terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Visões" em exposição no Centro Cirúrgico de Coimbra

Visões. São revelações. Imagens impossíveis de detectar a olho nu. É o momento em que a perícia humana se alia à melhor tecnologia.

A exposição VISÕES é o resultado de um dia-a-dia vivido no Centro Cirúrgico de Coimbra. São exemplos do melhor registo, da melhor qualidade, do melhor equipamento, dos melhores profissionais e do melhor diagnóstico.

À primeira impressão pensamos tratar-se de constelações, explosões solares, bordados e rendas, além de inúmeras e intermináveis ramificações, ou seja, admiráveis imagens captadas algures no universo.

Mas não é nada disso. Os olhos enganam-nos. As imagens compiladas para a exposição Visões ilustram casos clínicos de doentes observados pelos oftalmologistas do Centro Cirúrgico de Coimbra. A mostra inclui diversas patologias, como doenças raras e genéticas, quistos, retinopatias, descolamento de retina, asteróides, neovascularização ou uma subluxação do cristalino, entre outras. Situações e patologias que foram operadas no Centro Cirúrgico de Coimbra com sucesso.

Maria Pedro Silva e Robert van Velze captaram o impossível de detectar a olho nu, num momento em que a perícia humana se alia à melhor tecnologia. Visões ilustram um dia-a-dia vivido no Centro Cirúrgico de Coimbra e provam a procura pela melhor imagem, melhor registo, melhor qualidade, melhor equipamento, melhores profissionais e melhor diagnóstico. Vemos diferente, fazemos diferente.

Catálogo: AQUI.

A exposição está patente no edifício sede do Centro Cirúrgico de Coimbra.


Centro Cirúrgico de Coimbra
Rua Dr. Manuel Campos Pinheiro, 51
Espadaneira - S. Martinho do Bispo
3045-089 Coimbra, Portugal
Telefone: +351 239 802 700
E-mail: centrocirurgico@ccci.pt
Web: http://www.ccci.pt/

Instituto do Emprego e Formação Profissional

O Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P. (IEFP, I.P.), enquanto Organismo Intermédio, informa que decorre, entre os dias 8 de Novembro e 12 de Dezembro de 2011, o período para apresentação de candidaturas, no âmbito das Tipologias de Intervenção 6.2 – Qualificação das Pessoas com Deficiências e Incapacidades e 6.4 – Qualidade dos Serviços e Organizações, especificamente, ações de formação e sensibilização dirigidas a técnicos e outros profissionais de reabilitação profissional, nos termos e condições definidos no respetivo aviso de abertura de candidaturas.
Consulte a documentação de suporte às candidaturas
- Aviso de Abertura de Candidaturas – TI 6.2 e 6.4
- Orientações Técnicas para a TI 6.2
- Orientações Técnicas para a TI 6.4

1as Olimpíadas do Braille


A ACAPO vai promover no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, a 3 de Dezembro, as 1as Olimpíadas do Braille, um concurso aberto à participação de todos os conhecedores deste sistema de leitura e escrita.


O concurso será constituído por um conjunto de três provas, estando os concorrentes distribuídos por quatro escalões etários:


1º Escalão – concorrentes com deficiência visual e com idades compreendidas entre os oito e os doze anos;


2º Escalão – concorrentes com deficiência visual e com idades compreendidas entre os treze e os vinte anos;


3º Escalão – concorrentes com deficiência visual e com idade superior a vinte anos;


4º Escalão – concorrentes sem deficiência visual.


O prazo de inscrições decorre entre os dias 2 e 18 de Novembro, através do preenchimento de formulário disponível, nas Delegações da ACAPO e no site da ACAPO.


As provas serão realizadas no período entre as 14h30 e as 18 horas, no Auditório da Estação de Metro do Alto dos Moinhos, em Lisboa. O prémio para o vencedor de cada escalão é uma viagem à Disneyland de Paris com visita à terra Natal de Louis Braille, Coupvray.


Consulte o Regulamento das 1as Olimpíadas do Braille (doc.439 KB)


. Preencha a ficha de inscrição aqui

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Estudante cria aplicação para escrita em braille em tablets



“Há uma app para isso” é cada vez mais uma forma apropriada de descrever a inovação crescente dos tempos em que vivemos. Um estudante norte-americano desenvolveu uma aplicação que permite a invisuais escreverem em braille num tablet.
Adam Duran, estudante universitário, desenvolveu esta app com a ajuda de dois mentores, Adrian Lew e Sohan Dharmaraja, durante um curso de verão na Universidade de Stanford, localizada em Palo Alto, na Califórnia.
Esta invenção poderá vir a facilitar em muito a vida dos invisuais, que até agora, se quisessem uma ferramenta de escrita, não tinham alternativa aos dispositivos com preços de vários milhares de dólares, os quais se assemelham às antigas máquinas tipográficas.
O desenvolvimento desta aplicação tomou lugar no Army High-Performance Computing Research Center (AHPCRC) da Universidade de Stanford, mas a ideia que esteve na sua origem não foi a de uma aplicação para escrever em braille mas, sim, para o ler.
“A tecnologia, apesar de definitivamente útil, seria limitada na sua aplicação ao dia a dia” disse Adam Duran à publicação “Stanford Report”. “A killer app não era um leitor, mas sim uma ferramenta de escrita” adicionou Sohan Dharmaraja.
Este software aproveita-se dos amplos ecrãs táteis da maioria dos tablets, os quais já estão devidamente preparados para reconhecer o toque e agir consoante o mesmo, algo que torna a ferramenta útil para os invisuais pois o toque é um dos sentidos pelos quais se orientam no desempenho das tarefas diárias.
Graças à “inteligência” dos ecrãs táteis, o teclado e as teclas podem reajustar-se automaticamente à posição dos dedos do utilizador de cada vez que este os pousa no aparelho. O tamanho dos dedos e o estilodatilográfico dos utilizadores também não é um problema para o software.
Uma vez associada às tecnologias de reconhecimento de voz cada vez mais populares, esta invenção poderá providenciar uma panóplia de usos para os invisuais, como aliás demonstra Sohan Dharmaraja num vídeo do YouTube.

Atividade ao ar livre ajuda a combater a miopia

As atividades ao ar livre, desde um simples passeio ou piquenique até à prática de desporto, inibem a progressão da miopia, enquanto as atividades de visão ao perto potenciam o seu aumento, confirmam estudos da Universidade do Minho, coordenados pelo professor Jorge Jorge.
“A nossa pesquisa vem mostrar que o elevado número de horas a utilizar a visão ao perto, nomeadamente estar no computador ou na leitura, pode levar ao aumento da miopia. Em sentido contrário, a prática de atividade física funciona como um inibidor da sua progressão”, explica Jorge Jorge, do Departamento de Física (área de Optometria e Ciências da Visão) da Escola de Ciências da UMinho. Caso para dizer que, afinal, não são só as cenouras que fazem bem aos olhos.
A sua equipa desenvolve uma série de trabalhos que confirmam as alterações provocadas por aqueles fatores no desenvolvimento da miopia. Está ainda a realizar estudos sobre a redução da taxa de progressão da miopia utilizando lentes de contacto de geometria progressiva e lentes deortoqueratologia. Os projetos decorrem no CEORLab - Laboratório de Investigação em Optometria Clínica e Experimental do Centro de Física da UMinho.
A miopia é um problema visual que afeta um quarto da população mundial. Em Portugal, a prevalência média ronda os 20%, mas nos mais jovens ultrapassa já 30%. Considerando que em valores de miopia superiores a 6 Dioptrias existe um risco acrescido de ocorrerem determinadas patologias oculares é por isso necessário enveredar todos os esforços para conhecer as razões do aparecimento e progressão da miopia assim como as técnicas para redução da sua taxa de progressão.
Jorge Jorge licenciou-se em Física Aplicada – especialização em Optometria em 1995 e doutorou-se em Ciências em 2006, na UMinho. Nesta universidade é professor auxiliar e diretor do mestrado em Optometria Avançada. Integra o conselho editorial do “Journal of Optometry” e tem publicados mais de 30 artigos científicos e três capítulos de livro.

ACAPO relança Revista Louis Braille


Decorridos 10 anos da edição do último exemplar, a ACAPO relançou no dia do seu 22º aniversário, uma das mais marcantes publicações da história da Instituição. Trata-se de Louis Braille, uma revista especializada na área da deficiência visual, que regressa agora em versão digital e com uma periodicidade trimestral.
“Embora ancorada em princípios ligeiramente diferentes”, a nova publicação pretende assumir “a relevância de outros tempos, colmatando uma lacuna, no que concerne à produção e difusão de conhecimento relacionado com a deficiência visual”, tal como se lê no editorial do número 0 da revista, da autoria do Presidente da Direcção Nacional da ACAPO, Carlos Lopes.
Na edição número 0 da revista poderá ler uma entrevista à Presidente da União Mundial de Cegos; um artigo sobre acessibilidades; uma reportagem sobre o caso de sucesso do Grupo Jerónimo Martins na integração profissional de pessoas com deficiência visual; um artigo do médico oftalmologista Florindo Esperancinha, que faz uma retrospetiva dos avanços da oftalmologia nos últimos 20 anos; e uma reflexão de Graça Pegado, Professora Especializada na Área da Deficiência Visual, sobre a integração educativa dos alunos com deficiência visual.
Ler a revista em PDF AQUI.

Graça Pegado A integração educativa do aluno com deficiência visual

Professora Especializada na área da deficiência visual

Independentemente da sua natureza, a existência de um défice visual significativo condiciona o processo de aprendizagem dos alunos que o manifestam. A inclusão sócio-educativa dos mesmos exige um trabalho concertado por parte da família, dos professores ou educadores e outros agentes educativos que possam, de uma forma ou de outra, encontrar-se envolvidos no contexto escolar dos alunos, no sentido de verem minimizadas as consequências decorrentes dos problemas de visão que lhes possam vir a limitar as oportunidades de um desempenho académico desejável.

Com o objetivo de regulamentar a organização da Educação Especial nas escolas portuguesas, teve lugar a publicação do Decreto-Lei nº 3/2008 de 7 de janeiro. O diploma em vigor dedica um artigo à Educação de alunos cegos e com baixa visão, onde é consagrado um conjunto de medidas aplicáveis aos alunos portadores de deficiência visual, de cuja articulação depende a qualidade da resposta educativa que as escolas de referência para estes alunos estariam, à partida, habilitadas a oferecer, sendo múltiplos os fatores que para esse fim concorrem. Os recursos humanos e materiais que são colocados à disposição, a constituição das turmas, a adaptação do currículo e as atitudes, as práticas e as competências do pessoal docente constituem aspetos que condicionam a eficácia das medidas enunciadas, na promoção do sucesso escolar e inclusão social.

Fazendo uma retrospetiva relativamente ao acompanhamento de alunos com deficiência visual na última década, é-nos dado a perceber que a modernização das tecnologias em muito beneficiou o esforço que o Ministério da Educação tem vindo a desenvolver, no sentido de proporcionar aos alunos que a escola em si acolhe, as respostas mais adequadas às suas especificidades.

Por outro lado, através de uma desconstrução criteriosa da realidade que os nossos alunos vivem nas escolas da Grande Lisboa, concluímos que esse investimento não é, de todo, suficiente para assegurar que princípios como a promoção da igualdade de oportunidades pelos quais se rege a Escola Inclusiva estejam a ser respeitados.

Com efeito, é do conhecimento comum que um número significativo de medidas enunciadas na lei não encontra, frequentemente, a correspondência desejada na escola pública. É este o caso da sobejamente conhecida falta de equipamentos informáticos e materiais didáticos adequados, bem como a total ausência de preocupação com a acessibilidade dos alunos dentro da escola e nas suas imediações. De facto, a conceção arquitectónica da maioria dos espaços escolares que integram a rede de escolas de referência em nada difere dos demais estabelecimentos de ensino, não se verificando sequer a utilização de recursos alternativos, tais como pisos tácteis, placas sinalizadoras em braille, etc.

Ainda no vasto campo das acessibilidades, um outro aspeto que importa aqui sublinhar, é a escandalosa falta de acesso que os alunos cegos têm aos manuais escolares quando os mesmos são disponibilizados em formato digital, à luz de um protocolo que o M.E. celebrou com um número considerável de editoras. O formato que os alunos recebem via e-mail não é compatível com os leitores de ecrã que utilizam. E, mesmo após várias chamadas de atenção junto das entidades competentes, nenhuma posição foi ainda tomada no sentido de resolver uma situação inaceitável que compromete seriamente a garantia da igualdade tão apregoada pelo referido diploma.

Por outro lado, a abordagem das questões que se relacionam com os recursos humanos e sua preparação para o desempenho das funções que lhes estão designadas obriga, irremediavelmente, à análise refletida da sua formação. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que a oferta formativa na área da deficiência visual é extremamente escassa na zona da Grande Lisboa.

Acresce ainda o facto de os programas curriculares dos cursos de especialização se encontrarem, regra geral, desajustados relativamente às necessidades da prática educativa.

Áreas de importância central como a orientação e mobilidade, a avaliação visual e funcional, a aplicação de programas de estimulação visual, a utilização de meios informáticos específicos, o treino de atividades de vida diária e a promoção de competências sociais estão, habitualmente, ausentes do currículo.

Mesmo um professor especializado no domínio da visão, sem ter ainda acumulado alguns anos de experiência, chega à escola com uma preparação deficitária, uma vez que os conhecimentos adquiridos não satisfazem, em larga medida, as necessidades das suas funções.

Tendo em conta o atual cenário acerca do qual nos foi possível enunciar apenas um número reduzido de situações exemplificativas, parece-nos fundamental deixar claro que a melhoria da qualidade dos serviços prestados pelo sistema educativo depende, em primeira instância, de um processo de consciencialização coletiva, em que o respeito inadiável pelo aluno com deficiência visual se impõe de forma perentória. Trata-se de uma realidade que implica, essencialmente, uma outra conceção de organização escolar, ultrapassando a via da uniformidade e reconhecendo o direito à diferença.