quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Doença da retina é a principal causa de baixa visão nos países desenvolvidos

No dia 29 de Setembro assinala-se o Dia Mundial da Retina e a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) lembra que um estilo de vida saudável pode ajudar a retardar a degenerescência macular da idade (DMI), principal causa de baixa visão nos países desenvolvidos. Trata-se de uma doença crónica e progressiva da zona central da mácula, onde a visão é mais importante, atinge cerca de 350 000 mil portugueses, um número que tende a aumentar à medida que a população portuguesa fica mais envelhecida.

Mun Faria, oftalmologista e membro da SPO, afirma que a DMI “decorre do envelhecimento das células delicadas da zona central da retina, que ficam lesadas e deixam de funcionar de forma eficaz. É uma doença multifactorial, em que a idade tem um importante papel. Os dois olhos estão geralmente envolvidos, mas em diferentes estadios da doença.

Sendo a causa mais frequente de baixa de visão em doentes acima dos 50 anos nos países desenvolvidos, a DMI é uma doença silenciosa e muitas vezes, só é perceptível pelo doente, depois de envolver o outro olho. “Ocorre perda de visão central, que é a mais sensível à luz e aos objectos de pequena dimensão. A visão periférica é mantida, o que pode permitir alguma independência funcional”, explica a especialista.

Os factores que estão na génese do desenvolvimento da DMI são, em particular, a genética, pois existe uma predisposição genética para o desenvolvimento desta doença, tendo sido já identificados alguns genes que aumentam o risco de DMI. A associação com a raça também é evidente, sendo os caucasianos mais susceptíveis que a raça negra. Factores ambientais como o tabaco (o risco de DMI é duas a três vezes superior nos fumadores), a dieta e o índice de massa corporal também podem modular essa susceptibilidade para o desenvolvimento da DMI.

Segundo Mun Faria, os principais sintomas são, nas fases iniciais, “ baixa da acuidade visual, visão enevoada ou distorcida. As queixas podem ter evolução rápida ou desenvolver-se em meses.

Poderá haver algum desconforto, mas nunca acompanhado de dor. Numa fase avançada o doente refere uma mancha escura no campo central da visão, que dificulta a leitura, a escrita, o reconhecimento de pequenos objectos ou detalhes”.

O diagnóstico desta doença tem sido muito facilitado com uma técnica relativamente recente, a Tomografia de Coerência Óptica, (OCT) que permite de uma forma inócua, diagnosticar esta doença, assim como vigiar a sua evolução.

As formas de DMI podem ser a atrófica ou a exsudativa, sendo esta última a mais frequente. Na DMI exsudativa as injecções intra-vítreas de antiangiogénicos vieram revolucionar a terapêutica existente. É no entanto importante um diagnóstico precoce para que o tratamento se inicie antes de haver perda irreversível de visão. Existem evidências do efeito protector de alguns antioxidantes (vitamina C, E e Zinco), carotenoides e Ómega 3.

Assim, em indivíduos susceptíveis ou com factores de risco para a DMI, é recomendável uma alimentação rica em Ómega 3 (peixes gordos, como a sardinha, cavala, salmão), alimentos como a couve portuguesa e legumes de folha verde, ricos em carotenóides e, no geral, frutas, legumes, nozes, crustáceos, etc.

A DMI é tratável, “mas o tratamento com cura total é muito difícil, senão mesmo impossível”, sendo prognóstico habitualmente reservado. Todos os doentes com DMI devem ser informados sobre o prognóstico e o valor potencial dos tratamentos, os riscos, os benefícios e as complicações desses tratamentos, que devem ser discutidos para cada doente.

A antecipação e o desenvolvimento das formas mais graves podem ser prevenidos, pela modulação de factores de risco imutáveis como a genética e a idade, através de uma dieta saudável e a cessação tabágica.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

REVISTA LOUIS BRAILLE N.º 7

A Revista Louis Braille é uma publicação digital, especializada na área da deficiência visual, com periodicidade trimestral, editada pela ACAPO.



Banda brasileira com jovens cegos e surdos usa a música como forma de inclusão

A Banda Música do Silêncio, um projeto musical de São Paulo, no Brasil, com jovens cegos e surdos, apresentou-se no sábado em Coimbra para mostrar que a música é uma ferramenta de inclusão e de desenvolvimento pessoal.
Fábio Bonvenuto, coordenador da Banda Música do Silêncio, gesticulou ordens, olhou em redor e por vezes usou a sua voz, num esforço de atenção, a diferentes níveis sensoriais, para poder comunicar com a sua orquestra.
O maestro tem que "adaptar a regência tradicional de orquestra" para uma regência na qual pode "usar o corpo todo", explicou, depois de uma pequena demonstração do projeto na Escola Básica Poeta Manuel Silva Gaio, em Coimbra, no sábado, à tarde, antes da atuação às 21:00 na mesma escola.
O maestro da Banda Música do Silêncio introduziu sinais da linguagem gestual nessa regência, para que os alunos surdos o possam compreender, enquanto alunos cegos "têm ao lado" colegas que lhes vão dando comandos "através do toque da mão".
Nesta viagem internacional, a convite da Câmara de Vidigueira, no Alentejo, surgiram apenas 40 alunos, mas pelo projeto, contou Fábio Bonvenuto, já passaram "quase 600 alunos", desde 2005, altura em que o projeto foi iniciado.
A Banda Música do Silêncio surgiu por "12 alunos surdos desejarem ter aulas de música", contou Fábio Bonvenuto, que recebeu um convite da Prefeitura de São Paulo para iniciar o projeto.
"A gente ouve, mas muitas vezes não escuta", afirmou o maestro, explicando que "escutar envolve outros sentidos", como "o recurso visual".
A "escuta" da música surge também através da vibração, com os alunos surdos a "ouvirem os graves na região abdominal e os agudos na zona das costas e nuca", disse à Lusa Fábio Bonvenuto.
Emily Santos, de 11 anos, que está na Banda Música do Silêncio desde 2010, contou "que gosta da sensação" da batida, e que escolheu o surdo, instrumental usado nas escolas de samba, por "gostar mais da sua vibração".
O coordenador e maestro do projeto afirmou que a Banda Música do Silêncio tem, na sua maioria, crianças de estratos sociais mais baixos, conseguindo também, através da música, dar-lhes outras perspetivas de futuro.
"Para eles, isto é muito maior do que os aplausos", explicou Fábio Bonvenuto, contando que um aluno "disse que não" a um trabalho no supermercado "a carregar caixa", "porque se ele consegue tocar música, vai poder estudar mais e vai poder ganhar mais".
O maestro enalteceu também a experiência de um antigo aluno seu que "foi para uma empresa e quando terminou o seu período de experiência foi promovido", considerando que, "por ter aprendido música, sabe cumprir melhor os tempos das tarefas na fábrica".
"A música é uma forma de chegar a todo o tipo de alunos", frisou Amélia Loureiro, diretora do Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, do qual faz parte a Escola Silva Gaio.
Amélia Loureiro disse à agência Lusa que o objetivo é de que os professores "se entusiasmem com este projeto e que depois o possam promover" no agrupamento, que é "a referência para alunos surdos e cegos" na região Centro.
A diretora do agrupamento considerou que a música poderá ser "fundamental" para "ajudar as crianças a nível da postura, da socialização ou da capacidade de concentração".
"É engraçado como os alunos estão atentos ao seu professor e fazem música como qualquer um de nós", disse Amélia Loureiro sobre a Banda Música do Silêncio, evidenciando "o entusiasmo e a capacidade de mobilizar todos".

Abordar a diferença com histórias


imagens dos livros "Olá eu sou o João" e "Olá eu sou a Vera"
Trissomia 21, autismo e paralisia cerebral são os primeiros livros
a serem lançados no âmbito do projecto da 
Pais em Rede

Explicar às crianças o que é um amigo com trissomia 21, autismo ou paralisia cerebral é o objectivo dos três livros que são esta quinta-feira apresentados em Lisboa. As histórias são escritas por Alice Vieira, Luísa Beltrão e Luísa Ducla Soares.

“Cada um tem a sua síndrome. A Vera tem Trissomia 21 e é uma menina muito bonita. O segundo é uma criança com autismo, o João, e o terceiro uma criança, o Tiago, com paralisia cerebral”, explica à Renascença a escritora Luísa Beltrão.

As histórias “levam a criança a ter um ponto de partida para perceber a importância que tem a outra criança, diferente, ser tratada como igual. Também precisam de afecto e carinho”, acrescenta.

A colecção “Meninos Especiais” nasceu da boa vontade de todos, “pessoas de várias áreas – autores, ilustradores, editores, paginadores, gráficos – que se juntaram e deram o que tinham de seu para realizar um projecto tão bonito como este”.

Cada livro custa três euros, que revertem para a Pais em Rede. O lançamento acontece na Livraria Ler Devagar, em Lisboa, com a presença dos pequenos heróis que inspiraram as escritoras.



Uma história cheia de cor -  de Miguel Borges Silva é outro livro muito interessante para falar sobre a diferença. Recomendo!!


"Porque uma manhã, num tremor do pintor Vicente, provocado pela voz estridente do seu amigo Leandro que o chamou para lanchar, nasceu uma mancha de tinta diferente. Não era amarela, nem magenta, nem azul, nem verde, nem violeta, nem vermelha – alaranjada! Era diferente! Muito diferente!"


Mais informação

A deficiência e a austeridade

Artigo de opinião de Carvalho da Silva no JN
http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=3432406&opiniao=Carvalho+da+Silva

terça-feira, 10 de setembro de 2013

2ª edição do Lumina

Nos dias 13, 14 e 15 de setembro, Cascais recebe a 2ª edição do Lumina – Festival da Luz. Este evento internacional vai transformar o espaço urbano com espetáculos de luz e cor, projeções multimédia gigantes, esculturas luminosas e instalações que interagem com os visitantes.
 A ACAPO também vai estar presente no Lumina com uma escultura que será “construída” pelos próprios visitantes. Cada participante poderá iluminar a escultura da ACAPO, ao comprar e nela depositar uma vela. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cerca de 20% das crianças em idade escolar têm problemas de visão

O alerta é da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia numa altura em que as aulas estão a regressar.

Os problemas de visão podem interferir no rendimento escolar das crianças. Segundo o coordenador do grupo de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, cerca de 20% das crianças em idade escolar têm problemas de visão que podem dificultar-lhes o aproveitamento escolar.
No início de mais um ano lectivo, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia alerta para os sinais que devem ser tidos em conta pelos educadores.
Segundo Paulo Vale, os sinais mais habituais de problemas na visão são: a dificuldade na leitura, a lentidão ou rejeição das tarefas que exigem esforço visual, o fechar ou tapar um dos olhos e os erros a copiar do quadro.
Dores de cabeça, náuseas, olhos vermelhos e inchados ou lacrimejantes são sintomas que não devem ser ignorados pelos pais, acrescenta a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia
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