domingo, 6 de setembro de 2015

Em Coimbra, cirurgia inédita no mundo pôs um doente a ver


Às mãos de António Travassos chegam doentes de todo o mundo, à procura de um tratamento para os seus casos considerados sem solução. Cego dos dois olhos, Martinho Santos Martins foi um deles. Hoje sorri de felicidade.

Cinco horas e 18 minutos foi o tempo que três médicos do Centro Cirúrgico de Coimbra levaram a fazer uma cirurgia inédita, a primeira em todo o mundo, que ao doente valeu a luz do dia. A troca de uma parte do olho foi feita como uma simples mudança peças de uma engrenagem que já não funciona… mas de um olho para o outro. Dois dias após a intervenção, o doente a quem tinha sido diagnosticada uma cegueira irreversível já conseguia contar os cinco dedos de uma mão à distância de um metro.
“Se a cegueira é curável, só há uma solução: é fazer tudo aquilo que podemos para curar o doente. Essa é a nossa missão”, diz António Travassos, cirurgião oftalmologista fundador do Centro Cirúrgico de Coimbra, que não pousou o bisturi quando, em Dezembro de 2014, Martinho Santos Martins ali entrou com uma cegueira bilateral. “Estava completamente deprimido quando chegou, e hoje só consegue sorrir. Mesmo com os olhos ainda tapados, o senhor só sorria.”
O doente de Bragança, com 69 anos, foi submetido, no final de Julho deste ano, a uma translocação (ou deslocação) do segmento anterior do olho, uma cirurgia nunca realizada com sucesso até hoje. António Travassos, o cirurgião principal, conseguiu o “enxerto perfeito”. Ou seja, recortou um círculo perfeito para poder transplantar toda a córnea (a parte da frente do olho que cobre a íris e a pupila) e ainda uma coroa circular de esclera (a região branca do olho) do olho esquerdo para o olho direito.
O resultado surpreendeu até o médico, que nunca deu certezas de cura ao doente. Depois da cirurgia, Martinho Santos Martins, que ao entrar no bloco operatório não controlava as lágrimas, percorria então os corredores do Centro Cirúrgico de Coimbra de forma autónoma, e com a visão recuperada no olho direito de 1/10 (do ponto de vista legal, a cegueira existe quando o melhor olho tem uma acuidade inferior a esse valor).
Apesar de todas as dificuldades ao longo do tempo, a esperança nunca abandonou o doente que desde cedo conviveu com a cegueira. O olho direito, se não o atraiçoam as memórias da infância, nunca tinha tido visão. A zona da córnea encontrava-se esbranquiçada (leucocórnea), o que impedia Martinho Santos Martins de ver desse olho. Mais tarde na vida, uma trombose no olho esquerdo roubou-lhe a única janela para o mundo.
Foi operado em França, onde esteve emigrado, e tentou ainda tratamentos em Espanha, mas nada trouxe a visão a Martinho Santos Martins. A cegueira era irreversível para os médicos que o observavam – com a excepção de António Travassos, a quem recorreu, já quase sem esperança, no final de 2014.
“Com o exame de visometria, concluímos que o olho direito do doente, embora estando cego, tinha uma acuidade de visão de 2/10, porque as estruturas da parte posterior estavam funcionais”, diz António Travassos. Este foi o motivo que levou o médico a avançar confiante para a cirurgia, mas sempre com a ameaça de ter de extrair o olho.
Houve uma primeira cirurgia em Coimbra, que consistiu em trocar a córnea do olho esquerdo – o olho que estava também cego pela trombose mas que tinha a córnea saudável – para o olho direito, com a córnea esbranquiçada desde a infância. E para o olho esquerdo transplantou-se a córnea de um dador. “Conseguimos resultados, do ponto de vista anatómico, para o olho esquerdo, e do ponto de vista funcional para o olho direito [que conseguiu agora recuperar a visão]”, diz António Travassos. “Nada fazia prever o que aconteceu depois”, diz ainda o médico.
Após esta primeira cirurgia, o inesperado por todos surgiu: o doente teve uma rejeição da sua própria córnea no olho direito. “Ninguém esperava que o melting da córnea acontecesse após a cirurgia. O doente tinha recuperado a visão e voltou a perdê-la.” O melting da córnea é uma reacção auto-imune rara, que consiste na inflamação da córnea, como se derretesse até à sua perfuração.
“Em vez de retirarmos o olho, resolvemos esperar que tudo estabilizasse, para encontrar uma solução.” E foi isto que a equipa de médicos fez. Após algum tempo, surgiu então a hipótese de uma nova cirurgia devolver a visão a Martinho Santos Martins.
A técnica nunca tinha sido realizada em parte nenhuma do mundo, mas António Travassos, famoso por resolver situações aparentemente sem solução, avançou para a sala de operações. “Nunca pude dar esperanças ao doente. Mesmo antes de entrar em cirurgia tive de lhe dizer que havia a hipótese de ter de se eviscerar o olho. Entrou no bloco sem controlar as lágrimas.”
A segunda cirurgia, na qual participaram ainda os oftalmologistas José Galveia e Sofia Travassos, filha de António Travassos, teve os seguintes passos: transportou-se toda a córnea (que o doente já tinha recebido de um dador) e a coroa circular de esclera do olho esquerdo para o olho direito, aquele que tinha tido a reacção auto-imune. Por isso se designa translocação. Quanto à córnea que foi rejeitada, voltou para o olho esquerdo, aquele que se mantém cego.

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Pessoas com deficiência terão gratuidade em voos da Gol

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Descoberto gene que coordena desenvolvimento correcto do olho

fonte: LUSA / Notícias ao minuto

2 Set. 2015


Cientistas descobriram, numa experiência com ratos, que o Meis1 é um dos genes implicados no desenvolvimento correto do olho, durante a fase embrionária, pelo que qualquer disfunção no gene pode gerar microftalmia (globo ocular mais pequeno).

Os resultados da investigação, publicados na revista Development, revelam que o gene Meis1 coordena a expressão de um grande número de genes, por sua vez responsáveis pela formação, pelo desenvolvimento e pela diferenciação da retina neural nos estádios iniciais de formação do olho, assim como de outras partes do organismo.
"Vimos que a falta do gene Meis1 reduzia muito a formação do esboço do olho. Uma só cópia alterada era suficiente para o conseguir", afirmou, citada hoje pela agência noticiosa Efe, uma das coordenadoras da investigação, Paola Bovolenta, do Centro de Biologia Molecular "Severo Ochoa", em Madrid, Espanha.

Posteriormente, através de análises genómicas, a equipa identificou "os genes alterados na ausência de Meis1" e viu que o gene "coordena um número muito grande de genes implicados no desenvolvimento do olho, que tem um papel fundamental na formação deste órgão e que as suas mutações podem gerar microftalmia", adiantou Paola Bovolenta.

A microftlamia é uma malformação congénita, pouco frequente, que faz com que o olho não se desenvolva bem e que a criança nasça com um ou os dois globos oculares mais pequenos do que o normal e com diversos graus de incapacidade visual, que podem chegar à cegueira.

A anomalia é responsável direta por 11 por cento dos casos de cegueira infantil nos países desenvolvidos, salienta a Efe.

O defeito pode ser hereditário, aparecer de forma espontânea ou ser gerado por agentes externos (como o medicamento Talidomida, comercializado na década de 60 e que provocou uma série de casos de malformações nos fetos). Na maior parte das situações, a microftlamia tem origem em mutações genéticas.

Segundo a investigadora Paola Bovolenta, a microftalmia "também pode vir acompanhada por defeitos na face, no ouvido ou no sistema muscular", uma vez que é provocada "por mutações em genes que são importantes para o desenvolvimento de tecidos distintos".

No estudo participaram igualmente cientistas do Centro Helmholtz de Munique, na Alemanha, e da Universidade da Austrália Ocidental.

Investigadora de Coimbra estuda novas formas de combate à retinopatia diabética

por Dn.pt com Lusa

Investigadora de Coimbra estuda novas formas de combate à retinopatia diabética

Raquel Santiago foi contemplada com uma bolsa da Bayer HealthCare para estudar novas estratégias de combate à retinopatia diabética, uma das principais causas de cegueira a nível mundial.
Segundo a UC, Raquel Santiago vai receber uma bolsa do "Global Ophthalmology Awards Program" (GOAP), no valor de 50 mil dólares (44 mil euros), para desenvolver o estudo "Gerir a inflamação na retinopatia diabética por bloqueio do recetor A2A de adenosina".

"Estudos anteriores desenvolvidos pela equipa da investigadora demonstraram que o bloqueio deste recetor previne a ativação das células da microglia (células do sistema imunitário) e a morte de células da retina", refere a instituição, em comunicado.

Raquel Santiago, citada na nota, explica que "em situações normais, as células da microglia estão constantemente a vigiar o microambiente que as rodeia, tendo um papel muito importante na homeostasia do sistema nervoso central, mas na diabetes as suas funções estão modificadas, promovendo a resposta inflamatória que pode contribuir para a morte celular na retina".

Segundo a investigadora, o seu estudo pretende verificar se ao bloquear o recetor A2A de adenosina é possível travar a morte das células da retina e, desta forma, a progressão da doença.

A equipa de Raquel Santiago prepara-se para iniciar um conjunto de experiências em modelos animais de diabetes, que serão tratados com um bloqueador de recetores A2A de adenosina, para estudar como reage a retina e se as células da microglia ficam menos reativas.

De acordo com o comunicado da UC, estima-se que, após 20 anos com diabetes, cerca de 90 por cento dos doentes com diabetes tipo 1 e mais de 60 por cento dos doentes com diabetes tipo 2 sofrem de retinopatia diabética.

"Se for possível encontrar uma terapêutica que permita o tratamento numa fase mais inicial, o impacto na qualidade de vida do doente com retinopatia diabética será muito elevado", salienta Raquel Santiago, considerando que "os atuais tratamentos são dirigidos às fases avançadas da patologia, extremamente invasivos e pouco eficazes".

A investigadora do Instituto de Imagem Biomédica e Ciências da Vida (IBILI) da Faculdade de Medicina da UC recebe o prémio no dia 19, em Nice (França), durante o EURETINA - Congresso Europeu das doenças da retina.
 

Plataforma “Enforcing Kids” Projeto português congrega várias aplicações sobre autismo


A Enforcing Kids é uma plataforma global de informação que pretende congregar variadas aplicações dedicadas ao autismo e tem como função partilhar dúvidas, esclarecimentos, opiniões e experiências sobre o autismo.
Esta plataforma surgiu em Portugal, em Março de 2014, no âmbito de um trabalho académico na Universidade de Lisboa, destina-se ao público adulto que lida com a problemática do autismo e a sua aplicação móvel está concebida para ser utilizada por crianças acompanhadas por adultos responsáveis pela terapia.
A aplicação Enforcing Kids está disponível gratuitamente e pode ser usada nos quatro idiomas deste projeto de trabalho: português, castelhano, francês e inglês.
A aplicação móvel junta-se ao universo Enforcing Kids presente nas redes Facebook, Youtube, Twitter e Blogger.
Este projeto conta com o apoio do Departamento de Investigação LaSIGE da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e tem adesão em mais de 50 países.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Invisuais podem ir ao mar em segurança numa praia do Funchal

fonte: Açoriano Oriental /Lusa / Nacional


Ilha da Madeira


A Câmara Municipal do Funchal colocou este domingo em funcionamento os equipamentos que permitem a acessibilidade em segurança ao mar para pessoas invisuais e com dificuldades de locomoção, na praia Formosa, na zona oeste do concelho.
O presidente da autarquia, Paulo Cafôfo, realçou a importância do projeto na construção de uma "sociedade inclusiva", mas também tendo em conta alguns "fatores de mercado", como o facto de grande parte dos turistas que visitam a Madeira serem idosos, com dificuldades de locomoção próprias da idade, que passam agora a dispor de melhores condições de acesso ao mar.
Este foi um dos seis projetos selecionados pelo orçamento participativo, em que a Câmara Municipal recolheu dezenas de propostas apresentadas por cidadãos. No total, vão ser investidos 300 mil euros, sendo que projeto de acessibilidade ao mar para pessoas com necessidades motoras especiais absorve a maior fatia.
O projeto inicial, da autoria de Hernâni Silva, destinava-se apenas a pessoas com dificuldades motoras, mas a autarquia alargou o seu âmbito, instalando equipamentos que permitem o acesso ao mar também para invisuais e que são únicos ao nível nacional.
O sistema consiste, basicamente, num aparelho de pulso e três boias sinalizadoras que prestam informações ao banhista, orientando-o sobre o caminho a seguir para entrar e sair da água. Por outro lado, existem duas cadeiras flutuáveis, uma cadeira de aproximação ao mar e muletas adaptadas para as pessoas com dificuldades de locomoção.
Hernâni Silva, que usa cadeira de rodas para se deslocar, explicou que a ideia do projeto nasceu no âmbito de um grupo que há muitos anos reivindica melhores acessibilidades.
No caso do acesso ao mar, ele próprio, que se descreve como "amante da praia", era forçado a deslocar-se às piscinas naturais do Porto Moniz, no norte da ilha, para poder ir a banhos em segurança.
"Alguma coisa estava mal. Com mar a toda a volta, não se justificava que não houvesse uma praia com as devidas acessibilidades na zona do Funchal, uma infraestrutura melhorada", salientou.