Em 1999, há doze anos, Abílio Duarte reivindicava um computador para aquele que era um dos maiores acervos em braille do País, a funcionar na Biblioteca Professor Machado Vilela, em Vila Verde. Hoje há vários PC e Abílio foi um dos responsáveis pela disseminação de um software revolucionário para cegos.
Há pouco mais de uma década, um computador adaptado para utilizadores invisuais custava três mil euros, verba que a Biblioteca Professor Machado Vilela não tinha. Mas depois do apelo lançado por Abílio Duarte, responsável pelo acervo em braille daquela instituição, a autarquia arranjou forma de fornecer o equipamento, indispensável para a pesquisa de livros e acesso à internet.
Ainda assim, muita coisa mudou desde então. Hoje, a biblioteca usa nos seus três computadores um software NVDA, um sistema de leitura do ecrã (através de voz sintética) para Windows, com a particularidade de ser gratuito. E isso deve-se, mais uma vez, à vontade de Abílio.
"Existem vários outros softwares deste género mas custam cerca de 1300 euros, sem contar depois com as actualizações. Ora, se tivermos em conta que é um programa que se destina a uma população com uma elevada taxa de desemprego, é incomportável. Já o NVDA é completamente gratuito e faz praticamente tudo o que os outros programas fazem", justifica.
Abílio Duarte, de 40 anos, estava em Londres quando ouviu pela primeira vez falar do software desenvolvido numa plataforma comunitária em vários países. Quando regressou a Portugal, entrou em contacto com quem trabalhava no projecto, testou-o e envolveu-se. A ele se deve grande parte da divulgação, incentivo e acções de formação para o uso do programa, que pode mudar a vida de muitos invisuais, permitindo-lhes consultar a internet, o e-mail, as redes sociais ou usar o Skype.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Miopia tratada durante a noite
Estima-se que em Portugal haja cerca de dois milhões de pessoas que sofrem de miopia. Dessas, apenas três por cento usam lentes de contacto nocturnas para corrigir o problema.
A terapia corneal refractiva (TCR) é uma técnica não cirúrgica que permite, através do uso nocturno de lentes de contacto especialmente desenhadas para o efeito, reduzir a miopia e o astigmatismo dos pacientes.
O segredo está na curva inversa da lente, que, em vez de acompanhar em paralelo a curvatura do olho, tem uma geometria inversa e, por isso, faz pressão na zona central da córnea. É esta pressão que permite aplanar a curva da córnea e, desta forma, corrigir a miopia, pois os raios luminosos passam a ter o seu foco na retina, o que não acontece com os pacientes míopes.
As lentes, que são aplicadas apenas durante a noite, são rígidas, feitas com materiais de silicone e permeáveis aos gases, o que permite que a córnea respire, pois continua a receber oxigénio.
José Batoca, especialista em optometria, disse ao CM que este é "um processo bastante satisfatório, pois garante uma visão normal depois de tirar as lentes até ao fim do dia e até mais".
O tempo de tratamento varia consoante os valores de miopia e de astigmatismo, mas por norma, até um mês, os pacientes recuperam a sua visão a cem por cento. "Não é um tratamento definitivo. Tem de se utilizar as lentes todas as noites ou, em alguns casos, noite sim, noite não. Mas tem de ser sempre, senão a córnea volta à sua disposição normal."
O MEU CASO: LEONOR ALVES
"ACABARAM OS PARES DE ÓCULOS"
Leonor Alves, de 23 anos, começou a usar óculos há dez anos, quando se apercebeu de que tinha dificuldades em ler o que os professores escreviam no quadro. Licenciada em Relações Internacionais, a jovem, que mora em Oeiras, confessa que nunca gostou de usar óculos. "Tornei-me cada vez mais dependente de óculos. Aquilo que começou por ser apenas um recurso tornou-se indispensável no meu dia-a-dia, fosse a conduzir, na praia ou em concertos", recorda.
O desconforto, aliado ao facto de todos os anos ter de comprar lentes novas, levou-a a procurar outras soluções. "Tentei usar lentes de contacto diurnas, mas fui desaconselhada, porque tenho falta de lágrima e, por isso, não sou uma boa candidata", lembra. Quando já se tinha conformado com a necessidade de usar óculos, Leonor descobriu, através de um amigo, as lentes de contacto nocturnas, que considera "extremamente vantajosas". "Acabaram-se os óculos na minha vida. Vou a todo lado e não tenho qualquer dificuldade em ver sem óculos."
Há quatro meses que Leonor usa as lentes todas as noites.
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sábado, 3 de julho de 2010
Ensino especial está a avançar mas com dificuldades
A responsável pela avaliação externa da reforma da educação especial salientou que o balanço é positivo mas reconhece que a maioria das escolas ainda passa por um período de adaptação, com algumas dificuldades.
02 Julho 2010Nº de votos (0) Comentários (0)
O decreto-lei que reformou a educação especial em Portugal entrou em vigor em 2008, mas, segundo Manuela Sanches Ferreira, há “muitas escolas com problemas de adaptação à legislação, mas na generalidade foram capazes de mudar” de um modelo mais médico (de diagnóstico) para um modelo de participação.
Os resultados conclusivos só serão conhecidos no final do ano, no entanto esta sexta-feira foi apresentado um estudo com resultados parcelares da avaliação desta reforma.
Os alunos com necessidades educativas especiais (NEE) são agora sinalizados de acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF).
“A maior parte dos instrumentos que os professores utilizam para a recolha de informação são informais e passam pelo olhar e observar as crianças”, informou a coordenadora, citada pela agência Lusa.
Dentro dos métodos informais de avaliação estão a observação, a entrevista, o questionário e mostras de trabalho. A nível formal são realizados testes.
Foram estudados 252 alunos, mas 38 destes não precisaram de “avaliação especializada com referência à CIF” por serem crianças que “em determinado momento não estavam a conseguir acompanhar o currículo educativo”, informou Manuela Sanches Ferreira.
Assim, só 214 entraram efectivamente no estudo, das quais 156 foram considerados elegíveis (96 por cento dos quais foram alvo de mais do que uma medida de apoio) e as restantes foram consideradas não elegíveis (51 por cento receberam mais do que duas medidas de apoio).
As maiores queixas das escolas estão relacionadas com o facto de terem muitos alunos com dificuldades e que não se integram no actual decreto-lei e a falta de formação para a CIF.
02 Julho 2010Nº de votos (0) Comentários (0)
O decreto-lei que reformou a educação especial em Portugal entrou em vigor em 2008, mas, segundo Manuela Sanches Ferreira, há “muitas escolas com problemas de adaptação à legislação, mas na generalidade foram capazes de mudar” de um modelo mais médico (de diagnóstico) para um modelo de participação.
Os resultados conclusivos só serão conhecidos no final do ano, no entanto esta sexta-feira foi apresentado um estudo com resultados parcelares da avaliação desta reforma.
Os alunos com necessidades educativas especiais (NEE) são agora sinalizados de acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF).
“A maior parte dos instrumentos que os professores utilizam para a recolha de informação são informais e passam pelo olhar e observar as crianças”, informou a coordenadora, citada pela agência Lusa.
Dentro dos métodos informais de avaliação estão a observação, a entrevista, o questionário e mostras de trabalho. A nível formal são realizados testes.
Foram estudados 252 alunos, mas 38 destes não precisaram de “avaliação especializada com referência à CIF” por serem crianças que “em determinado momento não estavam a conseguir acompanhar o currículo educativo”, informou Manuela Sanches Ferreira.
Assim, só 214 entraram efectivamente no estudo, das quais 156 foram considerados elegíveis (96 por cento dos quais foram alvo de mais do que uma medida de apoio) e as restantes foram consideradas não elegíveis (51 por cento receberam mais do que duas medidas de apoio).
As maiores queixas das escolas estão relacionadas com o facto de terem muitos alunos com dificuldades e que não se integram no actual decreto-lei e a falta de formação para a CIF.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Fenprof responsabiliza ex-ministra da Educação:Docentes colocados sem nexo

Há professores sem especialização e outros que nunca deram aulas a serem colocados pelo Ministério da Educação no acompanhamento de alunos com necessidades educativas especiais. A denúncia é da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que responsabiliza a ex-Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, por ter adoptado a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, afastando dessa forma cerca de 16 mil alunos da Educação Especial. Para Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, é urgente a alteração da lei, bem como do regime de colocação de professores da Educação Especial.
"Na oferta de escola há muitos professores colocados sem qualquer tipo de experiência com alunos, que nunca deram aulas, e muitos sem qualquer tipo de formação para a Educação Especial", afirmou Mário Nogueira, dando conta de que os professores existentes nos quadros "apenas permitem dar resposta a metade das necessidades, levando a que as escolas recorram a destacamentos e ofertas da escola". Segundo a principal estrutura sindical dos professores, em 2008/09 foram afastados da Educação Especial cerca de 16 mil alunos com necessidades educativas especiais. "A responsabilidade é toda da antiga equipa ministerial, que entendeu que a Classificação Internacional de Funcionalidade Incapacidade e Saúde (CIF) é a única forma de sinalizar estes miúdos", acusou Mário Nogueira.
O secretário-geral da Fenprof alertou ainda para o facto de nas escolas secundárias não existirem quadros para a Educação Especial, problema que urge resolver e para o qual o gabinete de Isabel Alçada deve encontrar uma solução, alterando a legislação em vigor e realizando um novo concurso de colocação de professores no próximo ano.
"Este decreto-lei não pode voltar a ser aplicado no próximo ano lectivo", afirmou Mário Nogueira, reconhecendo, porém, que a CIF "possa ser utilizada como uma das formas de sinalização de alunos".
PORMENORES
FORMAÇÃO PRIVILEGIADA
O Ministério da Educação garante que na colocação de professores para apoiar alunos com necessidades especiais é privilegiada a experiência na área, quando não existam docentes com formação.
MENOS 16 MIL ALUNOS
Quase 50 mil alunos do básico (49 877) – 3,9% de um universo de 1,28 milhões – frequentavam o Ensino Especial em Junho de 2008. O balanço mais recente dá conta de apenas 33 891 (2,85%) entre 1,24 milhões.
SÓ DOIS POR CENTO
Portugal só dá apoio a dois por cento dos alunos, quando a média internacional varia entre 8 e 12 por cento. Dos alunos que frequentam o ensino especial, 31 776 estão integrados em escolas normais e 2115 são em estabelecimentos públicos especializados.
4779 DOCENTES
Este ano lectivo existem 4779 docentes do grupo de recrutamento da Educação Especial, além de 1289 técnicos.
"Na oferta de escola há muitos professores colocados sem qualquer tipo de experiência com alunos, que nunca deram aulas, e muitos sem qualquer tipo de formação para a Educação Especial", afirmou Mário Nogueira, dando conta de que os professores existentes nos quadros "apenas permitem dar resposta a metade das necessidades, levando a que as escolas recorram a destacamentos e ofertas da escola". Segundo a principal estrutura sindical dos professores, em 2008/09 foram afastados da Educação Especial cerca de 16 mil alunos com necessidades educativas especiais. "A responsabilidade é toda da antiga equipa ministerial, que entendeu que a Classificação Internacional de Funcionalidade Incapacidade e Saúde (CIF) é a única forma de sinalizar estes miúdos", acusou Mário Nogueira.
O secretário-geral da Fenprof alertou ainda para o facto de nas escolas secundárias não existirem quadros para a Educação Especial, problema que urge resolver e para o qual o gabinete de Isabel Alçada deve encontrar uma solução, alterando a legislação em vigor e realizando um novo concurso de colocação de professores no próximo ano.
"Este decreto-lei não pode voltar a ser aplicado no próximo ano lectivo", afirmou Mário Nogueira, reconhecendo, porém, que a CIF "possa ser utilizada como uma das formas de sinalização de alunos".
PORMENORES
FORMAÇÃO PRIVILEGIADA
O Ministério da Educação garante que na colocação de professores para apoiar alunos com necessidades especiais é privilegiada a experiência na área, quando não existam docentes com formação.
MENOS 16 MIL ALUNOS
Quase 50 mil alunos do básico (49 877) – 3,9% de um universo de 1,28 milhões – frequentavam o Ensino Especial em Junho de 2008. O balanço mais recente dá conta de apenas 33 891 (2,85%) entre 1,24 milhões.
SÓ DOIS POR CENTO
Portugal só dá apoio a dois por cento dos alunos, quando a média internacional varia entre 8 e 12 por cento. Dos alunos que frequentam o ensino especial, 31 776 estão integrados em escolas normais e 2115 são em estabelecimentos públicos especializados.
4779 DOCENTES
Este ano lectivo existem 4779 docentes do grupo de recrutamento da Educação Especial, além de 1289 técnicos.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Criança surda e cega sem apoio na escola
DREN diz que técnicas no Porto devem ir dar formação às que acompanham o menino.
A mãe de um menino de oito anos, que sofre de surdocegueira, queixa-se de que o filho não está a ser acompanhado com medidas educacionais especiais, adequadas às crianças que não vêem nem ouvem.
Pedro está a ser acompanhado num centro de multideficiência da vila duriense de Cinfães, onde as técnicas não têm formação específica para tratar de um aluno com as deficiências do jovem.
"Quando vivia em Saragoça, Espanha, o meu filho estava acompanhado por uma professora especializada em surdocegueira. Também tínhamos o apoio de uma associação de pais especializada nessa doença. Em Portugal, julgo que apenas existe um centro em Lisboa e no Porto. No interior do País não há nada", explicou Clara Pereira, de 31 anos, ao Correio da Manhã.
Com o marido à beira de ficar no desemprego em Espanha, esta família regressou, há dois anos, à terra natal, em Cinfães. Desde então, Clara Pereira escreve todos os anos para a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). "No centro de Cinfães tentam fazer o máximo, mas a verdade é que Pedro está a regredir, enquanto, em Espanha, aprendeu a comunicar em língua gestual", assegura Clara Pereira.
Contactada ontem pelo Correio da Manhã, fonte oficial da DREN explicou que "existem técnicas especializadas numa escola da cidade do Porto, onde estudam dois alunos com surdocegueira, que deverão fazer deslocações a Cinfães para dar indicações às técnicas do Centro de multideficiência local, no sentido de ajudar no acompanhamento deste aluno".
16 MIL ALUNOS FICAM DE FORA
As mudanças implementadas pelo anterior Governo levaram a que no último ano e meio cerca de 16 mil alunos tenham ficado afastados da educação especial, de acordo com o documento ‘Escola Inclusiva’, revelado este mês pelo Ministério da Educação. Em Junho de 2008, eram quase 50 mil e, em 2009, cerca de 34 mil. A explicação estará no facto de a sinalização dos alunos ter passado a ser feita com base na Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), o que terá deixado muitos de fora.
PORMENORES
DISLÉXICOS
A sinalização de deficiências com recurso à Classificação Internacional de Funcionalidade tem deixado de fora os alunos com dislexia.
ESCOLAS PÚBLICAS
Segundo o Ministério da Educação, em 2009 havia 2115 alunos apoiados em unidades especializadas em escolas públicas de ensino regular.
EDUCAÇÃO ESPECIAL
Já em escolas de Educação Especial havia 2392 alunos em 2009, segundo o Governo.
A mãe de um menino de oito anos, que sofre de surdocegueira, queixa-se de que o filho não está a ser acompanhado com medidas educacionais especiais, adequadas às crianças que não vêem nem ouvem.
Pedro está a ser acompanhado num centro de multideficiência da vila duriense de Cinfães, onde as técnicas não têm formação específica para tratar de um aluno com as deficiências do jovem.
"Quando vivia em Saragoça, Espanha, o meu filho estava acompanhado por uma professora especializada em surdocegueira. Também tínhamos o apoio de uma associação de pais especializada nessa doença. Em Portugal, julgo que apenas existe um centro em Lisboa e no Porto. No interior do País não há nada", explicou Clara Pereira, de 31 anos, ao Correio da Manhã.
Com o marido à beira de ficar no desemprego em Espanha, esta família regressou, há dois anos, à terra natal, em Cinfães. Desde então, Clara Pereira escreve todos os anos para a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). "No centro de Cinfães tentam fazer o máximo, mas a verdade é que Pedro está a regredir, enquanto, em Espanha, aprendeu a comunicar em língua gestual", assegura Clara Pereira.
Contactada ontem pelo Correio da Manhã, fonte oficial da DREN explicou que "existem técnicas especializadas numa escola da cidade do Porto, onde estudam dois alunos com surdocegueira, que deverão fazer deslocações a Cinfães para dar indicações às técnicas do Centro de multideficiência local, no sentido de ajudar no acompanhamento deste aluno".
16 MIL ALUNOS FICAM DE FORA
As mudanças implementadas pelo anterior Governo levaram a que no último ano e meio cerca de 16 mil alunos tenham ficado afastados da educação especial, de acordo com o documento ‘Escola Inclusiva’, revelado este mês pelo Ministério da Educação. Em Junho de 2008, eram quase 50 mil e, em 2009, cerca de 34 mil. A explicação estará no facto de a sinalização dos alunos ter passado a ser feita com base na Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), o que terá deixado muitos de fora.
PORMENORES
DISLÉXICOS
A sinalização de deficiências com recurso à Classificação Internacional de Funcionalidade tem deixado de fora os alunos com dislexia.
ESCOLAS PÚBLICAS
Segundo o Ministério da Educação, em 2009 havia 2115 alunos apoiados em unidades especializadas em escolas públicas de ensino regular.
EDUCAÇÃO ESPECIAL
Já em escolas de Educação Especial havia 2392 alunos em 2009, segundo o Governo.
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