segunda-feira, 13 de junho de 2011

EMA aprova expansão da aprovação do Lucentis® da Novartis

A Novartis anunciou esta segunda-feira que os reguladores europeus expandiram a aprovação do Lucentis® (ranibizumabe) para incluir o tratamento de doentes com deficiência visual por edema macular secundário a oclusão da veia central da retina (RVO). David Epstein, director da divisão de medicamentos da companhia, referiu que o produto "é a primeira terapia anti-VEGF disponível para doentes com RVO ramo e RVO central”, avança o site FirstWord.

A decisão, que seguiu uma recomendação positiva Comité de Medicamentos de Uso Humano (CHMP) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em Março, teve como base os resultados dos estudos BRAVO e CRUISE, que revelaram os benefícios do medicamento. A Novartis avançou que os resultados dos ensaios mostraram que o uso mensal do Lucentis® levou a uma "melhora precoce e sustentada na visão dos doentes em seis meses", em comparação com o tratamento padrão. Além disso, os ganhos de acuidade visual foram mantidos a partir dos sete até aos 12 meses com dose regulável do composto “quando necessário".

O Lucentis® foi desenvolvido pela Novartis e pela unidade da Roche, a Genentech, que tem direitos sobre o medicamento nos EUA, onde o produto foi aprovado no ano passado para o tratamento do edema macular após oclusão venosa retiniana. O medicamento também está aprovado na União Europeia para o tratamento de doentes com deficiência visual devido a edema macular diabético, bem como para a degeneração macular molhada relacionada com a idade em ambos os mercados.

Coreógrafo brasileiro leva o universo dos cegos aos palcos de Berlim

Baseado no mundo das crianças cegas e nas percepções do não-ver, o coreógrafo potiguar Clébio Oliveira encena, ao lado da argentina Mercedes Appugliese, seu primeiro espetáculo depois que se mudou para a capital alemã.

Não basta ver para sentir. Com isso todos concordam, mas isso se aplica a um espetáculo de dança? A arte deve instigar, aguçar os sentidos. No caso da dança, é necessário vê-la para conseguir entender sua expressão.

É esse ponto complexo e delicado que o espetáculo Milchstrasse (Via Láctea) do coreógrafo brasileiro Clébio Oliveira aborda. O ponto de partida não é a deficiência visual em si, mas o universo de sons, sentidos, dependência e sombras que envolve as pessoas que não podem ver.

Apesar de o espetáculo ter se tornado realidade na Alemanha, o interesse de Clébio por esse universo começou quando ele ainda estava no Brasil, aguardando seu visto para vir para a Alemanha. Nessas semanas de espera ele começou a pesquisa que daria origem ao espetáculo.

Clébio passou uma semana visitando o Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, onde pôde observar e interagir com deficientes visuais. Seu foco eram principalmente as crianças e os processos de aprendizado e comunicação. "Queria fazer um trabalho em cima de quem não pode ver, principalmente as crianças. O mundo infantil tem um colorido diferente e muito rico. Tento colocar sempre esse universo no meu trabalho", diz Clébio.

Paixão por Berlim
O coreógrafo trocou o Rio de Janeiro por Berlim em 2008. Essa paixão pela cidade surgiu no ano anterior, quando ele ainda fazia parte da companhia da coreógrafa Deborah Coker. "Já havia visitado a Alemanha algumas vezes com outros espetáculos, mas foi minha primeira vez em Berlim e me apaixonei", diz o bailarino.

De volta ao Brasil, ele saiu da companhia e, sem falar nem inglês nem alemão, veio tentar a sorte na cidade. Com uma carreira consolidada no Brasil, busca se estabelecer em Berlim. Em 2010 formatou a ideia do espetáculo sobre o mundo dos cegos e conseguiu apoio público para realizar o projeto.

"Voltei a pesquisar a subjetividade da cegueira, sempre com foco no lado poético. Nunca tinha recebido apoio público, foi uma grande responsabilidade, já que gostaria de estabelecer minha companhia aqui em Berlim", diz Clébio, que encontrou uma barreira maior na interação com os deficientes visuais na Alemanha.

A preocupação de fugir dos estereótipos foi o primeiro passo no processo de criação de Clébio, que quis explorar no espetáculo três pontos principais que unem a dança a esse universo: a estrutura corporal relacionada com a fisicalidade e o espaço corporal do indivíduo: a imaginação e fantasia associadas à educação e à estimulação: e questões filosóficas como a subjetividade do ver, o olhar condicionado e a potencialização dos outros sentidos. "Não basta fechar os olhos para saber o que o cego sente", afirma.

Cores e estrelas
O espetáculo é todo construído em cima dos sentidos e sensações. O que vemos não são dois cegos no palco, mas personagens que flertam com a exacerbação dos sentidos e a dependência. A referência ao universo infantil aparece nos objetos de cena, mas não há inocência e sim um pouco de caos e perversidade.

Clébio falou da dificuldade de coreografar e estar em cena e isso é perceptível no decorrer do espetáculo, onde partes destoam do todo, deixando algumas ideias um pouco perdidas. Mas o espetáculo consegue ser um mergulho interessante no universo dos deficientes visuais. A concepção do som é um dos pontos altos, criando um mundo à parte que completa o que vemos no palco, tanto criando conflito como conforto.

A argentina Mercedes Appugliese foi a escolha ideal. Ela brilha com uma naturalidade crua, onde o ordinário e a beleza se completam. No palco ela é controlada, manipulada e dependente sem perder a graça e a força.

No final do espetáculo o público é levado para bem longe e ao mesmo tempo para dentro de si, quando fecha os olhos. Bolinhas de gude, trazem cores, desordem e brilho, assim como a Via Láctea que dá nome ao espetáculo. "Tinha a curiosidade de saber o que os cegos realmente veem. Alguns têm sensibilidade para o claro e o escuro, outros que ficaram cegos se lembram de cores e formas. Numa das entrevistas o deficiente via pontos de luz como estrelas. Essa mistura do negro, com luzes uma névoa colorida é a imagem da Via Láctea", completa Clébio.

O espetáculo Milchstrasse está em cartaz no teatro Heimathafen em Berlim até o dia 12 de Junho.

Texto: Marco Sanchez
Revisão: Alexandre Schossler

Pessoas com deficiência:São mais de mil milhões em todo o mundo e debatem-se com barreiras diárias - OMS

Lisboa, 10 jun (Lusa) -- Mais de mil milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência e uma em cada cinco lida diariamente com barreiras intransponíveis, revela um relatório mundial divulgado hoje pela Organização Mundial de Saúde e Banco Mundial.

O primeiro relatório mundial sobre Deficiência (World Report on Disability) estima que entre 110 a 190 milhões de pessoas tenham a vida dificultada por falta de condições. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Banco Mundial (BM) apelam por isso aos governos para que tomem medidas que promovam a integração.

Os investigadores responsáveis pelo estudo consideram que poucos países têm mecanismos adequados para responder às necessidades. Além das barreiras físicas (transportes e edifícios inacessíveis), o relatório aponta o "estigma" e a "discriminação", a falta de cuidados de saúde e a inexistência de serviços de reabilitação adequados.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

1º Encontro Nacional “Superar Barreiras com TIC: Políticas, Ideias e Práticas”

As tecnologias são um aliado poderoso da educação. Quando se trata de alunos com Necessidades Educativas Especiais, adquirem ainda maior dimensão ao assumirem-se como a diferença entre o ser espectador e o ser actor no seu processo de aprendizagem. São ferramentas que superam barreiras e promovem o acesso e a participação daqueles que, por algum motivo, não acompanham o normal fluir da aprendizagem. O 1º Encontro Nacional “Superar Barreiras com TIC: Políticas, Ideias e Práticas” pretende reunir vários intervenientes na educação de alunos com Necessidades Educativas Especiais para apresentarem, debateram e demonstrarem como é possível conseguir que estes alunos aprendam mais e melhor com as TIC e as Tecnologias de Apoio a seu lado. Encontrar e difundir boas práticas, mas acima de tudo, contribuir para a modelagem de atitudes e fomentar a pro-actividade na exploração destas ferramentas para a supressão de barreiras na aprendizagem de todos os alunos constitui a ideia base deste 1º Encontro Nacional.

O evento, surge do esforço concertado do Centro de Competência TIC da Universidade de Aveiro e o Laboratório de Conteúdos Digitais, uma das estruturas funcionais do Centro de Investigação de Didáctica e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) com sede no Departamento de Educação (DE) da Universidade de Aveiro. Estas entidades acreditam no potencial que as TIC possuem no auxílio de alunos com problemas de aprendizagem e pretendem sensibilizar e incrementar o conhecimento sobre estas ferramentas.

O Encontro irá realizar-se no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro, nos dias 17 e 18 de Junho de 2011.
Para mais informações AQUI

II Seminário Ibérico - Percursos em Educação Especial: 8 e 9 de Julho/2011

Local: Museu Regional de Arqueologia D. Diogo de Sousa em
Braga
Data: 8 e 9 de Julho de 2011
Organização: AE Maximinos

Dando continuidade às iniciativas de anos anteriores, o Agrupamento de Escolas de Maximinos e a Escola Secundária Carlos Amarante, escolas de referência para alunos cegos e com baixa visão do distrito de Braga, vão realizar o II Seminário Ibérico - Percursos em Educação Especial.

Com este evento pretende-se criar um espaço de partilha e de reflexão aberto a toda a comunidade, contribuindo para a construção de práticas educativas que respeitem a diversidade e promovam a colaboração entre todos aqueles que a seu cargo têm esta responsabilidade.


Programa

08.07.2011 - Avaliação e Intervenção Educativa na Baixa Visão

08:30 Entrega da documentação
09:00 Sessão de Abertura: Presidente da CM Braga • Gabinete de Acompanhamento à Educação Especial da DREN • Directora da ESCA • Directora do CFAE Braga/Sul • EAE Alto Cávado

09:30 Painel I - Avaliação funcional da visão no contexto escolar - Moderadora: Doutora Leonor Moniz Pereira, Professora Catedrática da FMH - UTL

Bateria da avaliação funcional da visão da ML Leonhardt - Psicóloga Mercè Leonhardt da Universidade de Barcelona

11:30 A importância da avaliação funcional da visão na organização do desenho curricular - Mestre Joaquin Herrera da IOBA da Universidade de Valladolid

14:30 Painel II - Avaliação clínica e funcional na baixa visão -Moderador: Dr. Fernando Vaz, Director do Serviço de Oftalmologia do Hospital de Braga

Percursos e desafios de uma escola de referência - Dra. Diana Santos da AE Maximinos
Avaliação funcional da visão no contexto das consultas de baixa visão - DREN / Centro Hospitalar do Porto - Dra. Rosa Manuela Bastos - Serviço de Consultas de Baixa Visão

16:30 Contributo clínico na avaliação das situações do funcionamento visual - Dra. Sandra Guimarães - Hospital de Braga


09.07.2011 - Afectos no âmbito da Educação Sexual

09:00
Painel I - A sexualidade e o desenvolvimento da criança e do jovem - Moderadora: Mestre Ana Paula Vilela, Directora do CFAE Braga/Sul

O imaginário dos afectos nos alunos com deficiências / incapacidades - Dra. Helena Ferreira - AE Maximinos
Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Escolar no Agrupamento de Escolas de Maximinos - Dra. Cristina Fertusinhos e Psicóloga Sónia Dias da AE Maximinos

11:00 Educação para a sexualidade e para os afectos - “Coisas a aprender no colo da minha mãe(?)” - Professora Doutora Zélia Caçadora da Universidade do Minho
"Sexualidades e identidades atípicas" - Professora Doutora Judite Cruz da Universidade do Minho

12:45 Sessão de Encerramento
Director Regional da Educação do Norte • Governador Civil de Braga • Representante do Fórum Municipal da Pessoa com Deficiência da CM Braga• Presidente da CAP do AE Maximinos• Vogal da CAP do AE Maximinos


Para mais informações e acesso à ficha de inscrição:
http://caminhopartilhado.blogspot.com/
caminhopartilhado@gmail.com

terça-feira, 7 de junho de 2011

Projecto + aLER


Iniciativa que visa a criação de recursos de leitura para os alunos com Necessidades Educativas Especiais.

Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), através dos Centros de Recursos TIC (CRTIC) sediados na Região, e em parceria com o Plano Nacional de Leitura (PNL) e o Programa Rede de Bibliotecas Escolares (PRBE), deu início formal ao Projecto + aLER que visa a criação de recursos de leitura para os alunos com Necessidades Educativas Especiais.
O Projecto surgiu com o ensejo de criar uma cultura de inclusão na comunidade educativa adstrita a cada CRTIC – sob a égide do Ano Internacional do Voluntariado -, constituindo-se como ponto estratégico de acção a capacidade de assegurar a aplicação do PNL nos estabelecimentos de ensino, alargando o número de obras adequadas aos diferentes níveis de leitura dos alunos e à diversidade dos perfis leitores, designadamente dos que não têm acesso aos usuais suportes de leitura, por inibição física, mental ou outra. A transcrição de textos para escrita com símbolos permitirá a criação de uma biblioteca digital dedicada a estes produtos, tendo por base os trabalhos realizados nas escolas.

Como intervenientes nodulares do Projecto estarão os técnicos dos CRTIC, os professores bibliotecários e os alunos voluntários, que, no espaço da Biblioteca Escolar ou dos Centros de Recursos, dinamizarão as actividades que estarão previstas nos respectivos planos de actividades.

Colóquio - Deficiência e a Transformação Social: fronteiras e futuros

O CES - Centro de Estudos Sociais (Laboratório Associado), Universidade de Coimbra, vai dinamizar, no dia 8 de Junho, entre as 14h00 e as 17h00, o colóquio "Deficiência e a Transição Social: fronteiras e futuros". Este evento decorre no Picoas Plaza, Rua de Viriato 13, CES-Lisboa e Centro de Informação Urbana de Lisboa.




A realidade das pessoas com deficiência em Portugal tem sido dominada por uma abordagem reabilitacional e individualizada da deficiência. Perante os constrangimentos que este quadro de abordagem coloca, afigura-se urgente a consolidação de um questionamento cultural e sociopolítico capaz de confrontar as condições estruturais que obstam a efectivos horizontes de inclusão social.
Contrariamente a outros contextos, onde os Estudos Deficiência se têm configurado como o ‘braço intelectual’ do movimento de pessoas com deficiência, em Portugal esta área de reflexão caracteriza-se pelo seu carácter embrionário e pela desarticulação com o activismo. Um tal quadro — em conjugação com a realidade das condições objectivas de existência das pessoas com deficiência em Portugal — tem coarctado a politização da questão da deficiência em Portugal e, crucialmente, tem impedido o movimento social de pessoas com deficiência de forjar uma política cultural de identidade com impacto mobilizador.
O presente colóquio, consagrado ao tema “Deficiência e a Transformação Social. Fronteiras e Futuros”, integra-se nas iniciativas que irão ser desenvolvidas pelo projecto ‘Da lesão vértebro-medular à inclusão social: a deficiência enquanto desafio pessoal e sociopolítico’, a decorrer no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Procurando articular uma reflexão sobre a sociedade portuguesa com a contribuição de Colin Barnes, renomado activista e académico nos Estudos da Deficiência, propomos uma reflexão em torno da investigação sobre deficiência em Portugal. Quais são as condições presentes para a consolidação de um campo de investigação académico alicerçado na emancipação das pessoas com deficiência? Qual a pertinência e actualidade do modelo social da deficiência no contexto português? Estas são algumas das questões a que procuramos responder num debate alargado em que contaremos com a voz das pessoas deficiência, com as organizações que as representam, com investigadores a fazer trabalho na área, com profissionais de reabilitação e com o público em geral.
Programa
14h15 – Abertura | Pedro Hespanha (CES/FEUC)
14h30 – "Deficiência e emancipação social: o lugar da investigação científica", Aleksandra Berg (CES), Bruno Sena Martins (CES) e Fernando Fontes (University of Leeds/ CES)
15h00 – Comentário | Paula Pinto (CAPP/ISCSP Universidade Técnica de Lisboa)
15h10 – Comentário | Isabel Freitas (Númena, Centro de Investigação em Ciências Sociais e Humanas)
15h20 – Debate
15h35 – Pausa para café
16h00 – "The Social Model of Disability and its impact on our Understanding of Disablement in the UK and Beyond", Colin Barnes (Centre for Disability Studies, University of Leeds)
16h30 – Comentário | Humberto Santos (Associação Portuguesa de Deficientes)
16h40 – Comentário | José Arruda (Associação dos Deficientes das Forças Armadas)
16h50 – Debate | Moderação: Adalberto Fernandes (Instituto Nacional da Reabilitação)
NOTA: O colóquio decorre em instalações acessíveis a cidadãos com deficiência. Existirá intérprete de Língua Gestual, assim como tradução simultânea. A entrada é livre.
Contactos:
Colégio de São Jerónimo, Apartado 3087 3001-401 Coimbra | Tel.: 239 855 570 | Fax: 239 855 589 | E-mail: aleksandraewaberg@gmail.com | Sítio web: http://ces.uc.pt