segunda-feira, 4 de junho de 2018

Designer cria fonte que combina a escrita em Braille com a tradicional


Quantos espaços públicos você conhece que conseguem implementar a sinalização em Braille de forma realmente eficiente?
Infelizmente são poucos, não é mesmo?
Pensando numa solução para esse problema, o designer japonês Kosuke Takahashi criou a Braille Neue, uma família tipográfica que une de forma muito inteligente a escrita tradicional e o alfabeto Braille.
Como funciona?Os pontos em relevo, que fazem parte do alfabeto Braille, aparecem integrados aos caracteres do alfabeto tradicional, tornando qualquer palavra legível tanto para pessoas de visão normal quanto aos deficientes visuais.
 
O designer criou a proposta para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020, e defende que a implementação dessa fonte em espaços públicos não só seria de ajuda para deficientes visuais como também seria uma ótima forma de familiarizar o público geral com o alfabeto Braille.
Conhecer projetos como esses aumenta ainda mais nossa admiração pelo design e seu poder de inclusão na sociedade, e ver designers trabalhando em prol dessas coisas é ainda mais satisfatório.
Saber + aqui: http://disq.us/

Teatro "Pedro e Inês" com 1.º guião multiformato Inclusivo.

Pela primeira vez, em Portugal, no Museu de Leiria, na tarde de 29 de maio, o Grupo de Teatro do Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça, representou a história de D. Pedro e de D. Inês, com o 1.º guião multiformato Inclusivo.
Este guião inédito, distribuído a todos os participantes desta sessão cultural inclusiva, apresentou a peça de teatro em braille, escrita simples e linguagem pictográfica, fruto do esforço extraordinário do Centro de Recursos para a Inclusão Digital do Instituto Politécnico de Leiria, coordenado pela Professora Dr.ª Célia Sousa.
 capa do guião com o logótipo da associação de amigos de d. pedro e d. inês (2 corações vermelhos deixam cair da base 2 lágrimas negras) 1ª páginas do guião em braille sobre negro, 1ª página do guião em pictograma
Os atores do Centro de Alcobaça demonstraram níveis significativos de interpretação e de segura movimentação cénica, nos claustros do Museu de Leiria, com audiodescrição e língua gestual portuguesa, possibilitando a todos os espectadores momentos de impacto memorável de pioneira experiência de teatro para todos.
  2 momentos da peça: pedro e inês dançam e agradecimento final dos atores
No debate que se seguiu de imediato à peça de teatro, diversos tópicos foram motivo de reflexão, desde o direito à cultura para todos, as acessibilidades, os desafios para os agentes culturais, até ao protagonismo criativo e performativo das pessoas com deficiência.
Serviu também para a visibilidade de boas práticas e para o anúncio público dos compromissos das autoridades regionais no sentido do desenvolvimento de projetos culturais inclusivos, com a cooperação do Instituto Politécnico de Leiria.
Este projeto comemorativo dos 650 anos da morte de D. Pedro teve a responsabilidade partilhada do INR, da Associação dos Amigos de D. Pedro e de D. Inês, do Instituto Politécnico de Leiria, da Câmara Municipal de Leiria e do Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça.
O 1.º guião multiformato Inclusivo está disponível na Biblioteca do INR.
Esta iniciativa contou o o apoio da Mediaponto, que disponibilizou a título gracioso o equipamento de audiodescrição.

Atenta Inquietude: DA REFORMA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Atenta Inquietude: DA REFORMA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: Como tantas vezes escrevi e afirmei aqui e em contextos de intervenção profissional considero que a lei mais estruturante da resposta educa...

terça-feira, 29 de maio de 2018

Avaliação e aprendizagem


Avaliar, testar, examinar, aferir, ensinar, aprender… Contrariamente ao expectável, a maioria de nós assume que as últimas duas palavras não se relacionam com as que as antecedem. Contrariamente ao desejável, os nossos sentimentos e atitudes mudam com as primeiras e últimas palavras. Contrariamente ao que é um facto, a avaliação é subjetiva e não objetiva.


O objeto da avaliação é a aprendizagem dos alunos, mas as práticas da escola divergem deste fim. Segundo o Decreto-Lei n.º 17/2016, “A avaliação constitui um processo regulador do ensino e da aprendizagem, que orienta o percurso escolar dos alunos e certifica as aprendizagens desenvolvidas (…) tem por objetivo central a melhoria do ensino e da aprendizagem baseada num processo contínuo de intervenção pedagógica.”


Se, de acordo com a legislação em vigor, a avaliação deve servir de regulador do ensino, então é óbvio que avaliar deve estar intrinsecamente relacionado com ensinar e aprender. A avaliação deve ser vista como uma ferramenta pedagógica, um contributo para a aprendizagem e não apenas uma ferramenta de classificação. No entanto, a prática mais comum é a uma avaliação sumativa da aprendizagem com recurso a testes ou exames. Esta abordagem é causa da frequente relação frágil e conflituosa entre alunos e professores.


Já a avaliação formativa, ou uma avaliação para as aprendizagens, é a que mais favorece a aprendizagem e o sucesso escolar. Existem estudos que mostram o potencial deste tipo de avaliação para diminuir a discrepância entre classes sociais, económicas e culturais. E é este o objetivo de uma escola inclusiva, diminuir as diferenças, equiparar as oportunidades, favorecer o sucesso de todos.


Recentemente, foi atribuído o Global Teacher Prize 2018 à professora Andria Zafirakou, que, em relação à sua escola, afirmou: “Aquilo que a torna melhor (…) é o facto de não nos focarmos meramente na dimensão académica do desenvolvimento educativo dos alunos. Não somos uma fábrica, não temos a ambição de preparar em massa alunos para que consigam responder a questões de exame.” Pode ser que as suas práticas sejam inspiradoras para outras escolas.


É curioso que a vencedora deste prémio seja professora de artes, uma área pouco afetada pela avaliação baseada em testes e exames, será um acaso ou será um facilitador para uma abordagem de ensino e de avaliação diferente?


A investigação mostra que quanto maior a preocupação na avaliação externa mais as práticas de avaliação se cristalizam. Avalia-se o que é mais fácil avaliar (reprodução de conteúdos), em vez de avaliar o que foi realmente aprendido.


Os professores apontam vários fatores que dificultam a avaliação formativa, como a pressão para o cumprimento dos programas, a cultura dos números, associada à pressão da avaliação externa, entre outras.


Os instrumentos mais utilizados são os testes escritos, quando se deveria diversificar os meios e materiais de avaliação, pois seria a única forma de justamente avaliar todos os alunos, que nas suas diferenças conseguiriam, cada um, mostrar o seu conhecimento de forma diversa, permitindo, assim, ter sucesso. Mas persiste-se a utilizar maioritariamente os testes, com argumentos como “medem e avaliam melhor as aprendizagens; preparam e socializam os alunos para os exames; permitem uma menor décalage entre as classificações da avaliação interna e da avaliação externa; promovem o estudo e a aprendizagem; promovem a seriedade e a formalidade em todo o processo de avaliação; promovem a responsabilização dos alunos pelo seu processo de aprendizagem e sucesso escolar; e economizam tempo” (Flores, Alves, & Machado, 2017).


A avaliação externa criou uma obsessão pelos rankings e validou a utilização da classificação, como forma preferencial de avaliação dos alunos. O que é o oposto do que se passa na Finlândia, onde não existem exames, o modelo de currículo é mais flexível, existe maior versatilidade e diversificação dos métodos de avaliação, autonomia curricular e pedagógica. Desta forma, consegue-se de facto promover a aprendizagem, o desenvolvimento contínuo e a equidade educativa.


Desenganem-se as escolas e professores quando julgam que ao aplicar um teste estão a avaliar melhor, a ser mais objetivos. Pois os testes são subjetivos na sua natureza, desde a forma como são elaborados, até à forma como é feita a sua aplicação e classificação. A subjetividade não significa falta de rigor. A utilização de meios alternativos de avaliação pode garantir rigor através da utilização de instrumentos adequados aos conteúdos e contextos, aplicação de grelhas e registos das aprendizagens, das atitudes e valores dos alunos.


Outro aspeto frequentemente descurado na avaliação é o fornecimento de feedback aos alunos e pais sobre as aprendizagens realizadas. Não de forma quantitativa, que é pouco informativa, mas de forma qualitativa, que verdadeiramente permita aos alunos tomar consciência dos seus progressos e das áreas nas quais ainda precisam de praticar mais para conseguirem atingir o sucesso.


Concluindo, a avaliação tem assumido progressivamente uma maior relevância nas políticas educativas e curriculares, com impacto nas práticas de ensino e aprendizagem. Deve-se pensar na avaliação como um contributo para melhorar as aprendizagens dos alunos, não se deve dissociar a avaliação da aprendizagem e do ensino. Ao fazê-lo é possível que se altere a imagem do professor expositor, para professor mediador ou facilitador da aprendizagem, que vai fazendo adaptações de processos e de estratégias, para promover o sucesso, a inclusão.


Leonor Ribeiro

Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação no CADIn – Neurodesenvolvimento e Inclusão



Fonte: Público

A dislexia na Feira do Livro

A Associação Portuguesa de Dislexia quer que os professores recebam formação sobre esta disfunção neurológica. Este sábado, a Associação vai estar na Feira do Livro de Lisboa, para esclarecer dúvidas sobre esta perturbação neurológica.


A presidente, Helena Serra, sublinha que quanto mais cedo a dislexia for detetada, mais depressa se podem treinar e acompanhar as crianças, minorando os problemas neurológicos. Helena Serra destaca, assim, a importância de identificar esta perturbação bem cedo nas crianças em idade escolar para que sejam devidamente acompanhadas e para evitar que mais tarde tenham problemas mais graves.


Um estudo universitário da Associação Portuguesa de Dislexia revela que no primeiro ciclo há cinco por cento de crianças com dificuldades de leitura. Tendo em conta a importância dos professores e da Escola na deteção precoce da doença, Helena Serra tem um pedido para o Ministério da Educação.


Para passar a mensagem, a Associação Portuguesa de Dislexia está este ano na Feira do Livro de Lisboa disponível para informar e esclarecer mas também para propor a realização de alguns exercícios que podem ser uma espécie de despiste rápido.


A Associação estará presente na Feira este sábado, e nas seguintes datas: 1 de junho (17h30/19h30), 2 de junho (11h/12h), 7 de junho (17h30/19h30), 8 de junho (17h30/19h30) e 9 de junho (11h/12h).



Fonte: TSF 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Software e Recursos Livres Necessidades Especiais



Este espaço foi criado como repositório de software e recursos livres para as necessidades educativas especiais. Os recursos e ferramentas foram enquadrados nas seguintes categorias para facilidade de navegação:
Acessibilidade – nesta categoria incluem-se aplicações de acesso ao computador e configurações de acessibilidade dos sistemas operativos.
Ampliador – nesta categoria incluem-se aplicações de ampliação de ecrã para a baixa visão.
Apps – nesta categoria incluem-se as aplicações para as tecnologias móveis (Android e Apple) bem como widgets.
Braille – nesta categoria incluem-se as aplicações e recursos para limitações de visão.
CAA Símbolos – nesta categoria incluem-se aplicações para a comunicação aumentativa e alternativa, com base em tabelas visuais de simbolos pictogramas.
Dislexia – nesta categoria incluem-se recursos para dificuldades de aprendizagem da leitura (dislexia).
Diversos – nesta categoria encontram-se reunidos vários repositórios de recursos educativos e ferramentas livres, repositórios de imagens, de música e sons e de video clips gratuitos, bem como guias de tecnologias de apoio.
Leitor de ecrã – nesta categoria incluem-se aplicações de leitor de ecrã para os problemas de visão.
Língua gestual – nesta categoria incluem-se recursos sobre a língua gestual.
Repositório – nesta categoria incluem-se vários repositórios de software e recursos para as necessidades especiais.
Sintetizador – nesta categoria incluem-se aplicações de sintetizadores de fala, de reconhecimento de voz e narrador para dificuldades de comunicação, de leitura e escrita.

Aveiro tem minigolfe para cegos. E um torneio internacional

É com confiança e destreza que Vera Alimova, de 8 anos, segura o taco de minigolfe. Não é a primeira vez que joga, mas é a sua estreia numa pista adaptada para cegos. "Aqui é mais fácil, porque temos os sons. E o taco é mais leve", diz ao DN. Do lado direito da pista, há uma maquete que lhe permite, através do tato, saber qual a configuração da pista. E, à medida que o taco se aproxima da bola, o som emitido fica mais intenso e repetitivo. Quando a bola acerta no buraco - o que acontece muitas vezes -, há música.

Vera tem apenas 7% de visão e é uma das participantes do primeiro Torneio Internacional de Minigolfe para Cegos, um projeto desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas José Estêvão, de Aveiro, com o apoio do Programa Operacional Capital Humano (POCH). Um evento inédito a nível mundial, garante a organização e que se realiza amanhã na sede do agrupamento, onde são esperados cerca de 60 participantes (todos jogam de olhos vendados).

Tudo começou no final de 2016. "Entre muitas loucuras, os alunos do curso profissional de Design Industrial decidiram fazer um minigolfe para cegos. Uma loucura que eu alimentei", recorda Jorge Silva, coordenador do curso e do projeto, destacando que, pela primeira vez, foi feita uma PAP (prova de aptidão profissional) entre vários cursos. "É um trabalho no qual as soft skills de cada um trabalham em grupo, na gestão de um projeto, de tempos, de expectativas", frisa.

Nas várias fases, o projeto teve a participação de todos os cursos profissionais da escola, que são financiados pelo POCH com o apoio do Fundo Social Europeu: Desporto, Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, Design Industrial, Fotografia e Serviços Jurídicos. Ao DN, Ana Prina, de 17 anos, aluna de Design Industrial, explica que o seu curso trabalhou no desenvolvimento de tacos, bolas e pistas adaptadas aos cegos. "É um projeto muito interessante. Nas demonstrações que fizemos, foi muito bom ver que é uma experiência única para os invisuais", revela.

Nélson Santos, de 18 anos, estuda na área de informática, que foi responsável pela codificação dos tacos e base de dados, diz que os estudantes conseguiram "ver uma série de problemas, que tiveram de ser superados. É como se fosse um mundo de trabalho a sério".

Já os alunos dos serviços jurídicos, registaram as patentes de todos os produtos e processos. Glória Leite, subdiretora do agrupamento, destaca o facto de "o projeto ter começado na sala de aula e acabado no mundo". Trata-se de uma iniciativa "integradora e inclusiva, que transforma currículos que nem sempre fazem sentido para os alunos em algo com sentido".

Joaquim Bernardo, presidente do POCH, sublinha o facto de ser "um projeto inovador a nível mundial, concebido por uma escola pública". Um "trabalho de enorme valor por parte de formandos e professores da escola, com grande impacto na promoção da inclusão social tendo por base a formação de dezenas de jovens, o aumento das suas qualificações e do seu sucesso escolar".

"É muito importante"

Mariana Pereira, de 10 anos, que já pratica equitação e natação, dá agora os primeiros passos no minigolfe. Para a mãe, Monique Silva, este projeto "é muito importante para as crianças invisuais, porque há poucas atividades que possam praticar".

Enquanto assiste ao treino, Victor Condeço, presidente da Federação Europeia de Minigolfe e representante do Clube de Minigolfe da Costa Nova, que apoia a iniciativa, destaca "a reação dos cegos que experimentaram as pistas, que é de extrema alegria ao colocar a bola no buraco".

fonte