terça-feira, 15 de outubro de 2019

Dia Mundial da Bengala Branca

Descrição da imagem: homem deficiente visual a utilizar bengala.

Hoje, dia 15 de Outubro, é o Dia Internacional da Bengala Branca, e foi estabelecido pela Federação Internacional de Cegos, em 1970.
A efeméride tem o objectivo de reconhecer a independência das pessoas com deficiência visual e sua plena participação na sociedade. Simbolicamente a Bengala Branca representa a independência, a liberdade e a confiança.

Já na Antiguidade as pessoas cegas usavam a bengala como auxiliar de orientação e como apoio. Por isso ela em breve se tornou uma espécie de braço prolongado do não-vidente. Quando o trânsito automóvel começou a constituir um perigo para este, a bengala teve de se transformar num sinal: «Cuidado! Vem aí alguém que não te vê!»


E para que o cego pudesse ser notado a tempo, era preciso começar por tornar a bengala mais visível: passou a ser branca. Quem teve essa ideia de longo alcance foi a condessa Guilly Herbemont, que em 1931 perante entidades públicas em Paris presenteou pessoas cegas com 100 bengalas brancas. A bengala branca transformou-se no distintivo dos cegos, não tardando a assumir a função de sinal de trânsito protector para maior segurança destes enquanto peões.



Muitos atribuem à bengala um instrumento de identificação que aquele individuo é “cego”. Esta concepção na maioria das vezes surge da própria pessoa cega e que por preconceito consigo mesmo, muitos se recusam ao uso da bengala.
Mas a bengala é símbolo de vitória e independência para aqueles que a usam, pois com ela podemos perceber as mais diferentes sensações táteis. É com ela que o cego conquistou não só a sua independência e autonomia, mas conquistou também o respeito de ser um cidadão atuante, pronto a ingressar na faculdade e no mercado de trabalho, assim também como a admiração de todos.

Se desde cedo a criança cega ou com visão reduzida for consciencializada e estimulada pela família a usar a bengala, poderá lidar muito mais com as dificuldades próprias e peculiares da infância, do que com uma sobrecarga de problemas e tabus adicionada pelos receios, incertezas e preconceitos do adulto. O mesmo certamente acontece com o adolescente e com o adulto, pois as dificuldades e características destas fases serão enfrentadas e resolvidas sem o stress da preponderância da sua condição de deficiente visual.



Sugestão de atividade: Leitura do  livro infantil “Topas e o Coelhinho Branco”


"Topas era uma corajosa toupeira que vivia furando caminhos por debaixo da terra. Procurava lutar para sobreviver, sem nunca desistir. Como qualquer toupeira era cega mas imaginava a beleza das coisas que a rodeavam."

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Vida Independente: Uma Nova Visão

Tecelã cega - Eudora Welty, 1930s
Tecelã cega -  fotografia de Eudora Welty, 1930s

No âmbito do definido na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, os Estados-parte obrigam-se a garantir a todas as pessoas com deficiência o pleno reconhecimento e o exercício dos seus direitos num quadro de igualdade de oportunidades (Art.º 1.º), bem como o direito a viver de forma independente e à total inclusão e participação na comunidade (Art.º 19º).
As práticas sociais em relação às pessoas com deficiência têm evoluído no sentido de promover, gradualmente, uma maior participação destas pessoas na sociedade. Assim, até ao início do século XX, verificava-se o predomínio de um paradigma promotor de exclusão, passando-se, entre as décadas de 20 e 40, para uma atitude de segregação das pessoas com deficiência. Com o abandonar do modelo médico que até então tinha orientado a intervenção no campo da reabilitação, surge uma nova era que privilegia a relação entre a sociedade e as pessoas com deficiência. Assim, num primeiro tempo, entre as décadas de 50 e 80, surge um período que promove a integração, passando-se já nos anos 90 e, até à atualidade, para um tempo onde a inclusão é a preocupação de todos aqueles que trabalham nesta área.
Em Portugal, as condições de vida para as pessoas com deficiência têm assentado na delegação das responsabilidades nas famílias ou na institucionalização, sendo os apoios existentes baseados, fundamentalmente, em prestações pecuniárias mensais, (de acordo com as condições de atribuição estabelecidas por lei) e, em respostas de Ação Social (equipamentos e serviços), destinados a proteger as pessoas que se encontram em situação de carência económica ou de exclusão social. Neste contexto, a implementação de um modelo de apoio à vida independente surge como uma resposta inovadora, que rompe com a dimensão assistencialista que tem caracterizado boa parte das respostas existentes até à data.
Como surgiu a ideia de promover a vida independente? Nos anos 70, um pouco por todo o mundo, criaram-se ou reformularam-se estruturas organizativas, que estabeleceram como propósito central tornar evidentes as várias formas de opressão a que as pessoas com deficiência se sentiam sujeitas.
É neste contexto que, nos Estados Unidos da América, surge um projeto de promoção da vida independente, nascido na cultura universitária, com a criação do primeiro centro para a vida independente a partir de uma residência destinada a estudantes universitários. A ideia deste centro partiu da necessidade de um espaço de suporte, gerido pelas próprias pessoas com deficiência, que lhes conferisse o apoio necessário para a sua integração na sociedade, libertando as suas vidas do controlo dos profissionais e desmedicalizando-as. Estes centros viriam a disseminar-se por todo o país, articulando-se com um amplo movimento social de pessoas com deficiência - donde se destacou a American Coalition of Citizens with Disabilities -, reivindicando o fim das relações de dependência e a chamada de atenção para os obstáculos presentes no meio envolvente.
Criou-se, então, aquilo que ficou designado como o Independent Living Movement (Movimento de Vida Independente), um movimento que se centrou na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, e cuja emergência viria a ter repercussões noutros contextos.
Este movimento carateriza-se por ser um movimento social de pessoas com deficiência, cujos princípios de integração social foram formulados pelas próprias pessoas com deficiências severas, que não aceitavam ficar à margem da sociedade e à mercê das instituições, dos especialistas e dos familiares, que decidiam tudo por eles. Através deste movimento, dá-se ênfase ao termo “independente”, que significava não-dependente da autoridade institucional e familiar.
O Movimento de Vida Independente veio provar que a pessoa com deficiência tem capacidade plena para administrar os seus interesses e obrigações com independência, fazer as suas escolhas e tomar decisões sobre o que é melhor para si, e exigir o direito de o fazer. Passa a ser responsabilidade da própria pessoa com deficiência o controlo sobre a vida quotidiana, incluindo a oportunidade de fazer escolhas e tomar decisões sobre onde morar, com quem viver e como viver. Permite a escolha da contratação de um/a assistente pessoal, em detrimento da institucionalização.
O Assistente Pessoal tem como missão apoiar a pessoa com deficiência ou incapacidade a viver de forma independente, através da realização, sob a sua orientação, de atividades em diferentes contextos, que, em razão das limitações decorrentes da interação com as condições do meio, a pessoa não pode realizar por si própria.
As atividades e tarefas de um assistente pessoal poderão desenvolver-se em vários domínios da vida da pessoa com deficiência, designadamente apoio e assistência, cuidados pessoais (higiene, alimentação, e outros), cuidados de manutenção de saúde, atividades domésticas, deslocações, participação de cidadania, e em atividades culturais, desportivas e de lazer, frequência de ações de formação profissional, entre outras. Neste contexto, o assistente pessoal poderá, caso se torne necessário, surgir como um mediador, nomeadamente no que concerne à comunicação e/ou em atividades sócio laborais, profissionais e ocupacionais.
 
Em que medida poderão as pessoas com deficiência visual beneficiar do apoio à vida independente e do contributo de um assistente pessoal?
O papel de um assistente pessoal, bem como o tipo de tarefas que este possa desempenhar, pode variar tendo em conta a(s) incapacidade(s) de cada pessoa e o seu nível de autonomia. Assim, pessoas menos autónomas poderão ter necessidade de um acompanhamento maioritariamente relacionado com a mobilidade e as tarefas da vida diária, enquanto pessoas com um maior grau de autonomia necessitarão antes de maior apoio, por exemplo, em atividades de lazer ou de participação social e cívica. Por outro lado, pessoas menos autónomas poderão necessitar de um apoio mais permanente, ao passo que pessoas com maior grau de autonomia poderão ter a necessidade de um acompanhamento de caráter episódico (deslocar-se a um local desconhecido, ir de férias, realizar uma compra fora do habitual, ir a um serviço de que não necessita regularmente, entre outras).
Analisamos agora os vários domínios em que um assistente pessoal poderá facilitar a vida de uma pessoa com deficiência visual.
No domínio das atividades da vida diária, as tarefas de um assistente pessoal poderão concretizar-se ao nível da higiene pessoal (nas atividades de higiene ou facilitação das mesmas, por exemplo participando na etiquetagem ou distinção dos artigos de higiene), leitura e/ou adaptação para formato acessível de documentos tais como cartas, publicidade, bulas de medicamentos, informação de alimentos não etiquetados em braille ou que não estejam escritos em caracteres ampliados, entre outras.
Dentro do lar, as atividades do assistente pessoal poderão materializar-se em apoio na compra, tratamento e escolha do vestuário (nomeadamente organizando e/ou coordenando as peças de vestuário por cores, identificando aspetos de desgaste ou sujidade que a pessoa não consegue identificar autonomamente), organização, limpeza e adaptação da casa (organização dos objetos para que sejam facilmente identificáveis pela pessoa com deficiência visual), apoio na preparação de refeições, utilização de equipamento doméstico não acessível (nomeadamente equipamento que funciona com base em informação visual), entre outras.
Ao nível do acompanhamento, o assistente pessoal poderá acompanhar a pessoa com deficiência visual na sua casa, no trabalho, no ensino e na formação profissional, na rua, em viagens ou atividades de lazer, bem como durante as férias. Neste âmbito, o assistente pessoal será, sobretudo, uma mais-valia em espaços desconhecidos, pois será ele que possibilitará à pessoa com deficiência visual poder movimentar-se, bem como utilizar equipamentos e usufruir verdadeiramente de serviços dos quais não conhece a localização ou dos quais não poderia à partida beneficiar. Será também o assistente pessoal que poderá fazer todas as descrições e leituras necessárias de forma a possibilitar à pessoa com deficiência visual o acesso à informação que seja relevante para cada atividade (podemos tomar como exemplo a leitura de legendas no cinema, a descrição de um cenário de um espetáculo de música ou teatro, de uma paisagem, e outros).
Outra área de grande relevância na intervenção de um assistente pessoal prende-se com as relações sociais. Neste âmbito, em momentos de convívio social ou profissional (como conferências, congressos ou viagens de trabalho), o assistente pessoal poderá identificar os presentes, comunicar à pessoa com deficiência visual quem está e dirigir a pessoa para aqueles com quem esta quiser estabelecer um diálogo. Embora este aspeto possa parecer de menor relevância face aos anteriores, não podemos esquecer que os relacionamentos sociais começam, muitas vezes, por uma identificação visual, o que, para quem não possui visão suficiente, pode ser fortemente limitativo. É de salientar também que os relacionamentos sociais são um importante veículo de estabelecimento de rede de contactos, muito relevante para o desenvolvimento no domínio profissional, pessoal, académico, político, e outros.
Para realizar estas tarefas adequadamente, o assistente pessoal deverá ser detentor de um conjunto de competências específicas que vão desde o domínio das técnicas de guia, conhecimentos de braille, noções básicas de orientação e mobilidade, noções de audiodescrição, bem como outras que poderão ser específicas para cada caso (por exemplo, dominar a utilização de um produto de apoio que seja especificamente utilizado por uma determinada pessoa).
Em suma, tal como podemos verificar, existe uma grande necessidade de aplicação de Modelos de Apoio à Vida Independente para as pessoas cegas ou com baixa visão. Contudo, será sempre importante não perder de vista que este apoio deve ser um complemento promotor da autonomia, e não um substituto das competências de autonomia pessoal que qualquer pessoa com deficiência deve ter.
Atualmente, a temática da vida independente assume uma grande importância nas preocupações daqueles que intervêm na promoção da inclusão das pessoas com deficiência em Portugal. Encontra-se, desde 2015, em funcionamento o CVI - Centro de Vida Independente, que resulta do projeto-piloto promovido pela Câmara Municipal de Lisboa lançado em dezembro de 2014. Este centro é uma organização sem fins lucrativos, constituída e dirigida por pessoas com diversidade funcional, que tem por objetivo base a defesa e a divulgação da filosofia de Vida Independente em Portugal. O CVI pretende desenvolver várias atividades, designadamente gerir sistemas de vida independente, divulgar e disseminar o conceito de vida independente, garantir a sustentabilidade do projeto-piloto e da prestação de assistência pessoal e ainda sensibilizar/formar e prestar consultoria na área da deficiência em geral.
Em conclusão, torna-se claro que a plena realização individual e o acesso a uma vida independente estão intimamente ligados à possibilidade de controlo sobre as escolhas da própria vida e ao acesso aos recursos em diversas áreas, tais como a cultura, a educação, a informação, o acesso ao conhecimento, que permitam opções informadas e decisões livres sobre a própria vida e sobre a forma de participação na sociedade.
Neste enquadramento, importa mobilizar esforços e criar estratégias e estruturas para acautelar o acesso a todas estas áreas, de forma a garantir que temos pessoas com deficiência incluídas, autónomas, participativas e realizadas. Afinal, nunca devemos perder de vista que todos os projetos a desenvolver para a inclusão de pessoas com deficiência devem ter como base a ideia de “nada sobre nós, sem nós”.
 

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Vida independente: Uma nova visão
por Ana Patrícia Santos, técnica superior no Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P.
Revista Louis Braille
Data/edição N.º20

Estudos mostram que ler no ecrã nem sempre é o ideal

Numa era em que os mais novos crescem rodeados de cada vez mais tecnologia, esta semana a Amazon apresentou uma nova versão do leitor eletrónico Kindle pensado especificamente para crianças. Por cerca de 110 euros, o Kindle Kids dá acesso a uma biblioteca digital com mais de mil livros infantis, um dicionário para pesquisar palavras difíceis, crachás digitais para quem lê muito, e uma espécie de jogo de cartas para testar se o vocabulário novo é memorizado.

A capa exterior — disponível em várias cores — protege o ecrã de riscos e quedas e abre e fecha como um livro tradicional. Há também um painel de controlo onde os adultos podem consultar aquilo que os mais novos estão a ler e quantos minutos por dia dedicam à leitura. Os títulos variam entre aventuras da Patrulha Pata (para crianças entre os dois e os três anos) e livros da série Harry Potter para os mais graúdos.

A novidade chega com vários estudos que mostram que os livros eletrónicos podem estimular o interesse pela leitura junto dos mais novos devido às suas funcionalidades interactivas. Muitas crianças também preferem livros digitais por não terem de mostrar ao mundo o que estão a ler. O Kindle Kids “foi criado com três ideias em mente: os miúdos querem um dispositivo só para eles; os pais não querem ter preocupações sobre o conteúdo que os miúdos vêem, e querem ferramentas para controlar o uso do dispositivo”, justificou Kurt Beidler, responsável da secção de crianças e família da Amazon, em comunicado.

Só que também há estudos recentes que mostram que ler em papel estimula mais atenção ou que utilizar livros eletrónicos para motivar os mais novos a ler pode não ser ideal. “Quando os pais e as crianças leem livros impressos em conjunto, falam mais frequentemente sobre as histórias e as interações são mais ricas”, explicou Tiffany Munzer, uma pediatra no Hospital de Pediatria da Universidade de Michigan, nos EUA, nas conclusões de um pequeno estudo sobre a relação entre crianças e livros electrónicos que foi publicado este ano.

A equipa de Munzer acompanhou 37 crianças nos EUA em idade pré-escolar em atividades de leitura com os pais. Foram utilizadas três histórias em formatos diferentes: livro em papel, livro eletrónico sem multimédia, livro eletrónico com multimédia (por exemplo, vídeos, sons e jogos).

“As crianças verbalizam menos detalhes sobre a narrativa e não se lembram tão bem da ordem da história quando lêem em formato eletrónico”, conclui-se. Uma das hipóteses é que os pais interagem menos com as crianças quando há elementos multimédia, como gravações das personagens a falar. “Os pais fazem menos perguntas e menos comentários sobre a narrativa em livros electrónicos.”

Outra análise a 40 crianças com quatro anos publicada em 2018 no European Journal of Psychology of Education notou que livros eletrónicos podem ser uma distração, mesmo que não tenham muitos elementos multimédia. “Como as crianças coexistem com ecrãs de toque, têm o hábito de tocar no ecrã. Com isto, a experiência tinha de dedicar mais ênfase a manter a atenção das crianças”, lê-se no trabalho para avaliar a facilidade em ensinar crianças sobre o conceito de camuflagem em animais no ecrã ou em papel.

Dois anos antes, um artigo de revisão da literatura académica do tema — publicado no Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics — já tinha notado que livros eletrónicos com animações e sons podiam distrair as crianças, e que as conversas sobre esses livros eram mais sobre o formato do que sobre o conteúdo.

Para a pediatra Tiffany Munzer, responsável pelo estudo de 2019 sobre as primeiras experiências de leitura num ecrã, os livros eletrónicos não têm de ser ignorados, mas é importante não dar demasiada importância aos elementos interativos. “Os pediatras devem recomendar preferencialmente livros impressos a livros eletrónicos com funcionalidades que roubam atenção”, conclui a autora no estudo. “E os criadores devem reduzir os extras irrelevantes.”

Fonte: Público

Oftalmologistas criam “rede de consultórios” e querem atender utentes do SNS

A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia quer uma espécie de “cheque visão”, tal como existe para dentistas, e quer evitar que médicos sejam substituídos por técnicos optometristas

Os oftalmologistas estão a criar uma rede de consultórios em todo o país para facilitar o acesso a “verdadeiros especialistas” e querem atender utentes do SNS, seja através de convenção ou de uma espécie de “cheque visão”.

A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia entende que para resolver as “longas listas de espera” para consultas ou cirurgias em oftalmologia no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é necessário “envolver os médicos que estão fora do SNS”, sobretudo na prestação de cuidados de saúde primários.

O presidente da Sociedade, Fernando Falcão Reis, assume que se tem assistido a uma “indisfarçável pressão”, até política, para incluir a classe dos técnicos optometristas na prestação de cuidados de saúde e alerta que “não se pode colocar a saúde das pessoas em risco”.

A Sociedade está a criar uma rede de consultórios que pretende que tenha “efectiva cobertura nacional”, não só para chegar a pontos onde não há grandes unidades privadas, mas também para incentivar consultórios independentes dos grandes grupos da hospitalização privada e de jovens especialistas.

No Dia Mundial da Visão, que se assinala nesta quinta-feira, Fernando Falcão Reis recorda que há zonas com menos de 15 mil pessoas, afastadas dos grandes centros de urbanos e sem oferta de oftalmologia no SNS ou nos hospitais privados, onde a associação agora constituída poderia intervir.

“A associação COESO — consultórios de especialistas em oftalmologia pretende criar uma rede para juntar todos os oftalmologistas que trabalham em regime de profissão liberal pura. A ideia é criar uma rede de consultórios independentes dos hospitais privados. E agregar os pequenos consultórios e garantir uma cobertura nacional”, explicou à Lusa o responsável.

A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia quer, por isso, estabelecer um protocolo com o SNS para “garantir uma consulta de proximidade a toda a população portuguesa”.

O acesso dos utentes do SNS a estes consultórios poderia ser feito ou através de convenções ou à semelhança do que acontece com o cheque dentista na saúde oral, admite Falcão Reis. “É prematuro pensar já na forma de remuneração, porque primeiro queremos garantir que a rede tem um número suficiente de médicos para cobrir todo o país. Mas seria ou um regime de convenção, em que o doente paga uma pequena parte e o SNS complementa, ou uma solução do tipo do cheque dentista”, explicou Fernando Falcão Reis.

A ideia será criar uma “rede nacional de cuidados primários em oftalmologia” e a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia considera que o Estado poderia até poupar custos.

“Os custos com deslocações são um fardo para doentes e também têm um grande encargo para o Estado e ultrapassam muitas vezes o custo previsível de uma consulta (...). Grande parte dos doentes que vive em centros urbanos de 10 a 15 mil pessoas não tem hospitais e muitos não têm acesso a transporte. Não sairá certamente mais caro pagar uma consulta no local do que subsidiar o transporte para um centro hospital”, argumenta o médico.

Esta rede de consultórios, se vier a ter parceria com o SNS, poderá funcionar também como uma “triagem pré-hospitalar” mais eficaz e igualmente como um seguimento após as intervenções cirúrgicas.

Além de facilitar o acesso dos utentes e diminuir os tempos e listas de espera no SNS, a Sociedade refere que será também uma forma de reduzir o recurso a “consultas” a optometristas, que muitas vezes se assumem como “especialistas em visão”, deixando na população uma ideia errada das suas funções e competências.

“Há uma espécie de usurpação do termo especialista, que para uma grande faixa da população é confuso e enganador”, indica Fernando Falcão Reis.

O projecto COESO pretende ainda lançar, em Janeiro, uma aplicação onde os utilizadores possam pesquisar os consultórios de oftalmologia em todo o país.

Sobre a necessidade de aumentar a formação de oftalmologistas para aumentar a capacidade do SNS, o médico defende que isso não será suficiente para resolver as listas de espera em oftalmologia, até porque muitos acabam por abandonar o serviço público.

Em Portugal há mais de mil oftalmologistas, o que dá um rácio de um médico por dez mil habitantes, bem acima do que recomenda a Organização Mundial da Saúde, que advoga um especialista por 15 mil habitantes.

Fonte: Público

III FORUM Nacional para a Diversidade e Inclusão

O III Fórum Nacional para a Diversidade, que este ano terá lugar nos dias 28 e 29 de outubro no Museu da Eletricidade em Lisboa, é uma iniciativa da Associação Portuguesa para a Diversidade e Inclusão (APPDI), entidade gestora da Carta Portuguesa para a Diversidade.

Este ano, o fórum divide-se em duas partes com objetivos distintos:

28 de outubro (18h30 - 20:30) a tónica irá incidir no reconhecimento de boas práticas, através da entrega dos selos da II Edição do Selo da Diversidade e na partilha de boas práticas ao nível da implementação da Caixa de Ferramentas.

29 de outubro (9:30 - 12:30) será abordado um tema atualmente relevante em Portugal e que se enquadra, pelas suas características, numa das temáticas mais importantes para as organizações que se preocupam com a Diversidade e Inclusão – A integração da vida profissional e da vida pessoal. Considerando que a integração da vida profissional e pessoal é impactada por questões culturais, processos, condições de trabalho e por comportamentos individuais, iremos abordar essas três perspetivas durante esta manhã que prevemos interessante, divertida e animada.

Para participar no evento é obrigatória a inscrição até dia 22 de outubro.
Saiba mais em www.cartadiversidade.pt

Sobre a Associação Portuguesa para a Diversidade e Inclusão (APPDI):
De forma a garantir a continuidade e promover o desenvolvimento da rede da Carta da Diversidade, e em conjunto com as entidades signatárias da mesma, foi constituída em 2018 a Associação Portuguesa para a Diversidade e Inclusão. A APPDI tem como missão promover a Diversidade e a Inclusão nas diversas organizações e na sociedade portuguesa em geral, cooperando com as instituições nacionais e europeias relevantes para a prossecução das suas atividades. A APPDI tem como objetivo a gestão e monitorização da Carta Portuguesa para a Diversidade, bem como outras atividades e projetos que garantam a promoção da Diversidade. A APPDI dispõe de um conjunto de benefícios e vantagens para as entidades associadas.
A Carta para a Diversidade, iniciativa da União Europeia, é um dos instrumentos voluntários criados com o objetivo de encorajar os empregadores a implementar e desenvolver políticas e práticas internas de promoção da diversidade. Desenvolve e promove um conjunto de medidas concretas que podem ser tomadas para promover a diversidade e a igualdade de oportunidades no trabalho, independentemente da origem cultural, étnica e social, orientação sexual, género, idade, características físicas, estilo pessoal e religião.
A Carta Portuguesa para a Diversidade conta atualmente com 256 organizações signatárias.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O Dia Mundial da Visão


Mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem com deficiência visual ou cegueira porque não recebem os cuidados de saúde necessários para problemas como miopia, glaucoma ou cataratas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Hoje é o dia Dia Mundial da Visão, e recentemente a OMS divulgou o seu primeiro relatório sobre problemas de visão no mundo, destacando que a deficiência visual ou a cegueira afecta pelo menos 2,2 mil milhões de pessoas, mais de um quarto da população total mundial.

Segundo o relatório, cerca de mil milhões de pessoas têm uma deficiência visual que poderia ter sido prevenida ou que poderia ser tratada. Um dos exemplos são as cataratas, problema que pode ser resolvido através de uma cirurgia, que afectam 65 milhões de pessoas.

A OMS estima ainda que 800 milhões de pessoas têm problemas na realização das suas actividades diárias apenas porque não têm acesso a um par de óculos, aludindo aos casos não diagnosticados ou não apoiados de presbiopia, resultado da diminuição gradual da capacidade de visão relacionada sobretudo com a idade.

O relatório mostra ainda que há em todo o mundo quase sete milhões de pessoas com deficiência visual por glaucoma, doença que pode ser tratada com cirurgia ou até mesmo sem recurso a operação.

Nas contas feitas pelo organismo das Nações Unidas, seriam necessários 14,3 mil milhões de dólares (cerca de 13 mil milhões de euros) para resolver os atrasos no tratamento e seguimento das cerca de mil milhões de pessoas que têm deficiência visual ou cegueira evitáveis.

A OMS sublinha que o crescimento dos problemas de visão ou das deficiências visuais não está a ser igualitário, sendo maior e mais acentuado em pessoas que vivem em áreas mais rurais do globo, que são de países menos desenvolvidos, nas mulheres, em idosos e em minorias étnicas. Por exemplo, os países menos desenvolvidos da áfrica subsariana e do sul asiático têm taxas de cegueira que são oito vezes superiores às dos países desenvolvidos.

Como recomendações, a OMS indica que é necessária uma maior integração dos cuidados de saúde visuais com os serviços nacionais de saúde, sobretudo nos cuidados de saúde primários, para garantir prevenção e detecção precoce dos problemas.

Engenheiro cego inventa bengala inteligente que usa o Google Maps para ajudar pessoas cegas a deslocarem-se

Recentemente, foi introduzida no mercado uma bengala inteligente e revolucionária, chamada WeWalk, que tem como propósito ajudar as pessoas cegas a andarem nas ruas de forma muito mais eficiente.