segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A Criança com Multideficiência: o impacto da deficiência visual


-VI Jornadas de Deficiência Visual & Intervenção Precoce-


10 NOVEMBRO 2018 | Auditório do Hospital Pediátrico de COIMBRA (CHUC)
09:00 | SESSÃO DE ABERTURA
Maria José Baldaia | Vice-Presidente da ANIP
Guiomar Oliveira | Diretora do Hospital Pediátrico de Coimbra (CHUC) *
Joaquim Murta | Diretor do Serviço de Oftalmologia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) *
Patrícia Valério | Assistente Social do CAIPDV (ANIP)

09:30 | PAINEL I - Défice Visual Cerebral (DVC): perspetivas na contemporaneidade
Moderadora: MADALENA MONTEIRO - Oftalmologista Pediátrica | Hospital Pediátrico de Coimbra
09:30 | O crescente número de casos de crianças com défice visual cerebral: Principais causas
- Ana Cláudia Fonseca, Neuroftalmologista | Grupo Português de Neuroftalmologia
10:00 | A avaliação de crianças com multideficiência, investigação e introdução a Escalas de Avaliação da Visão CVI-PIMD, um instrumento de
observação multidisciplinar [em língua inglesa]
- Marieke Steendam, Terapeuta Ocupacional Pediátrica | Royal Dutch Visio
- Marjolein Wallroth, Psicóloga Infantil | Royal Dutch Visio [ Holanda ]
11:00 | Avaliação multidisciplinar de casos com défice visual cerebral: Constrangimentos e desafios
- Catarina Paiva, Oftalmologista Pediátrica | Consulta de Baixa Visão do Hospital Pediátrico de Coimbra
11:30 | Coffee break

12:00 | PAINEL II - Participação e Aprendizagem de Crianças com DVC
Moderadora: Miriam Azevedo – Engenheira Biotécnica | ANDITEC
12:00 | A comunicação na criança com multideficiência: O impacto da visão
- Isabel Amaral | Escola Superior de Saúde - Instituto Politécnico de Setúbal
12:30 | Construir práticas pedagógicas inclusivas: Desenho universal para a aprendizagem
- Clarisse Nunes | Escola Superior de Educação de Lisboa
13:00 | Pausa para ALMOÇO

14:30 | PAINEL II (cont) - Participação e Aprendizagem de Crianças com DVC
14:30 | Intervenção em crianças com multideficiência: uma abordagem tridimensional:
psico-educativa, intervenção direta através de “diagnostic teching” e utilização
de estratégias compensatórias [em língua inglesa]
- Marieke Steendam, Terapeuta Ocupacional Pediátrica | Royal Dutch Visio
- Marjolein Wallroth, Psicóloga Infantil | Royal Dutch Visio [ Holanda ]
15:30 | Recursos de apoio à criança com multideficiência e défice visual cerebral
- Rui Teles | Escola Superior de Educação do Porto
16:00 | Coffee break

16:15 | PAINEL III - Défice Visual Cerebral e comunidade
Moderador: Paulo Martins – Pai de uma criança com DVC
16:15 | Intervenção Precoce e défice visual cerebral
- CAIPDV – Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual
16:45 | Família e Intervenção Precoce: Promover competências visuais no contexto natural
- Família, Equipa Local de Intervenção e Jardim de Infância
17:15 | Crianças com multideficiência: O desafio da inclusão
- David Rodrigues | Pró Inclusão

17:45 | ENCERRAMENTO
Leonor Carvalho | Diretora de Serviços da ANIP
Viviana Ferreira | Diretora Técnica do CAIPDV

(*) [a aguardar confirmação]
INSCRIÇÕES & INFORMAÇÕES: formacao@anip.net

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Music Adaptations For Students who are Blind or Visually Impaired


Blind Man with Yellow Piano in Analog Time - Charles Riley (2017)
image: Blind Man with Yellow Piano in Analog Time - Charles Riley (2017)

Music class is a preferred activity for many students who are blind and visually impaired, but it shouldn't be assumed that all students that are blind will be musicians or be uniquely gifted in this area. Like other areas of the curriculum, adaptations may be necessary to allow the student who is blind or visually impaired to fully participate.
Many aspects of the music program will be the same for students who are sighted and students who are blind or visually impaired. There are some strategies that will help students access the curriculum.
Students should be exposed to a variety of musical instruments from a young age. Show students the different ways that music can be produced. Listening to the differences in sounds will help the student develop auditory discrimination skills. Expose the student to a variety of types of music (ex. concerts, CD's, YouTube videos, etc.) to help develop music appreciation.
The Teacher of Students with Visual Impairments (TVI) and the general education music teacher should collaborate, at a very minimum at the beginning of the school year, to review activities and lessons that will be taught throughout the year. If the student will need to read music, it may be necessary to provide enlarged music scores or instruct a student who is blind in the braille music code if the student is a braille reader. Even if the student is using the braille music code, they should be familiarized with print symbols that are used (using tactual graphics) so they can understand terms and descriptions used by their sighted peers. Also, it may be necessary to determine if there is a need for non-visual prompts during conducting.
To help a student practice their scales or other music at home, YouTube videos can be a great resource. Collaborate with the music instructor to ensure that the correct version of the song or the correct scale is available. Copy and send the link home to the family to allow the student to listen and practice at home.
 

Picture of a sheet of music paired with braille 

Braille Music Code
 

 
Dots 1 4
 
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Dots  1 2 4
 
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doremifasollati
CDEFGAB

Braille music is a form of the six dot braille code used in literary braille. The code includes all the information presented on a standard sheet of a music score including notes and their values, dynamic, expression marks, and fingering. Braille music score is presented in a linear form. In teaching a piano score, the score for the one hand is presented followed by the score for the other hand. Once the student has learned each score, they then play with both hands together. For this reason, it will take longer for a student to learn printed music scores than sighted students. Students must learn to memorize music in order to perform it as sight reading music is not possible with the braille music code as the student will need to read the score tactually instead of visually.

Additional Resources
The music braille code
The music braille code is used internationally. Copies of the music code are available for purchase in hardcopy print and braille from the APH or can be downloaded from BANA.

Braille Music Code manual
BRL.org offers a very detailed braille music code manual.

Dancing Dots
 offers technology, educational resources and training to assist blind and low vision individuals to read, write, and record their music. Their products and services foster inclusion, literacy and independence for visually impaired musicians and audio producers engaged in educational, leisure, and professional pursuits.

How to read braille music book
'How to Read Braille Music' by Bettye Krolick provides the basics in clear terms with an emphasis on accessibility. The examples are short, fun and to the point. The book identifies music symbols frequently encountered in elementary to intermediate music with an index for identifying new symbols as they are found. View the pages for free on the internet archive!

Opus Technologies

Opus Technologies offers software, print, and braille materials for learning and using braille, especially braille music. Products include books and software for music braille, and popular braille sheet music.

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Orçamento da Educação cresce 4% e aposta na redução de alunos por turma
“A despesa total consolidada no programa orçamental Ensino Básico e Secundário e Administração Escolar ascende, em 2019, 6421,3 milhões de euros, o que compara com o montante de 6173,1 milhões de euros de 2018, representando um crescimento de 4% face ao orçamento de 2018, justificado sobretudo pelo aumento das despesas com pessoal, que crescem 4,5% e das outras despesas correntes de funcionamento, em 4,4%” lê-se no relatório divulgado na segunda-feira, dia em que o OE2019 foi entregue no parlamento.

O relatório indica ainda que “no decurso da execução orçamental de 2019, acrescerá um reforço significativo ao programa proveniente da dotação específica para efeitos de descongelamento de carreiras”.

Ainda sobre professores, o relatório refere “um reforço da capacitação dos profissionais da educação” e que “será dado especial enfoque à formação contínua, prevendo-se que, no ano letivo 2018/2019, 35 mil docentes e agentes educativos frequentem ações de formação”.

“Também no mesmo período, e no âmbito do Plano de Formação de Pessoal Não Docente, serão promovidas ações de formação”, acrescenta o documento.

De acordo com os dados do documento, as transferências do Estado para o ensino particular e cooperativo decrescem 11,1%, dos 206,5 milhões de euros para os 183,6 milhões de euros.

Quanto ao ensino pré-escolar terá um orçamento reforçado em 2,2% dos 551,7 milhões de euros para os 563,9 milhões de euros.

No âmbito do pré-escolar, e recordando a meta de universalização de acesso definida no programa de Governo, o relatório refere que “dar-se-á continuidade ao investimento na formação de docentes no âmbito das Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar (OCEPE) garantindo, por um lado, a articulação e a qualidade na transição entre a creche e o jardim de Infância e, por outro, prevendo-se a articulação com as ações desenvolvidas para o 1.º ciclo do ensino básico”.

“No subsector dos serviços e fundos autónomos (SFA), incluindo as Entidades Públicas Reclassificadas (EPR), a despesa total consolidada ascende, em 2019, a 624,5 milhões de euros. A despesa dos SFA é suportada por receitas gerais em 289,9 milhões de euros e, ainda, por receitas próprias e fundos europeus que financiam 213,5 milhões de euros das despesas a realizar, sendo de destacar a atividade da Parque Escolar, E.P.E., no âmbito das intervenções de modernização, requalificação e construção de escolas, do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ, I.P.) e do Instituto de Gestão Financeira da Educação (IGeFE,I.P.)”, lê-se no relatório do OE2019.

Sobre requalificação de escolas a cargo da Parque Escolar, a proposta de lei do Orçamento do Estado, também divulgada na segunda-feira, indica que fica autorizada a transferência de verbas, até ao montante de cinco milhões de euros do IGeFE, I.P., para a Parque Escolar, E. P.E., para financiamento de requalificação e construção de três escolas do concelho de Lisboa, e que dizem concretamente respeito à requalificação do Liceu Camões e da Escola de Música do Conservatório Nacional e à construção da nova escola do Parque das Nações.

Ainda sobre a Parque Escolar, o relatório do OE 2019 adianta que a previsão de investimentos a concretizar em 2019 pela empresa criada para requalificar e manter os estabelecimentos escolares é de 61,9 milhões de euros, afetos a aquisição de bens de capital.

O relatório aponta ainda o ensino profissional como “uma aposta estratégica do Governo”, assim como “um alargamento da aposta na educação e formação de adultos”.

Redução de alunos por turma alargada a mais anos de escolaridade em 2019-2020

“Reconhecendo-se as mais-valias para as condições de ensino e a qualidade das aprendizagens, prosseguirá o investimento na redução do número de alunos por turma, abrangendo, em 2018/2019, os anos iniciais de cada um dos ciclos do ensino básico e, em 2019/2020, os 1.º, 2.º, 5º, 6º, 7.º e 8.º anos de escolaridade, beneficiando várias centenas de milhares de alunos e respeitando princípios de progressividade e continuidade pedagógica”, lê-se no documento.

Desde o início do presente ano letivo (2018-2019) que as turmas voltaram a ter os limites anteriores ao mandato de Nuno Crato, que determinou um aumento do número de alunos por turma no ensino básico.

As turmas do 1.º ciclo voltam a ter 24 alunos e as de 2.º e 3.º ciclos entre 24 e 28 alunos.

A medida de redução de alunos por turma foi primeiro implementada nas escolas consideradas Territórios de Intervenção Educativa Prioritária (TEIP) em 2017-2018, em todos os ciclos de ensino e depois alargada a todo o ensino básico, nos primeiros anos de cada ciclo.

Gratuitidade de manuais escolares até ao 12.º ano abrange licenças digitais

“Em 2019, manter-se-á, igualmente, a medida de gratuitidade dos manuais escolares, sendo esta alargada a toda a escolaridade obrigatória e para todos os alunos da rede pública. Com esta medida de gratuitidade, iniciada em 2016 expandida gradualmente, concretiza-se uma obrigação constitucional de garantir o acesso de todos os alunos ao ensino público e gratuito. Acresce que, com vista ao fomento, desenvolvimento e generalização da desmaterialização dos diversos recursos educativos, serão atribuídas licenças digitais a todos os alunos do ensino público abrangidos pelas medidas de gratuitidade”, lê-se no relatório do OE2019.

Em relação aos manuais escolares, cuja extensão da gratuitidade até ao 12.º ano foi anunciada pelo PCP, em acordo com o Governo, no âmbito das negociações para o OE2019, a proposta de lei refere ainda que “o membro do Governo responsável pela área da educação define os procedimentos e condições de disponibilização gratuita, uso, devolução e reutilização dos manuais escolares, podendo os mesmos ser reutilizados na mesma escola ou em qualquer outra escola ou agrupamento que o tenha adotado”.

Determina-se, assim, que “os alunos do 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico devolvem os manuais no fim do ano letivo, à exceção das disciplinas sujeitas a prova final de ciclo do 9.º ano” e que “os alunos do ensino secundário mantêm em sua posse os manuais das disciplinas relativamente às quais pretendam realizar exame nacional, até ao fim do ano de realização do mesmo”.

A extensão da gratuitidade dos manuais escolares até ao 12.º ano de escolaridade foi anunciada na passada semana pelo PCP, com o líder parlamentar comunista, João Oliveira, a congratular-se com o acordo alcançado, embora "esteja ainda por operacionalizar a forma como a medida vai ser implementada no terreno", a partir do ano letivo de 2019/20, ou seja, até setembro do próximo ano.

Até agora, os livros gratuitos abrangiam somente os 1.º e 2.º ciclos, ou seja, o ensino básico, alargando-se agora aos 7.º, 8.º, 9.º, 10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade. Segundo estimativas do PCP, os custos da medida anunciada ascendem a "pouco mais de 100 milhões de euros".

A proposta de OE2019 foi entregue na segunda-feira no parlamento, já perto da meia-noite, pelo ministro das Finanças, Mário Centeno.

Na proposta de OE2019, o Governo estima um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,2% no próximo ano, uma taxa de desemprego de 6,3% e uma redução da dívida pública para 118,5% do PIB.

No documento, o executivo mantém a estimativa de défice orçamental de 0,2% do PIB no próximo ano e de 0,7% do PIB este ano.

Fonte: Educare 
Metro do Porto inaugurou o primeiro tradutor de língua gestual
As regras são claras, a criação de estruturas e sistemas que facilitem a vida aos utilizadores com necessidades especiais é uma obrigatoriedade. Muitas vezes estas infraestruturas são “adiadas”, mas não deixam de ser obrigatórias. Além disso, há a obrigatoriedade moral.

Nesse sentido, a partir de hoje, o Metro do Porto tem instalado na Estação dos Aliados, um tradutor de língua gestual. Um ecrã gigante, interativo, em seis idiomas e que tem como objetivo apoiar os utentes surdos.


Segundo as informações veiculadas (...), o projeto é da responsabilidade do ISEP e funciona com um sistema simples de perguntas, que são respondidas por um avatar (boneco).

O tradutor de língua gestual tem suporte para seis idiomas: português, cipriota, grego, alemão, esloveno e inglês. Este pode ser usado na estação do metro dos Aliados, em plena baixa do Porto.

"Temos um conjunto de perguntas, as pessoas podem ir selecionando uma pergunta, ver o avatar a representar aquela pergunta em língua gestual do país que está selecionado, e depois tem também a possibilidade de ver a resposta."

Referiu Nuno Escudeiro, professor do Instituto Superior de Engenharia do Porto e um dos responsáveis pelo projeto.

Foi também explicado que o ecrã está dividido em várias categorias: andante, viagem, validação, zonas e passes mensais. Só é preciso clicar na pergunta e o avatar responde.

"Por exemplo, o que é o andante, como posso adquirir o andante, o que acontece se alguém me roubar o cartão. Perguntas que são as mais frequentes compiladas pelo Metro do Porto."

Paula Escudeiro, professora do ISEP e coordenadora do tradutor de texto escrito para língua gestual, explica que este projeto é financiado pela União Europeia através do Programa Erasmus+ e as traduções respeitam a semântica de cada um dos países parceiros deste projeto.

"Esta tradução não é direta do português escrito para língua gestual, sabemos que esta é uma língua natural, com características próprias. A nossa preocupação foi fazer uma tradução o mais rigorosa possível daquilo que são as regras gramáticas da própria língua gestual de cada país."

O tradutor de língua gestual está instalado no piso -2 da estação do metro dos Aliados, até ao final do ano. Este é ainda um projeto-piloto, que vai estar disponível durante três meses. O objetivo é replicar a ideia não só para os transportes públicos, mas também para serviços públicos, escolas e autarquias.

Tendo em conta que o país, em geral, e o Porto especificamente está a receber cada vez mais turistas e estudantes, ter este tipo de estruturas promove a cultura portuguesa de abrangência e salutar convivência, permitindo a quem tem determinadas limitações as possa colmatar com tecnologia simples e acessível. Basta haver vontade e boas ideias como esta.

Fonte: Sapo

Festival Read On chega a Portugal e põe os jovens a ler

Durante três dias, de 19 a 21 de outubro, jovens acolhem outros jovens e põem-nos em contacto com escritores, ilustradores, músicos, autores de BD, profissionais de rádio e contadores de histórias. Sempre com as palavras e os livros em fundo. Estão programadas múltiplas actividades para conquistar para a leitura um grupo etário que dela tende a afastar-se — dos 12 aos 19 anos.


“É um festival feito por jovens e para jovens e que pretende explorar e valorizar a palavra escrita, falada, cantada, dançada”, diz Graça Carvalha, directora do Agrupamento de Escolas Carlos Gargaté, da Charneca de Caparica, e que integra a equipa coordenadora do projecto internacional de leitura Read On (Reading for Enjoyment, Achievement and Development of Young People), que junta sete parceiros europeus.


O encontro no Solar dos Zagallos (Sobreda) é gratuito, começa nesta sexta-feira às 10h, com a apresentação do livro Água Doce, Fluir com o Rio, e encerra no domingo, às 21h, com o concerto do grupo de rock Tontos. Pelo meio, haverá workshops de ilustração, desenho, escrita criativa, música e BD, gaming e multimédia, formação ambiental e clubes de leitura. 


“Os miúdos no 1.º ciclo leem bastante, leem muito em casa com os pais; no 2.º ciclo, vão lendo um bocadinho menos e, depois, chega ali uma fase da adolescência em que deixam de ler”, explica João Paulo Proença, coordenador interconcelhio para as bibliotecas escolares dos concelhos de Almada e do Seixal e que participa na organização do festival.


Conta ainda: “Os professores perguntam-se como é que podem pôr os alunos jovens a ler. E foi assim que sete parceiros de seis países resolveram fazer um projeto europeu na área da leitura. Cinco desses países fazem há vários anos festivais de literatura: Itália, Espanha, Noruega, Inglaterra e Irlanda. Os outros dois parceiros são uma escola secundária na Noruega e a Escola Básica Carlos Gargaté, que promovem outras atividades durante todo o ano.”


O professor bibliotecário sente e observa diariamente esse afastamento dos adolescentes da biblioteca. “Nessas idades, a leitura torna-se quase uma obrigação. Os professores de língua, sobretudo, indicam os livros mas não apoiam muito a leitura, que é o que as bibliotecas procuram fazer, proporcionando uma oferta diversificada que apele ao gosto pela leitura e pelos livros.”


Dez minutos de leitura por dia


Graça Carvalha, professora de Físico-Química, espera que o festival “perdure no tempo e atraia muitos jovens de Almada, mas também da área metropolitana de Lisboa”. Entre as iniciativas que fazem parte do projeto que acolheu no seu agrupamento desde o ano letivo passado, destaca a que introduziu a prática de os cerca de mil alunos – do pré-escolar ao 9.º ano de escolaridade – lerem dez minutos por dia durante as aulas.


“Fiz as contas e é o equivalente a ter uma disciplina anual de 50 minutos”, explica a diretora. A leitura faz-se em qualquer disciplina, roda os três turnos da manhã e da tarde e cada aluno escolhe o que lê e o suporte em que lê. Podem trazer livros de casa, requisitar na biblioteca ou recorrer à cabine telefónica desativada que foi transformada em depósito de livros, jornais e revistas.


“Houve alguma resistência sobretudo da parte dos professores de Matemática e de Educação Física. Sentiam que estavam a perder tempo, mas rapidamente perceberam que não era assim”, conta Graça Carvalha e acrescenta: “Os miúdos aderiram de tal maneira que, se um professor se esquece de que é na sua aula que está destinada a leitura, eles lembram-lhe.”


A professora conta ainda que, nas “turmas com tendência para comportamentos desviantes, este momento inicial de leitura ajuda a que os alunos se acalmem”, tornando mais fácil ao professor seguir depois com a lição. Sabe que há alguns alunos “que fingem que leem”, mas a maioria “lê mesmo, até aqueles para quem isso antes era impensável”.


Duas centenas de alunos leram mais de cinco livros


João Paulo Proença dá-nos conta do balanço desta iniciativa, que foi apresentado aos professores do agrupamento em julho deste ano.


Os testemunhos de 580 jovens abrangidos pelos dez minutos de leitura completaram deste modo a frase “com esta iniciativa melhorei”: o gosto pela leitura (50%), a concentração (46%), o vocabulário e a compreensão (42%), a forma como escrevo (33%).


Desde o início da atividade (ano letivo de 2017/2018), uma percentagem de 25,7% (229 alunos) leu mais de cinco livros; 30,5% leram três a cinco obras; 39,5% leram de um a três títulos e apenas 6,2% (36 alunos) não leram qualquer obra.


Os livros que leem são sobretudo os que levam de casa, 18% requisitam na biblioteca e poucos recorrem à “cabine telefónica”, somente 8%. A maioria prefere ler nas aulas da manhã, 8h15 e 10h05.


João Paulo Proença partilha (...) algumas das reações dos alunos: “Eu acho que é uma iniciativa muito boa porque toda a gente deve ler. Os alunos devem ler para melhorar o bem-estar da aula, a concentração, o gosto da leitura, o seu vocabulário... A leitura deveria ser de 20 minutos”; “com os livros, nós aprendemos novo vocabulário e dá-nos imaginação”; “em tempo de aulas, termos mais tempo para ler [é] algo muito importante para o nosso desenvolvimento pessoal e educativo”; “podíamos relaxar um pouco antes de a aula começar, e também ajuda em relação às aulas de Português, porque a cada período tivemos de fazer apresentações orais sobre um livro que tenhamos lido, e assim aproveitámos para apresentar o que lemos nestas atividades”; “incentivar as crianças a experimentar outras formas de passar o tempo”; “[permitir] que a turma se conseguisse acalmar para termos uma aula como deve ser”. (...)


O projecto Read On é co-financiado pelo programa Europa Criativa, da União Europeia.


Fonte: Público

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Eles não vêem. Mas fotografaram


Marta quer que se saiba que os cegos também dormem de olhos fechados. Graciete que é possível não ver e ser uma mestre na cozinha. José queria fotografar a vida e o pós-vida. Que imagem de si próprio e do mundo tem quem não vê? Hoje é Dia Mundial da Visão.


Quando lhe perguntaram o que queria fotografar, José Sobreira não pensava noutra coisa senão numa imagem que falasse dos filhos. Perdeu-os para o cancro, o rapaz aos 34 anos, a rapariga aos 28. José ficou cego três meses depois. Foi o trauma, disseram os médicos. José Sobreira é um dos participantes do projecto Imagine Conceptuale do Movimento de Expressão Fotográfica (MEF), que nos últimos três anos trabalhou com 63 pessoas com deficiência visual, entre cegueira congénita, adquirida ou baixa visão. “A ideia era levar a produção artística, o contacto com a arte e a aprendizagem sobre alguns movimentos estéticos relevantes a um grupo de pessoas com maior dificuldade no acesso às imagens”, explica Luís Rocha, um dos fundadores do MEF. Nem todos os participantes traduziram nas suas imagens as influências dos movimentos artísticos a que foram expostos, sobretudo os mais velhos. Mas no horizonte esteve sempre algo que faz já parte da identidade do MEF: “Facilitar o acesso destas pessoas às artes visuais e fomentar as suas formas de expressão pessoal e artística, em particular por meio da fotografia. O objetivo maior era a inclusão.”


Após as sessões sobre história de arte, os participantes discutiram em conjunto o que gostariam de representar em fotografia. Quereriam falar de si, dos outros? Fixar um autorretrato, ilustrar o mundo? “Tentámos que o tema não fosse só a cegueira, mas a também a liberdade, a amizade ou os sonhos”, explica Luís Rocha. José Sobreira, 62 anos, estava determinado a fotografar “a vida e o pós vida”. E por isso ao lado da reprodução fotográfica de fotografias do rosto de cada um dos filhos está um objeto que ficou desse depois: a cadeira de rodas do filho, a trança de cabelo da filha.


Todas as fotografias do projeto estão agora reunidas na exposição Ver com Outros Olhos, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A acompanhar cada fotografia está um pequeno texto, escrito na primeira pessoa pelos participantes-fotógrafos. Coube-lhes a eles fotografar, na maioria das vezes recorrendo a um comando remoto, que escondiam na mão. A câmara estava à sua frente, num tripé. Recebiam indicações de posição em relação à luz, por exemplo, mas o processo queria-se o mais autónomo possível. Alberto Biom, guineense, queria fotografar a casa com que sempre sonhou na Guiné, uma viagem que não foi possível fazer. Acabou por construir uma estrutura de uma casa em madeira. E disparou. "Eu pensava que não conseguia tirar uma fotografia eu mesmo (sic). Saiu muito bem, não foi?" 


É no documentário que encerra a exposição, da autoria de Luís Rocha e Tânia Araújo (fundadores do MEF e coordenadores do projecto) que temos acesso ao processo de realização das fotografias. É assim que ouvimos e vemos Alberto Biom, surpreendido com as suas competências de fotógrafo. Ou que vemos a jovem Marta Jordão a alinhar com precisão fardos de palha que construíram uma cama onde se deitou a dormir: de olhos fechados. Ou que vemos Nuno Silveira a colocar metade de uma abóbora pintada de azul na cabeça. E ouvimo-lo: “Tinha medo de ir à casa de banho porque aparecia uma abóbora a tentar entrar pela janela”. Foi isso que quis representar. No caminho, descobriu que um cego também pode criar imagens: “Toda a gente tem uma visão. E as pessoas com deficiência visual não são excepção. Também têm uma visão do mundo”, explica no documentário.


“Eles não disparam ao acaso”, assegura-nos Luís Rocha. “A imagem pode não ser visível mas é construída, com memórias, sensações, impressões”, diz. José Soudo, fotógrafo e professor de História da Fotografia, explica no documentário um pouco mais: “Há um sentir que é mais que o visual. Nós vemos e depois interpretamos. Eles interpretam para depois sentirem. Sentirem, verem.” Cada fotografia da exposição é ainda acompanhada de uma imagem táctil, em alto-relevo: uma tradução da fotografia original para poder ser vista por deficientes visuais. Para que o invisível se torne visível. As duas versões vão ser publicadas em livro no final de Outubro.


O Movimento de Expressão Fotográfica (MEF) trabalha há quase 15 anos com a comunidade cega ou com baixa visão. No passado optaram por criar exposições de fotografia recriando um ambiente de escuridão, para que os normovisuais se sentissem na pele de quem não vê. “Esta é a primeira exposição com sensores tácteis nas fotografias”, explica Luís Rocha. “Pensámos o resultado final que incluísse ambos, cegos e normovisuais, porque os cegos não vivem num mundo de cegos, vivem num mundo normovisual.” Tânia Araújo explica que é também o projecto mais completo que realizaram até hoje, decorrente do financiamento e acompanhamento que tiveram do programa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social, da Fundação Calouste Gulbenkian. “Foi fundamental pela estrutura de aprendizagem, funcionou quase como um laboratório”, explica. E ajudou, afirma, a que a experiência fosse valorizada por quem participa. “Expor na Gulbenkian é a confirmação de valor para pessoas para quem a sociedade foi muitas vezes injusta”.


“As portas estão fechadas, mas eu entro”


Quando o professor Fernando Matos viu o anúncio da exposição Ver com Outros Olhos nas redes sociais pensou: “ Bingo, não podia ter vindo em melhor altura”. A turma de 10º ano do curso de fotografia da Escola Profissional Magestil, em Lisboa, tinha acabado de receber Mariana Neto, uma aluna amblíope. Por enquanto, Mariana, 16 anos, fotografa com o telemóvel, mas a escola está a tentar adaptar uma máquina fotográfica profissional para que inclua um monitor que permita a Mariana ampliar as imagens. Na exposição, Mariana descobriu outros fotógrafos como ela. Durante a visita, alguns colegas explicaram-lhe detalhes das imagens e fotografaram as zonas mais escuras para que Mariana pudesse ver mais de perto.


Os médicos não conseguem determinar ao certo o quanto a Mariana consegue ou não ver. Um quisto no cerebelo (detetado na reta final da gravidez) afeta-lhe a visão e a motricidade. “Felizmente a zona cognitiva nobre do cérebro está preservada”, explica (...) a mãe, Sofia Neto. “Ela tem fibras ópticas mortas. Todo o processo visual se faz de uma forma muito lenta, a partir do momento em que ela vê até o cérebro processar a informação. Em determinados ângulos não vê e não tem visão periférica de todo. Mas também não vê apenas formas e contornos, vê objectos, define-os e consegue identificá-los”, esclarece Sofia Neto.


Para a mãe, designer gráfica, ex-docente e artista plástica, o que Mariana não vê pode até ser uma vantagem: “A baixa visão da Mariana pode potenciar outras capacidades. Acho que a sensibilidade particular dela pode estar expressa na fotografia”, diz. Mariana gosta sobretudo de fotografar candeeiros e sombras. “No outro dia fui ao Jardim do Campo Grande e fui eu que vi a minha sombra no chão, e quis fotografar”, conta (...). O telemóvel já estava na mão, pronto para nos mostrar a sua conta de Instagram, que abriu há um ano. “Esta é uma selfie com o meu pai. Fomos ao jogo do Benfica e eu quis tirar uma foto ao estádio”, diz-nos.


O pai ofereceu-se para tirar a fotografia. “Eu disse: ‘sou eu que estou a tirar o curso de fotografia, se quiseres podes ajudar!’” Concluída a formação em fotografia, diz, vai fazer um curso de DJ. “A Mariana surpreende sempre”, diz (...) Carla Fragata, coordenadora do curso de fotografia. E recorda o que a aluna lhe disse logo na segunda aula, quando perguntou aos alunos se tinham um lema de vida. “As portas estão fechadas, mas eu entro”, respondeu Mariana.


Fonte: Público

No dia 15 de outubro comemora-se o dia Mundial da Bengala Branca.



Simbolicamente a Bengala Branca representa a independência das pessoas com deficiência visual.
Os docentes do Grupo 930 do Agrupamento de escolas de Maximinos, para comemorar este dia e também para sensibilizar a comunidade escolar para a deficiência visual, propõem em cada turma uma aula (45minutos) de Orientação e Mobilidade (técnicas de guia e pequenos percursos de olhos vendados, com o uso da bengala) dinamizada por estes docentes.