quinta-feira, 3 de maio de 2018

Tradutor de língua gestual em idiomas diferentes - ISEP

No âmbito do projeto I-ACE da Escola de Engenharia do Politécnico do Porto, a Metro do Porto vai implementar um tradutor-piloto. Paula Escudeiro, responsável pelo grupo de investigação GILT (Games Interaction and Learning Technologies), sediado no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), coordena os trabalhos do projeto europeu I-ACE, cujo principal objetivo é desenvolver uma infraestrutura inovadora que permita a tradução bidirecional automática entre língua gestual e discurso escrito. Em outubro de 2018 a Metro do Porto irá implementar um tradutor-piloto com capacidade para dialogar nas línguas gestuais de Portugal, Brasil, Reino Unido, Alemanha, Eslovénia, Grécia e Chipre. A surdez e os problemas auditivos condicionam em particular os processos educativos e a vida em sociedade pelo que importa que sejam encontradas soluções para atenuar estes constrangimentos. Este cenário adquire ainda maior relevância se tivermos em conta que existem atualmente cerca de 200 línguas de sinais diferentes em todo o mundo (incluindo 47 só no continente europeu), as quais têm origens distintas e similaridades limitadas, dificultando uma mais ampla perceção. “O I-ACE transfere os resultados do projeto Virtual Sign [que tem como principal produto um tradutor automático bidirecional entre português escrito e língua gestual portuguesa em tempo real] para o contexto internacional. Deste modo, adaptámos o modelo de tradução do Virtual Sign para dar resposta em qualquer língua”, explica Paula, docente do ISEP e coordenadora do GILT. Em desenvolvimento desde novembro de 2016, o I-ACE permitirá a criação de uma infraestrutura que suporte a comunicação assistida ao vivo entre a sala de aula convencional e estudantes com deficiências auditivas, tal como entre surdos e ouvintes. Através desta tecnologia perspetiva-se a promoção de uma educação e sociedade mais inclusivas. Este projeto, financiado ao abrigo do programa ERASMUS+, dispõe de um orçamento de aproximadamente 300 mil euros envolvendo um total de 20 investigadores. A coordenação pertence ao GILT/ISEP, mas os trabalhos decorrem em parceria com outras entidades, nomeadamente a Câmara Municipal do Porto, a Universidade de Siegen (Alemanha), a Universidade de Maribor (Eslovénia), a Universidade de York (Reino Unido), a European Association of Career Guidance (Chipre) e o Technological Education Institute of Crete (Grécia).

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Prémio de Literatura Infantojuvenil Inclusiva "Todos Podem Ler"



A participação da sua escola/instituição/pessoa individual na criação de livros em formatos acessíveis a todos os alunos, assim como de outras instituições/pessoas interessadas, é muito importante!
Até ao momento, a coleção eBooks-Leitura Inclusiva, que integra as obras editadas no âmbito das 3 edições deste Prémio, atingiu os 12646 downloads.
Para mais informações consulte o regulamento do prémio.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Banco de Ajudas Técnicas Desportivas – Candidaturas abertas

As candidaturas ao Banco de Ajudas Técnicas Desportivas, da Associação Salvador estão abertas até ao dia 17 de maio.

Este Banco atribui equipamentos desportivos a pessoas com deficiência motora, cuja prática desportiva em diferentes níveis de competição possa estar limitada pela falta de recursos financeiros. A verba total prevista para atribuição de apoios é de 30.000 Euros.
Podem candidatar-se todas as pessoas com deficiência motora que querem começar a praticar desporto e/ ou querem melhorar o seu desempenho desportivo.
Em 2017, na 1ª edição do Banco de Ajudas Técnicas Desportivas, a Associação Salvador atribuiu equipamentos desportivos a 18 atletas portugueses.
A Associação Salvador vai realizar sessões de esclarecimento sobre o Banco para todos os atletas, técnicos, treinadores, nas seguintes datas:


20 de Abril, às 12h - Centro de Reabilitação Profissional de Gaia
23 de Abril , às 14h30 - Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro - Rovisco Pais, Tocha
24 de Abril, às 16h30 - Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão
26 de Abril, às 17h - IPDJ de Faro

Consulte mais informação sobre o Banco de Ajuda Técnicas Desportivas, o Regulamento e candidate-se online.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

É de Mortágua que saem ″olhos de quatro patas″ para todo o país

É de Mortágua que saem ″olhos de quatro patas″ para todo o país: Ao fim de anos a guiarem os cegos, os cães-guia começam a cansar-se e 'ganham direito ao descanso'. Uma reforma dourada. A Reportagem TSF desta semana foi conhecer a vida destes animais tão especiais.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Camp Abilities 2018 - Colónia Inclusiva para Crianças Cegas

Foto de Camp Abilities Portugal.


A 'Camp Abilities Portugal' é a adaptação de um modelo americano de colónias de férias para jovens com deficiência visual, que teve como motor de inovação o facto de os monitores serem também crianças e jovens, mas sem qualquer deficiência. Este é um programa único no nosso país.
A missão desta colónia é a INCLUSÃO, através da actividade desportiva, de crianças com deficiência visual e crianças ditas normais. Por um lado, os participantes com deficiência visual têm oportunidade de, num ambiente seguro, experimentar diversos desportos, actividades físicas e interagir em ambientes diferentes. Por outro lado, os jovens sem deficiência convivem e ajudam outros com deficiência visual, o que lhes permite conhecer de uma forma muito próxima as suas dificuldades, mas, também, o seu enorme potencial.
Divulgue este projeto junto dos pais de crianças invisuais totais, entre os 9 e os 16 anos, que saibam ler braille. Aceitamos inscrições até ao dia 15 de Maio 2018.
Fazer do mundo um lugar onde não haja exclusão depende de todos. Conceber e lutar pela realização deste projeto é a nossa contribuição.
Acompanhe a nossa aventura na página de Facebook:
https://www.facebook.com/Camp-Abilities-Portugal
SIC notícias | Reportagem 2015
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemespecial/2015-08-03-Impossivel-e-so-um-exagero-para-dificil

Camp Abilities Portugal
Associação de Actividade Motora Adaptada
Junta de Freguesia de Carnide
Largo das Pimenteiras, 6 A
1600-576 Lisboa
Tel. 217 121 330

 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

FORMAÇÃO
 Apresentamos o NOVO Curso de Desenvolvimento Pessoal e Social. Um curso que pretende capacitar os/as formandos/as através da aquisição de diversas competências sociais e pessoais, promovendo o acesso ao mercado de trabalho, potenciando a empregabilidade e a vulnerabilidade económica. 

Informações e inscrições:

 252 313 892
📩 formacao@acip.com.pt

Aprofundar a inclusão com o que se sabe

Sempre se soube que desenvolver na escola atual valores e práticas inclusivas é uma tarefa complexa e polémica. A complexidade da tarefa deve-se ao facto de a escola não ter sido criada para ser inclusiva e o processo de a tornar inclusiva para todos os alunos é uma tarefa difícil e que não se pode resolver com uma única medida, ainda que saibamos que se pode influenciar através de um conjunto articulado, persistente e direcionado de ações. É hoje consabido que medidas políticas, medidas de formação e de apoio aos projetos que se desenvolvem nas escolas são medidas que poderão aprofundar a inclusão.

Mas a inclusão também é polémica, apesar de as instituições internacionais com maior compromisso com os Direitos Humanos e com maior representatividade de peritos em Educação apontarem inequivocamente para a necessidade “universal” de desenvolver e aprimorar a Educação Inclusiva. Lembraria a este respeito (e muito sumariamente) cinco destas contribuições: a primeira é oriunda das Nações Unidas que, na Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (2006), cita explicitamente (art. 24.º) o direito a uma educação inclusiva para os alunos com deficiência. Outra referência é oriunda da UNESCO que, no recentemente publicado “A Guide for Ensuring Equity and Inclusion in Education” (2017), aponta critérios para contribuir para o aprofundamento da Educação Inclusiva em todas as escolas. Falaríamos ainda da OCDE que, analisando sistemas educativos mundiais, aponta a inclusão como um fator de qualidade nos sistemas educativos (2017). Já neste ano de 2018, a Comunidade Europeia publicou uma recomendação sobre a “Promoção de valores comuns, educação inclusiva e a dimensão europeia de ensino” (Rec. 7/2018). A encerrar esta breve súmula evocaríamos o documento “Social Inclusion of Children and Young People with Disabilities” (2013), do Conselho da Europa, onde se defende a educação inclusiva como meio fundamental para criar uma sociedade inclusiva.

Portugal tem dado passos muito significativos para acompanhar este poderoso e inequívoco movimento mundial a favor da inclusão, como pode ser por exemplo constatado no relatório “Portugal: Education and Training Monitor, 2017”, da Comissão Europeia. Ao longo do nosso regime democrático, foram-se descobrindo e aperfeiçoando modelos, estratégias e recursos que permitiram a Portugal ter uma das taxas mais elevadas de alunos com condições de deficiência a serem educados na escola regular. Por outro lado, e como tem sido abundantemente discutido por académicos, por associações profissionais, sindicatos e “profissionais de terreno” (posição corroborada ainda pelo grupo de peritos das Nações Unidas que visitou Portugal em 2016), temos ainda muito caminho a percorrer ao nível de encontrar respostas suficientes e competentes para abarcar uma tão grande quantidade e diversidade de necessidades. Podemos encontrar projetos e práticas inclusivas de muita valia em escolas portuguesas que coexistem com situações que, sem dúvida, precisamos melhorar. Seria, no entanto, ridículo, que as dificuldades que se encontram quando se quer responder a estas necessidades nos fizessem desistir dos valores que as informam. Seria como, por exemplo, ao constatar que existem ainda hoje no mundo situações de escravatura, argumentar que a sua abolição foi errada, inútil ou precipitada.

Encontra-se ainda em debate público uma proposta de lei sobre o “Regime jurídico da educação inclusiva no âmbito da Educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário”. Esta proposta esteve três meses em discussão pública e tem sido objeto de numerosas opiniões e de pareceres das mais variadas pessoas e entidades. Destes pareceres existem três que, pela colegialidade, idoneidade e pelo profundo conhecimento que estas entidades detêm sobre o funcionamento do sistema educativo, merecem particular atenção: o da Pró-Inclusão (Associação Nacional de Docentes de Educação Especial), o parecer do Conselho das Escolas e o parecer produzido pelo Conselho Nacional de Educação. Estes pareceres (que podem ser consultados nos sites das respetivas organizações) são unânimes em reforçar a correção do rumo, dos princípios e dos valores em que assenta a nova proposta de lei, ainda que apontem recomendações e sugestões sobre algumas matérias mais pragmáticas.

Todo este movimento coerente e persistente em favor de políticas inclusivas ao nível nacional e internacional não é, obviamente, unânime. E falando em posições “contracorrente” cabe referir o texto publicado neste jornal em 15 de abril, por Luís de Miranda Correia. Na verdade, a bem do debate de ideias, seria bom discutir este texto apaixonado e rude. Mas não é possível discutir estas ideias porque... não se encontra lá nenhuma. Nada. Leem-se sim estados de alma apocalíticos e adjetivações biliosas como, por exemplo, apelidar de incompetentes os consultores do projeto do Ministério da Educação (exceto talvez um?), ou classificar o parecer aprovado no Plenário do Conselho Nacional de Educação como de “ignorância confrangedora embebida de uma profunda ideologia anticientífica" (?). Ao ler um texto como este, entende-se bem o que é “ideologia anticientífica” (expressão cujo uso envergonharia um estudante de Ciências Humanas...). Esta “ideologia anticientífica” é aquela que em lugar de procurar evidências, progresso e futuro, anda à pesca triste e ansiosa tanto de “problemas” como de citações de atores “históricos” que possam ser aproveitadas e descontextualizadas para emprestar alguma credibilidade a ideologias próprias. E quando assim é, a contribuição para o debate é solitária, crispada e irrelevante. Há, enfim, pessoas que perderam o comboio, mas, mesmo assim, acham que estão a viajar em primeira classe.

David Rodrigues

Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial; Conselheiro Nacional de Educação

Fonte: Público