçar e beijar quem gosta. Está melhor, mas não voltou a comer sozinho. Comer era a única coisa que o rapaz, de 24 anos, fazia sozinho. “Vamos lá ver se quando isto passar ele volta a comer sozinho!”, exclama a mãe, Rosário Viana.
Desde o dia 16 de Março, além das escolas, fecharam os centros de atividades ocupacionais (CAO), os centros de atendimento, acompanhamento e reabilitação social (CAARS) e outros serviços para crianças e adultos com deficiência. As equipas de Sistema Nacional de Intervenção Precoce deixaram de ir às casas, escolas e instituições, passaram a regime de teletrabalho. Mantiveram-se os lares, as residências autónomas, o serviço domiciliário.
“As crises são sempre desiguais nos seus efeitos”, sublinha a coordenadora do Observatório da Deficiência e dos Direitos Humanos, Paula Campos Pinto. E esta, provocada pela pandemia de covid-19, não é diferente. Para lá de tudo o que fechou, há reajustes no serviço domiciliário e no apoio à vida independente. “Há pessoas que estão a ser privadas disso”, lamenta. Sobra para quem está em casa, o que não é bom. “Quando o cuidador está isolado e em sobrecarga excessiva, há um potencial risco de abuso, de violência, de negligencia.”
Aliviar a carga das famílias
Para aliviar as famílias, um pouco por todo o país, organizações procuram redirecionar parte dos serviços que prestavam para dentro de cada casa. Há muitos aspetos para acautelar, a começar pelos mais básicos já que a pobreza está mais presente. “Temos famílias em que a alimentação das pessoas com deficiência é garantida no CAO. Com os filhos em casa, a alimentação não chega para toda a gente”, conta Rogério Cação, vice-presidente da Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social. Há que fazer-lha chegar.
Pedro é utente da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) do Porto. “Temos uma equipa técnica muito grande que está em contacto telefónico com as famílias, para ver o que precisam, para lhes dar orientações sobre o que poderão fazer em casa”, afiança a directora, Teresa Guimarães. “Pode ser muito pesado. Temos pessoas com grande nível de dependência. Temos mães sozinhas que vão entrar numa fase de desgaste grande. Estamos preparados para prestar apoio domiciliário, a nível da higiene e da alimentação, mas é preciso que as famílias queiram. E muitas não querem. Têm medo que o vírus lhes entre pela porta dentro.” A mãe de Pedro foi uma delas.
Quando o mundo não andava torto, Rosário levava Pedro para a CAO ao princípio da manhã e ia buscá-lo ao final da tarde. Aproveitava para tratar da casa dela e de casas alheias. Agora, aquele T2+1 é o mundo quase todo. O que lhe pesa não é o trabalho, embora o filho mais velho – com síndrome de Wolf-Hirschhorn, uma doença raríssima que lhe provoca um forte défice – precise dela para tudo. Afinal, deixou de ter casas alheias para limpar. O que lhe pesa é a necessidade de atenção permanente. “Está sempre em cima de mim. Tenho de ir falando com ele.” Só tem descanso quando o filho mais novo, estudante universitário, entretém o irmão. Mesmo assim, prefere não ter ninguém em casa esta viúva de 62 anos. “No início, estava muito cansada porque ele não comia, dormia mal, andava agitado, agressivo. Já está melhor.”
Deu-lhe umas gotas homeopáticas para domar a ansiedade e inventou-lhe uma nova rotina. Estratégia acertada, parece-lhe. “Agora, está na hora do pequeno-almoço. Vai buscar isto, vai buscar aquilo. Agora, está na hora de passear o cão. Vamos dar esta voltinha com o Marley. Agora, está na hora de ouvir música. Dando-lhe o tablet, ele consegue mexer. Agora está na hora de ver um jogo de futebol. É a única coisa que ele gosta de ver na televisão. Agora, está na hora de telefonar às pessoas de que mais gostas. Ele gosta muito da família.”
A eventual falta de ventiladores
Um medo paira sob incontáveis famílias de pessoas com deficiência intelectual. O medo de que se chegue a um ponto de os ventilares não serem suficientes para todos e de haver quem ache que a vida daquela pessoa vale menos, aponta Paula Campos Pinto. É um medo indizível, sublinha Helena Albuquerque, presidente da Humanitas – Federação Portuguesa para a Saúde Mental.
Joana Morais e Castro, mãe de uma menina de seis anos, admite esse medo. A semana passada, apanhou um susto. A filha ficou com febre e dores de garganta. “Ligámos para a linha Saúde 24. Houve ótimo atendimento do ponto de vista humano, mas percebemos que não há orientações específicas para pessoas com Síndrome de Down.” Naquela inquietação, falou com outros membros da Associação de Pais 21 e tentou “perceber quais as directrizes ético-médicas em Portugal”.
Viram todos as notícias vindas dos Estados Unidos. O Estado do Alabama decidiu que as pessoas com deficiência intelectual grave são candidatas improváveis aos ventiladores. Viram todos as notícias vindas de Itália e Espanha, onde os médicos já tiveram de escolher. “Acreditamos que isto não vai acontecer em Portugal, mas temos aquele receio”, revela. “As pessoas com deficiência não podem ser discriminadas. Os critérios terão de ser clínicos.”
Prevenção é a palavra de ordem.“As pessoas com Síndrome de Down têm o sistema imunitário mais frágil”, frisa. Antes ainda de o Governo decretar o encerramento das escolas, já a jurista, de 41 anos, se tinha fechado no seu T4 com a sua família. Joana está com uma baixa de apoio à filha, que frequenta o pré-escolar. O marido, gestor de empresas, está em regime de teletrabalho. E os quatro filhos embrenhados em afazeres e brincadeiras.
Riscos e regressão
Multiplicam-se as estratégias das equipas técnicas articuladas com as famílias confinadas. A Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas de Peniche, por exemplo, procura dinamizar grupos de trabalho através das redes sociais. Esta semana, conta Rogério Cação, propuseram que cada um “documentasse a sua janela”. “Podiam enviar uma fotografia ou um registo de voz. “Têm tido uma atitude muito colaborante.”
Já está decidido que, depois da Páscoa, os estudantes até ao 10º devem continuar na modalidade de ensino à distância. “Estas crianças precisam em muitos casos de apoio especializado”, salienta Paula Campos Pinto. “Se os professores já têm dificuldade, que dirão os pais? Estas plataformas são todas acessíveis a pessoas que têm baixa visão ou são cegas? São dúvidas que temos.” Ao que disse esta quinta-feira o primeiro-ministro, António Costa, o Ministério da Educação está a ultimar um plano específico para crianças com necessidades especiais.
“Agora, temos uma situação. Depois, vamos ter de trabalhar toda a compensação deste período”, torna Cação. “Se calhar vai ser mais difícil o [período] pós-covid do que o covid. Vamos ter as famílias descompensadas e as pessoas com deficiência também descompensadas pelo isolamento e pela quebra de rotinas e, se calhar, com regressões ao nível de aprendizagens.”
Em casa de Joana, a família é grande e entrou toda em campo. “Estamos a apostar muito na terapia de intervenção precoce para que ela seja autónoma, realizada, feliz. Há um risco de retrocesso quando as pessoas com deficiência [intelectual] não estão activas. Estamos a tentar mantê-la ativa com terapias e desafios à distância.” Quer a educadora, quer a terapeuta mandam exercícios diários e semanais.
Na casa da família de Bernardo Diniz também todos se esforçam. O rapaz, de dez anos, está a aprender a andar. Os pais e os irmãos tentam encorajá-lo a andar, a mexer-se, a fazer exercício. “Nós conseguimos fazer uma parte do trabalho da fisioterapeuta, mas não todo. Ele pode regredir. As aprendizagens não estão consolidadas”, diz a mãe, Maria do Carmo.
Mal foram anunciadas as ordens de distanciamento social e confinamento, a bióloga e o marido, economista, pegaram nos cinco filhos, viraram costas à casa que habitam em Lisboa e instalaram-se na casa de férias, no Alentejo. Bernardo tem microcefalia. Não vê, não fala, não lava as mãos sozinho, não percebe que tem de tossir ou espirrar para o braço ou cotovelo ou lenço de papel descartável. “Era mais fácil ficar contaminado em Lisboa. No caso de ficar contaminado, a evolução da doença seria mais perigosa”, explica a mãe.
Por lá devem continuar até tudo ficar mais controlado, mas Maria do Carmo não está totalmente descansada. “Estamos a uma hora de um hospital.” Bernardo sofre de epilepsia. Uma ou duas vezes por ano, tem um ataque que exige ida ao hospital. “Assumimos este risco falando com a neurologista e trazendo os remédios SOS necessários, caso venha a ser preciso. Se tiver que ir para o hospital, não sabemos muito bem como vai ser.” Avaliando os riscos da contrair covid-19 e os riscos de ter uma crise de epilepsia, a primeira pareceu-lhe mais provável. Às vezes, a vida obriga a escolher entre o mau e o péssimo.
Fonte: Público
segunda-feira, 13 de abril de 2020
Distância na rua e o toque são preocupações para os cegos

A Associação dos Cegos e Amblíopes alerta para as maiores preocupações dos cegos na atual situação: distância a que estão as outras pessoas e a necessidade de tocar em objetos para se orientarem.
A distância das pessoas que estão na rua e a necessidade de tocar nos objetos para se orientarem são alguns dos problemas que preocupam os cegos na atual situação de pandemia de Covid-19, segundo a ACAPO.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, Tomé Coelho, contou, a propósito dos efeitos da pandemia da Covid-19, que os cegos estão a tentar adaptar-se à nova vivência, sendo que as pessoas com deficiência visual pela sua especificidade têm de ter mais cuidados, que nem sempre conseguem controlar.
“O isolamento social é difícil para pessoas que não veem porque se tivermos que sair em situações de emergência não conseguimos controlar a distância das pessoas que estão à frente ou atrás de nós. É complicado. As pessoas cegas servem-se das mãos para tudo, para se orientarem, para tocar nas coisas para sabermos o que são“, disse.
No entanto, quem precisar e o pedir pode receber em casa alimentos e medicamentos.
“Se alguém precisar temos um projeto-piloto. Os centros de apoio a pessoas cegas, onde os nossos assistentes estão disponíveis para irem fazer as compras que as pessoas necessitem. Temos tido alguns pedidos, mas não muitos porque recorrem a familiares e amigos”, disse.
Tomé Coelho adiantou também que existem parcerias com as juntas de freguesia e câmaras municipais que ajudam também.
“Neste momento, a ACAPO não está a prestar apoio presencial, mas temos sempre as linhas de contacto direto e todos os nossos técnicos estão disponíveis para ajudar em qualquer pedido de solicitação que chegue e se não conseguirmos encaminharemos para as estruturas de suporte nas juntas de freguesia e câmaras municipais. Mas nunca ficam sem apoio”, disse.
De acordo com a Direção Geral da Saúde, a “Covid-19 transmite-se por contacto próximo com pessoas infetadas pelo vírus, ou superfícies e objetos contaminados”.
Tomé Coelho adiantou também que a partir desta sexta-feira vai estar disponível para quem o desejar um leitor de écran que permite acesso à internet, aos meios informáticos, por 90 dias e de forma gratuita.
“Queremos contribuir para minimizar o isolamento das pessoas. Estabelecemos uma parceria com o representante do leitor de écran que permite acesso à internet, aos meios informáticos, para que fossem cedidas licenças gratuitas deste software do leitor de écran e outro de ampliação de carateres a partir de hoje, por 90 dias e sem qualquer custo”, disse.
Questionado sobre se tem conhecimento de algum caso confirmado de covid-19, Tomé Coelho disse que até ao momento só foram reportados à ACAPO dois casos suspeitos de infeção, um dos quais entretanto já deu negativo o outro está a aguardar resultados.
“Quando nos contactam com qualquer suspeita nós encaminhamos para as autoridades de saúde”, disse.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 50 mil.
quinta-feira, 9 de abril de 2020
duas funções no Word: a leitura avançada e ditado
Provavelmente já conhecem, mas são duas funções no Word que podem ser utilizadas, dependendo da nossa imaginação. A leitura avançada é particularmente importante em crianças com dificuldades na leitura, o ditado, se o microfone for bom, pode ter interesse, pois permite utilizar a conversão de voz em texto. É uma maneira rápida e fácil de "apanhar" os nossas ideias criar rascunhos, e capturar notas.
funcionamento do 3º período escolar
Decreto lei com as medidas aprovadas hoje, dia 9 abril, pelo conselho de ministros, a regulamentar o funcionamento do 3º período escolar e a suspensão das aulas presenciais.
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Novas estratégias em educação especial à medida que as crianças aprendem em casa
Na educação especial, os professores dizem que horários, apoios sensoriais e estreita colaboração com as famílias podem ajudar a facilitar a transição para a aprendizagem à distância durante o coronavírus.
Em todo o país, as escolas de ensino fundamental e médio estão a tentar freneticamente adaptar-se ao encerramento abrupto durante o coronavírus. Mas, embora todos os professores estejam lutando com o novo normal, os professores de educação especial, em particular, enfrentam desafios incomparáveis na transição do ensino - e de seus alunos e familiares - para instruções em casa, adaptadas às necessidades de cada aluno.
“Quando se diz 'educação especial', dala-se de um guarda-chuva de idades, interesses, habilidades e deficiências, dentro do qual estão identificadas as necessidades individuais no seu Programa de Educação Individual”, explica Margaret Shafer, professora da terceira série em Morton, Illinois, ecoando as perguntas levantadas pelos nossos leitores, que se questionam como podem fornecer apoio suficiente para cada um dos seus alunos, com requisitos muito diferentes para aprender.
Ao contrário do desenvolvimento on-line de um plano de aula para toda a turma, os professores de educação especial agora têm a tarefa de desenvolver planos exclusivos para todos os alunos que se alinham aos seus IEPs, conforme exigido pelo mandato federal. Um grande obstáculo, dizem os professores, é determinar se a aprendizagem e os serviços que os alunos estão acostumados a receber na escola - coisas como remediação motora grossa e terapia comportamental - podem até ser oferecidos em ambiente doméstico ou por meio de recursos digitais.
Os professores de educação especial e de educação geral também questionaram quanto os pais e os responsáveis são capazes de ajudar, uma vez que os alunos com necessidades especiais geralmente dependem de apoio e instrução especializados, como dicas ou atividades sensoriais que os mantêm em atividade. “[Os meus alunos] são não verbais e precisam de instrução direta individual com várias solicitações ou redirecionamento”, explicou Beth McGreevy Dworak no Facebook. "Muitos têm défices de atenção e comportamento e são incapazes de concluir independentemente a maioria das tarefas."
Além disso, muitos estudantes com necessidades especiais progridem dentro da estrutura do dia escolar, dizem os docentes, que se preocupam com os alunos que podem ser desproporcionalmente afetados pela agitação provocada pelo coronavírus.
Mas, embora a nova realidade seja uma mudança repentina e perturbadora, os docentes de educação especial já têm algumas ideias sobre como tirar o melhor proveito dela.
Configuração da aprendizagem em casa
Embora o tempo seja essencial, os docentes de educação especial recomendam trabalhar na criação de um ambiente de aprendizagem e de objetivos apropriados para os alunos e suas famílias antes de iniciar uma lista detalhada de tarefas e atividades diárias.
Como é em casa? As chamadas telefónicas para as famílias, no início, podem dar aos professores uma noção da configuração doméstica de cada aluno. Os professores podem fazer perguntas como: Os pais estarão em casa o dia todo? Eles estarão a trabalhar em casa? A internet está disponível? Que dispositivos electrónicos os alunos podem usar? Existe espaço na casa para a realização de atividades motoras ou sensoriais? Os professores podem mapear planos individualizados para os recursos disponíveis.
"O trabalho do professor passa de um modelo direto de aprendizagem para um modelo de treino: o professor agora apoia as famílias através do processo de compreensão das expectativas, metas e objetivos da escola", disse Patti Sullivan-Kowalski, diretora de educação especial em Meriden, Connecticut.
Recalibrar metas e objetivos: Depois de entender as circunstâncias de cada aluno, Kathryn Fishman-Weaver, diretora de assuntos académicos da Mizzou Academy, sugere que os professores avaliem as metas do IEP que são alcançáveis no novo ambiente e depois trabalhem com as famílias a gestão das mates de aprendizagem.
De acordo com os regulamentos federais, as escolas têm maior flexibilidade para atender aos objetivos do IEP durante a pandemia e devem trabalhar da melhor maneira possível para fornecer os serviços que eles podem - mesmo que sejam digitais - reconhecendo que esses serviços podem não ser os mesmos que um aluno recebe na escola.
Envolvimento proativo (mas seja flexível): os pais também precisam de orientação contínua, dizem os educadores, que aconselham o check-in regularmente com as famílias por telefone, videoconferência ou e-mail para garantir que eles se sintam apoiados. Para pais e cuidadores cuja primeira língua não é o inglês, os educadores incentivam os serviços de tradução como um intérprete de três vias para garantir comunicação suficiente. O distrito escolar de Meriden criou um grupo de sala de aula do Google apenas para pais de crianças com necessidades especiais, para que eles possam comunicar e trocar ideias sobre o que está funcionando bem (e o que não está) em casa.
Kathryn Nieves Licwinko, professora de educação especial em Sparta, Nova Jersey, diz que os professores devem tentar ser mais flexíveis quanto ao horário de trabalho e disponibilizar-se através de diferentes modos de comunicação para se adaptar às diferentes circunstâncias familiares.
"Muitos estudantes ainda têm pais a trabalhar e que não estão em casa com eles, então fica mais difícil para eles concluir as tarefas", disse ela. "Eu tenho alunos que não entram em contacto comigo há uma semana porque não conseguiram aceder ao dispositivo e seus pais não estão em casa para ajudar".
Objetivos e aprendizagem dos alunos
A suspensão de uma rotina regular pode ser especialmente perturbadora para alunos com necessidades especiais, afirmaram - para que professores e famílias trabalhem juntos para criar atividades de aprendizagem em casa que se assemelhem ao dia escolar.
Enfatize a estrutura: “A maioria dos meus alunos progride sob estrutura e rotina. Eles beneficiam de ter professores disponíveis para instrução, esclarecimento e foco constantes ”, disse Eric Fieldman, professor de educação especial do ensino médio em Collingswood, Nova Jersey. "Estar em casa, mesmo com o mesmo nível de trabalho académico, carece do mesmo foco e pode levar a um esforço de trabalho inconsistente."
Fieldman e outros professores recomendam a criação de uma lista diária de atividades - divididas em pequenas partes com muitas pausas - que, se possível, seguem uma ordem semelhante à programação que os alunos tinham na escola. Como muitos alunos com necessidades especiais respondem bem às sugestões visuais, pode ser útil um quadro de horários (tátil ou digital) com imagens de atividades que os alunos devem fazer, disseram os professores. Fieldman também recomenda o uso de um cronómetro de cozinha, que lembra aos alunos um horário de sinos na escola.
Dan Vollrath, professor de educação especial do ensino médio em Flemington, Nova Jersey, acrescenta que os pais podem até tentar que as atividades de aprendizagem ocorram em diferentes espaços ou salas de uma casa, pois os alunos estão acostumados a mudar de local na escola, dependendo do que está aprendendo.
Comunicação com os pais e responsáveis de maneira clara: Embora os professores provavelmente criem vídeos instrucionais (ou instruções por escrito) para os alunos, os docentes de educação especial também aconselham criá-los para os pais ensinarem como configurar e apoiar os seus filhos em várias atividades. Alguns serviços de vídeo oferecem traduções para pais cujo primeiro idioma não é o inglês. Os professores também podem pensar em como os pais podem usar objetos genéricos em casa para ensinar competências, como Cheerios, palitos de dente ou moedas de um centavo, que podem ser reaproveitadas como manipuladores matemáticos.
Ainda assim, pais e professores não devem achar que tudo na escola pode ou deve ser replicado. "Não há um pai perfeito por aí que possa fabricar uma 'experiência escolar' completa, dadas as limitações de escola, tempo e recursos", disse Sarah Kesty, professora de educação especial do ensino médio em Chula Vista, Califórnia. "Não há problema em substituir a escola e, certamente, não é possível planificar todas as atividades ao minuto".
Atender às necessidades sensoriais e de movimento: Os educadores também apontam que os alunos com necessidades especiais podem precisar de modificações e apoios sensoriais adicionais - identificados nos respetivos IEPs - para ajudá-los a aprender e crescer. Os professores disseram que os pais podem usar objetos simples como massinha colorida e plástico bolha ou jogos baseados no cérebro como Jenga, se os alunos precisarem libertar energia. Arroz e feijão colocados dentro dos bolsos podem substituir um colete ou cobertor pesado para proporcionar uma sensação de segurança, enquanto escrever e desenhar em creme de barbear pode reduzir a tensão e, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento da linguagem. Até abraços, respiração profunda ou permitir que uma criança corra para fora podem ajudar.
No geral, os professores recomendam manter "level head" e fazer o melhor que puderem em circunstâncias desafiadoras.
"Eu acredito que muita aprendizagem dos alunos de educação especial pode ocorrer em casa", disse Shafer. “No entanto, a educação especial é uma rede complexa de estratégias e atividades dependentes das necessidades dos alunos e, em casa, é improvável que os estudantes obtenham a aprendizagem académica que receberiam na sala de aula. Ainda assim, não temos escolha a não ser tentar."
Nora Fleming
Fonte: Edupia
Em todo o país, as escolas de ensino fundamental e médio estão a tentar freneticamente adaptar-se ao encerramento abrupto durante o coronavírus. Mas, embora todos os professores estejam lutando com o novo normal, os professores de educação especial, em particular, enfrentam desafios incomparáveis na transição do ensino - e de seus alunos e familiares - para instruções em casa, adaptadas às necessidades de cada aluno.
“Quando se diz 'educação especial', dala-se de um guarda-chuva de idades, interesses, habilidades e deficiências, dentro do qual estão identificadas as necessidades individuais no seu Programa de Educação Individual”, explica Margaret Shafer, professora da terceira série em Morton, Illinois, ecoando as perguntas levantadas pelos nossos leitores, que se questionam como podem fornecer apoio suficiente para cada um dos seus alunos, com requisitos muito diferentes para aprender.
Ao contrário do desenvolvimento on-line de um plano de aula para toda a turma, os professores de educação especial agora têm a tarefa de desenvolver planos exclusivos para todos os alunos que se alinham aos seus IEPs, conforme exigido pelo mandato federal. Um grande obstáculo, dizem os professores, é determinar se a aprendizagem e os serviços que os alunos estão acostumados a receber na escola - coisas como remediação motora grossa e terapia comportamental - podem até ser oferecidos em ambiente doméstico ou por meio de recursos digitais.
Os professores de educação especial e de educação geral também questionaram quanto os pais e os responsáveis são capazes de ajudar, uma vez que os alunos com necessidades especiais geralmente dependem de apoio e instrução especializados, como dicas ou atividades sensoriais que os mantêm em atividade. “[Os meus alunos] são não verbais e precisam de instrução direta individual com várias solicitações ou redirecionamento”, explicou Beth McGreevy Dworak no Facebook. "Muitos têm défices de atenção e comportamento e são incapazes de concluir independentemente a maioria das tarefas."
Além disso, muitos estudantes com necessidades especiais progridem dentro da estrutura do dia escolar, dizem os docentes, que se preocupam com os alunos que podem ser desproporcionalmente afetados pela agitação provocada pelo coronavírus.
Mas, embora a nova realidade seja uma mudança repentina e perturbadora, os docentes de educação especial já têm algumas ideias sobre como tirar o melhor proveito dela.
Configuração da aprendizagem em casa
Embora o tempo seja essencial, os docentes de educação especial recomendam trabalhar na criação de um ambiente de aprendizagem e de objetivos apropriados para os alunos e suas famílias antes de iniciar uma lista detalhada de tarefas e atividades diárias.
Como é em casa? As chamadas telefónicas para as famílias, no início, podem dar aos professores uma noção da configuração doméstica de cada aluno. Os professores podem fazer perguntas como: Os pais estarão em casa o dia todo? Eles estarão a trabalhar em casa? A internet está disponível? Que dispositivos electrónicos os alunos podem usar? Existe espaço na casa para a realização de atividades motoras ou sensoriais? Os professores podem mapear planos individualizados para os recursos disponíveis.
"O trabalho do professor passa de um modelo direto de aprendizagem para um modelo de treino: o professor agora apoia as famílias através do processo de compreensão das expectativas, metas e objetivos da escola", disse Patti Sullivan-Kowalski, diretora de educação especial em Meriden, Connecticut.
Recalibrar metas e objetivos: Depois de entender as circunstâncias de cada aluno, Kathryn Fishman-Weaver, diretora de assuntos académicos da Mizzou Academy, sugere que os professores avaliem as metas do IEP que são alcançáveis no novo ambiente e depois trabalhem com as famílias a gestão das mates de aprendizagem.
De acordo com os regulamentos federais, as escolas têm maior flexibilidade para atender aos objetivos do IEP durante a pandemia e devem trabalhar da melhor maneira possível para fornecer os serviços que eles podem - mesmo que sejam digitais - reconhecendo que esses serviços podem não ser os mesmos que um aluno recebe na escola.
Envolvimento proativo (mas seja flexível): os pais também precisam de orientação contínua, dizem os educadores, que aconselham o check-in regularmente com as famílias por telefone, videoconferência ou e-mail para garantir que eles se sintam apoiados. Para pais e cuidadores cuja primeira língua não é o inglês, os educadores incentivam os serviços de tradução como um intérprete de três vias para garantir comunicação suficiente. O distrito escolar de Meriden criou um grupo de sala de aula do Google apenas para pais de crianças com necessidades especiais, para que eles possam comunicar e trocar ideias sobre o que está funcionando bem (e o que não está) em casa.
Kathryn Nieves Licwinko, professora de educação especial em Sparta, Nova Jersey, diz que os professores devem tentar ser mais flexíveis quanto ao horário de trabalho e disponibilizar-se através de diferentes modos de comunicação para se adaptar às diferentes circunstâncias familiares.
"Muitos estudantes ainda têm pais a trabalhar e que não estão em casa com eles, então fica mais difícil para eles concluir as tarefas", disse ela. "Eu tenho alunos que não entram em contacto comigo há uma semana porque não conseguiram aceder ao dispositivo e seus pais não estão em casa para ajudar".
Objetivos e aprendizagem dos alunos
A suspensão de uma rotina regular pode ser especialmente perturbadora para alunos com necessidades especiais, afirmaram - para que professores e famílias trabalhem juntos para criar atividades de aprendizagem em casa que se assemelhem ao dia escolar.
Enfatize a estrutura: “A maioria dos meus alunos progride sob estrutura e rotina. Eles beneficiam de ter professores disponíveis para instrução, esclarecimento e foco constantes ”, disse Eric Fieldman, professor de educação especial do ensino médio em Collingswood, Nova Jersey. "Estar em casa, mesmo com o mesmo nível de trabalho académico, carece do mesmo foco e pode levar a um esforço de trabalho inconsistente."
Fieldman e outros professores recomendam a criação de uma lista diária de atividades - divididas em pequenas partes com muitas pausas - que, se possível, seguem uma ordem semelhante à programação que os alunos tinham na escola. Como muitos alunos com necessidades especiais respondem bem às sugestões visuais, pode ser útil um quadro de horários (tátil ou digital) com imagens de atividades que os alunos devem fazer, disseram os professores. Fieldman também recomenda o uso de um cronómetro de cozinha, que lembra aos alunos um horário de sinos na escola.
Dan Vollrath, professor de educação especial do ensino médio em Flemington, Nova Jersey, acrescenta que os pais podem até tentar que as atividades de aprendizagem ocorram em diferentes espaços ou salas de uma casa, pois os alunos estão acostumados a mudar de local na escola, dependendo do que está aprendendo.
Comunicação com os pais e responsáveis de maneira clara: Embora os professores provavelmente criem vídeos instrucionais (ou instruções por escrito) para os alunos, os docentes de educação especial também aconselham criá-los para os pais ensinarem como configurar e apoiar os seus filhos em várias atividades. Alguns serviços de vídeo oferecem traduções para pais cujo primeiro idioma não é o inglês. Os professores também podem pensar em como os pais podem usar objetos genéricos em casa para ensinar competências, como Cheerios, palitos de dente ou moedas de um centavo, que podem ser reaproveitadas como manipuladores matemáticos.
Ainda assim, pais e professores não devem achar que tudo na escola pode ou deve ser replicado. "Não há um pai perfeito por aí que possa fabricar uma 'experiência escolar' completa, dadas as limitações de escola, tempo e recursos", disse Sarah Kesty, professora de educação especial do ensino médio em Chula Vista, Califórnia. "Não há problema em substituir a escola e, certamente, não é possível planificar todas as atividades ao minuto".
Atender às necessidades sensoriais e de movimento: Os educadores também apontam que os alunos com necessidades especiais podem precisar de modificações e apoios sensoriais adicionais - identificados nos respetivos IEPs - para ajudá-los a aprender e crescer. Os professores disseram que os pais podem usar objetos simples como massinha colorida e plástico bolha ou jogos baseados no cérebro como Jenga, se os alunos precisarem libertar energia. Arroz e feijão colocados dentro dos bolsos podem substituir um colete ou cobertor pesado para proporcionar uma sensação de segurança, enquanto escrever e desenhar em creme de barbear pode reduzir a tensão e, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento da linguagem. Até abraços, respiração profunda ou permitir que uma criança corra para fora podem ajudar.
No geral, os professores recomendam manter "level head" e fazer o melhor que puderem em circunstâncias desafiadoras.
"Eu acredito que muita aprendizagem dos alunos de educação especial pode ocorrer em casa", disse Shafer. “No entanto, a educação especial é uma rede complexa de estratégias e atividades dependentes das necessidades dos alunos e, em casa, é improvável que os estudantes obtenham a aprendizagem académica que receberiam na sala de aula. Ainda assim, não temos escolha a não ser tentar."
Nora Fleming
Fonte: Edupia
quarta-feira, 1 de abril de 2020
School Keep é o novo projeto para combater as desigualdades no acesso à escola online
O encerramento das escolas como medida de prevenção para evitar a propagação da COVID-19 fez com que as aulas à distância se tornassem na nova realidade para milhares de alunos. No entanto, nem todos os estudantes têm as melhores condições de acesso ao ensino online. Para ajudar a combater as desigualdades no acesso à educação, o movimento tech4COVID19 lançou o projeto School Keep.
A iniciativa passa primeiro por determinar quantos alunos não têm as condições necessárias em casa para poder frequentar as aulas à distância. A School Keep quer angariar e disponibilizar equipamento informático aos estudantes que necessitam através de um sistema de apadrinhamento.
Os padrinhos, ou “keepers”, podem ser pessoas individuais ou coletivas e podem disponibilizar os equipamentos em falta de forma temporária ou mesmo permanente. A plataforma do projeto reúne as informações acerca do material que os alunos precisam e dos “keepers” que podem ajudar de forma a assegurar que os equipamentos chegam, de facto, a quem mais precisa.
Se tem equipamento informático disponível, como um computador, um tablet ou internet móvel, e quer ajudar a garantir que todos os estudantes têm acesso às aulas online, pode tornar-se num “keeper”, inscrevendo-se na página do School Keep.
Fonte: TekSapo
A iniciativa passa primeiro por determinar quantos alunos não têm as condições necessárias em casa para poder frequentar as aulas à distância. A School Keep quer angariar e disponibilizar equipamento informático aos estudantes que necessitam através de um sistema de apadrinhamento.
Os padrinhos, ou “keepers”, podem ser pessoas individuais ou coletivas e podem disponibilizar os equipamentos em falta de forma temporária ou mesmo permanente. A plataforma do projeto reúne as informações acerca do material que os alunos precisam e dos “keepers” que podem ajudar de forma a assegurar que os equipamentos chegam, de facto, a quem mais precisa.
Se tem equipamento informático disponível, como um computador, um tablet ou internet móvel, e quer ajudar a garantir que todos os estudantes têm acesso às aulas online, pode tornar-se num “keeper”, inscrevendo-se na página do School Keep.
Fonte: TekSapo
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