terça-feira, 25 de outubro de 2011

Estudante cria aplicação para escrita em braille em tablets



“Há uma app para isso” é cada vez mais uma forma apropriada de descrever a inovação crescente dos tempos em que vivemos. Um estudante norte-americano desenvolveu uma aplicação que permite a invisuais escreverem em braille num tablet.
Adam Duran, estudante universitário, desenvolveu esta app com a ajuda de dois mentores, Adrian Lew e Sohan Dharmaraja, durante um curso de verão na Universidade de Stanford, localizada em Palo Alto, na Califórnia.
Esta invenção poderá vir a facilitar em muito a vida dos invisuais, que até agora, se quisessem uma ferramenta de escrita, não tinham alternativa aos dispositivos com preços de vários milhares de dólares, os quais se assemelham às antigas máquinas tipográficas.
O desenvolvimento desta aplicação tomou lugar no Army High-Performance Computing Research Center (AHPCRC) da Universidade de Stanford, mas a ideia que esteve na sua origem não foi a de uma aplicação para escrever em braille mas, sim, para o ler.
“A tecnologia, apesar de definitivamente útil, seria limitada na sua aplicação ao dia a dia” disse Adam Duran à publicação “Stanford Report”. “A killer app não era um leitor, mas sim uma ferramenta de escrita” adicionou Sohan Dharmaraja.
Este software aproveita-se dos amplos ecrãs táteis da maioria dos tablets, os quais já estão devidamente preparados para reconhecer o toque e agir consoante o mesmo, algo que torna a ferramenta útil para os invisuais pois o toque é um dos sentidos pelos quais se orientam no desempenho das tarefas diárias.
Graças à “inteligência” dos ecrãs táteis, o teclado e as teclas podem reajustar-se automaticamente à posição dos dedos do utilizador de cada vez que este os pousa no aparelho. O tamanho dos dedos e o estilodatilográfico dos utilizadores também não é um problema para o software.
Uma vez associada às tecnologias de reconhecimento de voz cada vez mais populares, esta invenção poderá providenciar uma panóplia de usos para os invisuais, como aliás demonstra Sohan Dharmaraja num vídeo do YouTube.

Atividade ao ar livre ajuda a combater a miopia

As atividades ao ar livre, desde um simples passeio ou piquenique até à prática de desporto, inibem a progressão da miopia, enquanto as atividades de visão ao perto potenciam o seu aumento, confirmam estudos da Universidade do Minho, coordenados pelo professor Jorge Jorge.
“A nossa pesquisa vem mostrar que o elevado número de horas a utilizar a visão ao perto, nomeadamente estar no computador ou na leitura, pode levar ao aumento da miopia. Em sentido contrário, a prática de atividade física funciona como um inibidor da sua progressão”, explica Jorge Jorge, do Departamento de Física (área de Optometria e Ciências da Visão) da Escola de Ciências da UMinho. Caso para dizer que, afinal, não são só as cenouras que fazem bem aos olhos.
A sua equipa desenvolve uma série de trabalhos que confirmam as alterações provocadas por aqueles fatores no desenvolvimento da miopia. Está ainda a realizar estudos sobre a redução da taxa de progressão da miopia utilizando lentes de contacto de geometria progressiva e lentes deortoqueratologia. Os projetos decorrem no CEORLab - Laboratório de Investigação em Optometria Clínica e Experimental do Centro de Física da UMinho.
A miopia é um problema visual que afeta um quarto da população mundial. Em Portugal, a prevalência média ronda os 20%, mas nos mais jovens ultrapassa já 30%. Considerando que em valores de miopia superiores a 6 Dioptrias existe um risco acrescido de ocorrerem determinadas patologias oculares é por isso necessário enveredar todos os esforços para conhecer as razões do aparecimento e progressão da miopia assim como as técnicas para redução da sua taxa de progressão.
Jorge Jorge licenciou-se em Física Aplicada – especialização em Optometria em 1995 e doutorou-se em Ciências em 2006, na UMinho. Nesta universidade é professor auxiliar e diretor do mestrado em Optometria Avançada. Integra o conselho editorial do “Journal of Optometry” e tem publicados mais de 30 artigos científicos e três capítulos de livro.

ACAPO relança Revista Louis Braille


Decorridos 10 anos da edição do último exemplar, a ACAPO relançou no dia do seu 22º aniversário, uma das mais marcantes publicações da história da Instituição. Trata-se de Louis Braille, uma revista especializada na área da deficiência visual, que regressa agora em versão digital e com uma periodicidade trimestral.
“Embora ancorada em princípios ligeiramente diferentes”, a nova publicação pretende assumir “a relevância de outros tempos, colmatando uma lacuna, no que concerne à produção e difusão de conhecimento relacionado com a deficiência visual”, tal como se lê no editorial do número 0 da revista, da autoria do Presidente da Direcção Nacional da ACAPO, Carlos Lopes.
Na edição número 0 da revista poderá ler uma entrevista à Presidente da União Mundial de Cegos; um artigo sobre acessibilidades; uma reportagem sobre o caso de sucesso do Grupo Jerónimo Martins na integração profissional de pessoas com deficiência visual; um artigo do médico oftalmologista Florindo Esperancinha, que faz uma retrospetiva dos avanços da oftalmologia nos últimos 20 anos; e uma reflexão de Graça Pegado, Professora Especializada na Área da Deficiência Visual, sobre a integração educativa dos alunos com deficiência visual.
Ler a revista em PDF AQUI.

Graça Pegado A integração educativa do aluno com deficiência visual

Professora Especializada na área da deficiência visual

Independentemente da sua natureza, a existência de um défice visual significativo condiciona o processo de aprendizagem dos alunos que o manifestam. A inclusão sócio-educativa dos mesmos exige um trabalho concertado por parte da família, dos professores ou educadores e outros agentes educativos que possam, de uma forma ou de outra, encontrar-se envolvidos no contexto escolar dos alunos, no sentido de verem minimizadas as consequências decorrentes dos problemas de visão que lhes possam vir a limitar as oportunidades de um desempenho académico desejável.

Com o objetivo de regulamentar a organização da Educação Especial nas escolas portuguesas, teve lugar a publicação do Decreto-Lei nº 3/2008 de 7 de janeiro. O diploma em vigor dedica um artigo à Educação de alunos cegos e com baixa visão, onde é consagrado um conjunto de medidas aplicáveis aos alunos portadores de deficiência visual, de cuja articulação depende a qualidade da resposta educativa que as escolas de referência para estes alunos estariam, à partida, habilitadas a oferecer, sendo múltiplos os fatores que para esse fim concorrem. Os recursos humanos e materiais que são colocados à disposição, a constituição das turmas, a adaptação do currículo e as atitudes, as práticas e as competências do pessoal docente constituem aspetos que condicionam a eficácia das medidas enunciadas, na promoção do sucesso escolar e inclusão social.

Fazendo uma retrospetiva relativamente ao acompanhamento de alunos com deficiência visual na última década, é-nos dado a perceber que a modernização das tecnologias em muito beneficiou o esforço que o Ministério da Educação tem vindo a desenvolver, no sentido de proporcionar aos alunos que a escola em si acolhe, as respostas mais adequadas às suas especificidades.

Por outro lado, através de uma desconstrução criteriosa da realidade que os nossos alunos vivem nas escolas da Grande Lisboa, concluímos que esse investimento não é, de todo, suficiente para assegurar que princípios como a promoção da igualdade de oportunidades pelos quais se rege a Escola Inclusiva estejam a ser respeitados.

Com efeito, é do conhecimento comum que um número significativo de medidas enunciadas na lei não encontra, frequentemente, a correspondência desejada na escola pública. É este o caso da sobejamente conhecida falta de equipamentos informáticos e materiais didáticos adequados, bem como a total ausência de preocupação com a acessibilidade dos alunos dentro da escola e nas suas imediações. De facto, a conceção arquitectónica da maioria dos espaços escolares que integram a rede de escolas de referência em nada difere dos demais estabelecimentos de ensino, não se verificando sequer a utilização de recursos alternativos, tais como pisos tácteis, placas sinalizadoras em braille, etc.

Ainda no vasto campo das acessibilidades, um outro aspeto que importa aqui sublinhar, é a escandalosa falta de acesso que os alunos cegos têm aos manuais escolares quando os mesmos são disponibilizados em formato digital, à luz de um protocolo que o M.E. celebrou com um número considerável de editoras. O formato que os alunos recebem via e-mail não é compatível com os leitores de ecrã que utilizam. E, mesmo após várias chamadas de atenção junto das entidades competentes, nenhuma posição foi ainda tomada no sentido de resolver uma situação inaceitável que compromete seriamente a garantia da igualdade tão apregoada pelo referido diploma.

Por outro lado, a abordagem das questões que se relacionam com os recursos humanos e sua preparação para o desempenho das funções que lhes estão designadas obriga, irremediavelmente, à análise refletida da sua formação. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que a oferta formativa na área da deficiência visual é extremamente escassa na zona da Grande Lisboa.

Acresce ainda o facto de os programas curriculares dos cursos de especialização se encontrarem, regra geral, desajustados relativamente às necessidades da prática educativa.

Áreas de importância central como a orientação e mobilidade, a avaliação visual e funcional, a aplicação de programas de estimulação visual, a utilização de meios informáticos específicos, o treino de atividades de vida diária e a promoção de competências sociais estão, habitualmente, ausentes do currículo.

Mesmo um professor especializado no domínio da visão, sem ter ainda acumulado alguns anos de experiência, chega à escola com uma preparação deficitária, uma vez que os conhecimentos adquiridos não satisfazem, em larga medida, as necessidades das suas funções.

Tendo em conta o atual cenário acerca do qual nos foi possível enunciar apenas um número reduzido de situações exemplificativas, parece-nos fundamental deixar claro que a melhoria da qualidade dos serviços prestados pelo sistema educativo depende, em primeira instância, de um processo de consciencialização coletiva, em que o respeito inadiável pelo aluno com deficiência visual se impõe de forma perentória. Trata-se de uma realidade que implica, essencialmente, uma outra conceção de organização escolar, ultrapassando a via da uniformidade e reconhecendo o direito à diferença.

Câmara de Silves promove Jornadas Cinematográficas da Deficiência

Durante o próximo mês de Novembro, a Câmara Municipal de Silves vai promover, todos os sábados, na biblioteca municipal, as Jornadas Cinematográficas da Deficiência, evento com o qual se pretende abordar, em cada sessão, um tipo de deficiência específica, mental, visual, motora ou auditiva.

Para além de divulgar o SIM-PD (Serviços de Informação e Mediação para Pessoas com Deficiência ou Incapacidade) de Silves, esta iniciativa visa “não só sensibilizar os munícipes para as problemáticas da deficiência”, através da visualização de filmes sobre várias temáticas, mas também “abrir um espaço de diálogo onde no final de cada sessão os participantes irão opinar sobre a temática que inspirou o filme”.

«I Am Sam – A força do amor», de Jessie Nelson, será o primeiro filme a ser exibido, a 5 de novembro, numa belíssima reflexão sobre a capacidade de cuidar que uma pessoa com deficiência mental pode ter, fazendo o público refletir sobre a discriminação sofrida por estas pessoas no seu meio social.

No dia 12 de novembro, será a vez de «À primeira vista» ser exibido. De Irwin Winkler, o enredo explora a jornada de um homem cujo mundo era a escuridão da cegueira, mas que pode ser iluminado por “um milagre da ciência e pela magia do amor”.

Baseado em factos da vida real, será exibido no dia 19 de novembro o filme «Mar Adentro», que relata a história de Ramón Sampedro, um marinheiro que ficou tetraplégico após um acidente de mergulho, mostrando a sua luta pelo direito de acabar com a própria vida.

As jornadas terminam no dia 26 de Novembro, com o filme «Filhos do Silêncio», de Randa Haines, numa abordagem da deficiência auditiva.

Software abre as portas do mundo digital a invisuais

Em 1999, há doze anos, Abílio Duarte reivindicava um computador para aquele que era um dos maiores acervos em braille do País, a funcionar na Biblioteca Professor Machado Vilela, em Vila Verde. Hoje há vários PC e Abílio foi um dos responsáveis pela disseminação de um software revolucionário para cegos.

Há pouco mais de uma década, um computador adaptado para utilizadores invisuais custava três mil euros, verba que a Biblioteca Professor Machado Vilela não tinha. Mas depois do apelo lançado por Abílio Duarte, responsável pelo acervo em braille daquela instituição, a autarquia arranjou forma de fornecer o equipamento, indispensável para a pesquisa de livros e acesso à internet.

Ainda assim, muita coisa mudou desde então. Hoje, a biblioteca usa nos seus três computadores um software NVDA, um sistema de leitura do ecrã (através de voz sintética) para Windows, com a particularidade de ser gratuito. E isso deve-se, mais uma vez, à vontade de Abílio.

"Existem vários outros softwares deste género mas custam cerca de 1300 euros, sem contar depois com as actualizações. Ora, se tivermos em conta que é um programa que se destina a uma população com uma elevada taxa de desemprego, é incomportável. Já o NVDA é completamente gratuito e faz praticamente tudo o que os outros programas fazem", justifica.

Abílio Duarte, de 40 anos, estava em Londres quando ouviu pela primeira vez falar do software desenvolvido numa plataforma comunitária em vários países. Quando regressou a Portugal, entrou em contacto com quem trabalhava no projecto, testou-o e envolveu-se. A ele se deve grande parte da divulgação, incentivo e acções de formação para o uso do programa, que pode mudar a vida de muitos invisuais, permitindo-lhes consultar a internet, o e-mail, as redes sociais ou usar o Skype.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Movimento Pais em Rede - Matosinhos

O Movimento Pais em Rede - Coordenações Distritais do Porto/Vila Real vão realizar, no dia 5 de Novembro, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, o encontro "Escola/Sociedade Inclusiva e Pais Especiais" , que contará com a presença de individualidades reconhecidas na área da Educação, de testemunhos na primeira pessoa de pessoas "especiais" e de pais.

O principal objetivo deste encontro é dar a conhecer o poder que os pais de "filhos especiais" têm, na construção de uma verdadeira Escola/Sociedade Inclusiva. Queremos, assim, que a inclusão seja possí­vel e que pais e técnicos caminhem juntos para que a chegada seja um sucesso.


As inscrições poderão ser feitas através do link: https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dE4tcjNFWDNJZW9xcXVUN01sSmF3cHc6MQ





Pais em Rede

Coordenação Distrital do Porto

Ilda Taborda - 919717627

Celeste Carvalho - 919008382

Fátima Carvalho -916498826