sexta-feira, 7 de abril de 2017
Crianças mergulharam na escuridão para sentir o que os cegos sentem
O que se sente na escuridão, no silêncio? O que se vê? Numa sala às escuras, com os olhos vendados, 21 alunos entre os seis e os 15 anos do Centro Helen Keller, em Lisboa, acabam de mergulhar nesta aventura, para a qual não iam preparados.
Aconteceu nesta segunda-feira. Sabiam que iam participar num workshop de escultura que tinha como nome Silêncio, mas sobre a parte da escuridão ninguém lhes falara antes. “A surpresa é um fator importante para responderem com maior espontaneidade”, justifica (...) o escultor Rui Chafes, autor da ideia para esta atividade e seu orientador.
Pela sala escura já tinha passado outro grupo. Os que agora estão sentados em filas de seis ignoram o que se passou com aqueles que os precederam. Têm à frente um pequeno tronco de madeira e um bloco de massa para moldarem.
“Cada um vai fazer uma escultura ou várias, mas do vosso mundo interior, que nunca viram”, exorta o escultor, 51 anos. Por isso, também, a importância do silêncio, da escuridão, das vendas (só três das crianças do grupo têm uma deficiência visual), porque assim “vão estar a usar só o tato, a tentar imaginar uma escultura dentro de vocês, mas também a tentarem perceberem como é o mundo para os vossos colegas invisuais, para se aproximarem ainda mais deles”, prossegue Rui Chafes.
Na sala não se ouve uma voz. As mãos vão trabalhando a massa. Uns em pedaços muito pequenos, outros avançando por dimensões maiores o que, segundo o escultor, que foi prémio Pessoa em 2015, apenas demonstra o que sabe há muito, que “o interior não tem escala”.
“Quando toco vejo”
Rui Chafes vai acompanhando os movimentos das mãos a moldar a massa. “Fico sempre fascinado”, confessa. Esta experiência com crianças é “uma coisa rara” na sua vida, mas, diz, veio comprovar que há uma “pureza” nos mais pequenos: “Dizem o que lhes vai na alma sem pensar duas vezes.”
Há quem trabalhe a massa para a depor no tronco que tem à frente, mas muitos ficam-se apenas pelo primeiro material. E depois há Ringo, 15 anos, o único da sala que não tem nenhuma visão: partiu o tronco em pequenos pedaços e em conjunto com a massa fez uma amálgama de texturas.
“Foi o que me veio à cabeça, o que fui sentindo com as mãos. É difícil de explicar”, diz sobre aquilo que fez quando, uma hora depois, as vendas são retiradas. Para ele não faz diferença, a escuridão permanece. Arrisca: “Quando toco vejo. É outra forma diferente de ver as coisas.”
João, 12 anos, que não tem nenhuma deficiência visual, imaginou logo um anjo e foi um anjo que lhe saiu das mãos no final do workshop. E porquê esta escolha? “Porque tenho muita sorte com o que vivo, com os meus amigos, com os meus pais, com tudo. É como se tivesse um anjo que me guarda.”
Na fila de trás, Ricardo, 13 anos, fez uma figura humana com uma mão na cabeça e uma porta de cada lado: “São portas de entrada e ele não sabe qual escolher. Simboliza onde temos de entrar no mundo, mas ele está confuso porque não sabe ainda. Eu próprio ainda não sei onde pertenço, que escolhas hei-fazer.”
Durante a atividade, há o som do mar proveniente de um gravador e também cheiros de incenso, alfazema, que vão sendo dados a cheirar aos alunos. Há quem se sobressalte de imediato, encaminhando o rosto na direção do cheiro, mas muitos outros nem reagem de tal modo estão entregues ao ato de moldar algo na escuridão.
O silêncio não existe
No final, Rui Chafes há de dizer-lhes que afinal o silêncio não existe. Enquanto a atividade durou ouviram-se os barulhos do recreio, os pavões que por ali passeavam, os sons do mar, mas é com esses ruídos que têm de procurar o “silêncio que há neles” e assim “desacelerar”. “O silêncio pode ser uma espécie de paz interior”, tinha dito antes (...).
“Num mundo saturado de ruídos”, o silêncio é também algo crucial para o diretor pedagógico do Centro Helen Keller, Pedro Coragem, 35 anos. Este colégio, que vai do jardim-de-infância ao 9.º ano do ensino básico, tornou-se conhecido, sobretudo, por receber crianças com deficiência visual. Hoje, estas são uma minoria.
Foi de Pedro Coragem que partiu a iniciativa de desafiar o escultor das sombras que também é Rui Chafes para prosseguir um dos princípios do seu mandato, iniciado em setembro passado: a inclusão pela arte. O outro pilar é a ecologia.
“A inclusão não passa só por falarmos da deficiência visual, mas sim por dar voz a estes miúdos, por exemplo fazendo os outros sentir a diferença que marca o mundo deles”, relata. Rui Chafes diz que mal lhe foi feito o convite, a ideia que agora pôs em prática surgiu-lhe de imediato. “Como o Centro Helen Keller tem por tradição acolher crianças invisuais, juntei duas noções: uma que desenvolvo muito, que é a da escultura como um mundo interior, que nos permite olhar para dentro de nós; a outra foi a de fazer com que os outros alunos tivessem uma compreensão de como os seus colegas [com deficiência visual] percebem o mundo.”
Na sala, já com a luz acesa e as vendas retiradas, alguns alunos relatam o que sentiram. “De olhos vendados o esforço para tentar perceber onde está tudo é enorme. Mostrou-nos que este é um mundo totalmente diferente”, resume um deles.
Fonte: Público
Aconteceu nesta segunda-feira. Sabiam que iam participar num workshop de escultura que tinha como nome Silêncio, mas sobre a parte da escuridão ninguém lhes falara antes. “A surpresa é um fator importante para responderem com maior espontaneidade”, justifica (...) o escultor Rui Chafes, autor da ideia para esta atividade e seu orientador.
Pela sala escura já tinha passado outro grupo. Os que agora estão sentados em filas de seis ignoram o que se passou com aqueles que os precederam. Têm à frente um pequeno tronco de madeira e um bloco de massa para moldarem.
“Cada um vai fazer uma escultura ou várias, mas do vosso mundo interior, que nunca viram”, exorta o escultor, 51 anos. Por isso, também, a importância do silêncio, da escuridão, das vendas (só três das crianças do grupo têm uma deficiência visual), porque assim “vão estar a usar só o tato, a tentar imaginar uma escultura dentro de vocês, mas também a tentarem perceberem como é o mundo para os vossos colegas invisuais, para se aproximarem ainda mais deles”, prossegue Rui Chafes.
Na sala não se ouve uma voz. As mãos vão trabalhando a massa. Uns em pedaços muito pequenos, outros avançando por dimensões maiores o que, segundo o escultor, que foi prémio Pessoa em 2015, apenas demonstra o que sabe há muito, que “o interior não tem escala”.
“Quando toco vejo”
Rui Chafes vai acompanhando os movimentos das mãos a moldar a massa. “Fico sempre fascinado”, confessa. Esta experiência com crianças é “uma coisa rara” na sua vida, mas, diz, veio comprovar que há uma “pureza” nos mais pequenos: “Dizem o que lhes vai na alma sem pensar duas vezes.”
Há quem trabalhe a massa para a depor no tronco que tem à frente, mas muitos ficam-se apenas pelo primeiro material. E depois há Ringo, 15 anos, o único da sala que não tem nenhuma visão: partiu o tronco em pequenos pedaços e em conjunto com a massa fez uma amálgama de texturas.
“Foi o que me veio à cabeça, o que fui sentindo com as mãos. É difícil de explicar”, diz sobre aquilo que fez quando, uma hora depois, as vendas são retiradas. Para ele não faz diferença, a escuridão permanece. Arrisca: “Quando toco vejo. É outra forma diferente de ver as coisas.”
João, 12 anos, que não tem nenhuma deficiência visual, imaginou logo um anjo e foi um anjo que lhe saiu das mãos no final do workshop. E porquê esta escolha? “Porque tenho muita sorte com o que vivo, com os meus amigos, com os meus pais, com tudo. É como se tivesse um anjo que me guarda.”
Na fila de trás, Ricardo, 13 anos, fez uma figura humana com uma mão na cabeça e uma porta de cada lado: “São portas de entrada e ele não sabe qual escolher. Simboliza onde temos de entrar no mundo, mas ele está confuso porque não sabe ainda. Eu próprio ainda não sei onde pertenço, que escolhas hei-fazer.”
Durante a atividade, há o som do mar proveniente de um gravador e também cheiros de incenso, alfazema, que vão sendo dados a cheirar aos alunos. Há quem se sobressalte de imediato, encaminhando o rosto na direção do cheiro, mas muitos outros nem reagem de tal modo estão entregues ao ato de moldar algo na escuridão.
O silêncio não existe
No final, Rui Chafes há de dizer-lhes que afinal o silêncio não existe. Enquanto a atividade durou ouviram-se os barulhos do recreio, os pavões que por ali passeavam, os sons do mar, mas é com esses ruídos que têm de procurar o “silêncio que há neles” e assim “desacelerar”. “O silêncio pode ser uma espécie de paz interior”, tinha dito antes (...).
“Num mundo saturado de ruídos”, o silêncio é também algo crucial para o diretor pedagógico do Centro Helen Keller, Pedro Coragem, 35 anos. Este colégio, que vai do jardim-de-infância ao 9.º ano do ensino básico, tornou-se conhecido, sobretudo, por receber crianças com deficiência visual. Hoje, estas são uma minoria.
Foi de Pedro Coragem que partiu a iniciativa de desafiar o escultor das sombras que também é Rui Chafes para prosseguir um dos princípios do seu mandato, iniciado em setembro passado: a inclusão pela arte. O outro pilar é a ecologia.
“A inclusão não passa só por falarmos da deficiência visual, mas sim por dar voz a estes miúdos, por exemplo fazendo os outros sentir a diferença que marca o mundo deles”, relata. Rui Chafes diz que mal lhe foi feito o convite, a ideia que agora pôs em prática surgiu-lhe de imediato. “Como o Centro Helen Keller tem por tradição acolher crianças invisuais, juntei duas noções: uma que desenvolvo muito, que é a da escultura como um mundo interior, que nos permite olhar para dentro de nós; a outra foi a de fazer com que os outros alunos tivessem uma compreensão de como os seus colegas [com deficiência visual] percebem o mundo.”
Na sala, já com a luz acesa e as vendas retiradas, alguns alunos relatam o que sentiram. “De olhos vendados o esforço para tentar perceber onde está tudo é enorme. Mostrou-nos que este é um mundo totalmente diferente”, resume um deles.
Fonte: Público
segunda-feira, 27 de março de 2017
Guia para Realização das Provas de Aferição – 2017
Tal como previsto, foi publicado o Guia para Realização das Provas de Aferição – 2017 onde são contempladas algumas condições na realização das referidas provas por parte dos alunos com necessidades educativas especiais.
Os alunos que se encontram ao abrigo do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro, e os alunos que, embora não estejam ao abrigo do mesmo diploma, apresentam problemas de saúde realizam as provas de aferição, podendo ser-lhes aplicadas condições especiais na realização das provas, de acordo com o Guia de Aplicação de Condições Especiais na Realização de Provas e Exames – 2017, com exceção da condição “prova a nível de escola”.
O facto de a condição “prova a nível de escola” não ser aplicável nas provas de aferição, em conformidade com as finalidades que presidem a este tipo de avaliação, não inviabiliza a adoção pela escola de outros instrumentos e técnicas de avaliação, a realizar em simultâneo ou não com as provas de aferição, que se poderão constituir como diagnósticos adequados e válidos, fornecendo informações detalhadas do desempenho escolar dos alunos.
Os alunos que se encontram ao abrigo do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de janeiro, com a medida Adequações no Processo de Matrícula só devem realizar as provas de aferição relativas às disciplinas que se encontram a frequentar no presente ano letivo.
As provas de aferição realizadas por alunos ao abrigo do Decreto-Lei n.º 3/2008 que se enquadrem nas situações que a seguir se discriminam são enviadas para os agrupamentos do JNE em envelope separado com a seguinte indicação no seu exterior:
a) Prova de aferição (código…) realizada por aluno com baixa visão ou com perturbações motoras graves com enunciado em formato digital com figuras;
b) Prova de aferição (código…) realizada por aluno com baixa visão ou com perturbações motoras graves com enunciado em formato digital sem figuras;
c) Prova de aferição (código…) realizada por aluno com baixa visão com enunciado ampliado em suporte de papel;
d) Prova de aferição (código…) realizada por aluno com baixa visão com enunciado em formato DAISY;
e) Prova de aferição (código…) realizada por aluno cego com enunciado em Braille;
f) Prova de aferição (código…) realizada por aluno com perturbações motoras graves com o recurso a produtos de apoio;
g) Prova de aferição (código …) realizada por aluno com surdez severa a profunda;
h) Prova de aferição (código…) realizada por aluno com dislexia, com a respetiva Ficha A e Nota Explicativa.
A escola deve assegurar as condições especiais de realização das provas de aferição para os alunos com necessidades educativas especiais, as quais são autorizadas pelo diretor da escola e registadas em plataforma eletrónica do JNE, que se encontrará disponível em http://area.dge.mec.pt/jnepa/ de 4 a 27 de abril.
quarta-feira, 22 de março de 2017
O sol nasce para todos: Nova proposta para currículos especiais será apres...
O sol nasce para todos: Nova proposta para currículos especiais será apres...: Nova proposta para currículos especiais será apresentada em breve Ler aqui.
"Educação Especial: um grito de mudança": Educação Inclusiva: à conquista das aprendizagens!...
"Educação Especial: um grito de mudança": Educação Inclusiva: à conquista das aprendizagens!...: Colaboração, com uma apresentação, na ESE de Santarém no âmbito da Pós Graduação em NEE e Perturbações Cognitivo-Emocionais. Educaçã...
terça-feira, 21 de março de 2017
ACAPO e ONCE oferecem bolsa de estudos para curso de fisioterapia em Espanha
Decorre até 30 de abril o prazo para apresentação de candidaturas a uma bolsa de estudos no curso de fisioterapia na Escola Universitária de Fisioterapia da Organização Nacional de Cegos Espanhóis, uma das mais prestigiadas academias de Espanha. Podem candidatar-se a esta bolsa todos os associados efetivos da ACAPO que possuam as quotas em dia, um bom domínio da língua espanhola falada e escrita, os requisitos gerais de acesso à universidade espanhola, sejam eficazes na leitura e escrita em Braille, carateres ampliados ou em suporte informático com apoio de tecnologias de acesso, dominem adequadas técnicas de orientação e mobilidade e, não tenham outras deficiências, para além da visual, que possam impedir o exercício da função para a qual o curso de destina.
Para mais informações contacte o Departamento de Relações Internacionais para o telefone 213 244 50, fax 213244501 ou e-mail relacoesinternacionais@acapo.pt.
FAFE REALIZA JORNADAS DE EDUCAÇÃO ESPECIAL
Estão abertas as inscrições para a segunda edição das Jornadas de Educação Especial 'Educação Inclusiva', que decorrem entre 4 e 5 de Maio, em Fafe.
Organizadas pelo Departamento de Educação Especial, do Agrupamento de Escolas Montelongo, com o apoio do Município de Fafe, estas Jornadas trazem, a Fafe, um conjunto de oradores que se propõem a partilhar novos saberes e experiências, sobre a Educação Inclusiva.
As inscrições, que decorrem até 7 de Abril, podem ser feitas através de Ficha online em http://aemontelongo.pt/ ou Ficha própria entregue na secretaria da EB Montelongo.
Organizadas pelo Departamento de Educação Especial, do Agrupamento de Escolas Montelongo, com o apoio do Município de Fafe, estas Jornadas trazem, a Fafe, um conjunto de oradores que se propõem a partilhar novos saberes e experiências, sobre a Educação Inclusiva.
As inscrições, que decorrem até 7 de Abril, podem ser feitas através de Ficha online em http://aemontelongo.pt/ ou Ficha própria entregue na secretaria da EB Montelongo.
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