domingo, 20 de novembro de 2016

Centro de Marcha e Corrida de Torres Novas com treinos para deficientes visuais


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A partir de novembro, o Centro de Marcha e Corrida de Torres Novas vai promover treinos específicos para deficientes visuais, num ação pioneira ao nível dos centros atualmente em funcionamento.

Os treinos irão decorrer nesta fase inicial às terças e quintas, das 18h às 19h30, no Estádio Municipal Dr. António Alves Vieira. O objetivo é, com o decorrer da atividade, transitar para dois percursos urbanos já identificados e «amigáveis» no que se refere a obstáculos e acessibilidade.

Desta forma, o Município de Torres Novas, através do seu Centro de Marcha e Corrida, pretende promover a prática desportiva para todos, fomentando também uma melhor integração da pessoa portadora de deficiência.

De salientar que o Centro de Marcha e Corrida de Torres Novas, criado em 2014, conta atualmente com 38 atletas inscritos, distribuídos por 3 pólos no concelho – Piscinas Municipais Fernando Cunha, Pedrogão, Casais Castelos (este ultimo a iniciar a sua atividade no dia 4 de Novembro). Tem como principais objetivos promover e incentivar a prática regular de atividade física da população, combater o sedentarismo e aumentar a oferta no que a possibilidades de prática de atividade física diz respeito.
 

Alunos com necessidades especiais também têm direito ao Erasmus


Os alunos com necessidades especiais podem ir estudar para o estrangeiro através do programa Erasmus e receber ajudas financeiras para necessidades tão variadas como ter alguém que os acompanhe durante as viagens ou mesmo durante toda a estadia.


"O programa Erasmus dá apoio a todos os alunos independentemente do seu tipo de necessidade, desde um jovem celíaco ou diabético até alunos com problemas mais graves. Agora é preciso espalhar a palavra", disse Pilar Bravo, da Agência Nacional Erasmus +, durante um seminário realizado nesta quarta-feira em Lisboa sobre o tema.


Pilar Bravo lançou o repto de "espalhar a palavra" numa tentativa de alterar a atual realidade que mostra que são raríssimos os alunos com necessidades especiais que estudam uns meses no estrangeiro.


O programa Erasmus está pensado de forma a garantir que todos têm os mesmos direitos, estando por isso previstos apoios financeiros destinados a garantir que terão direito a alojamento adaptado, assistência durante a viagem, despesas com assistentes ou ajudantes, assistência médica, consultas ou adaptação do manual didático, enumerou a responsável.


Questionada por uma aluna presente no seminário, Pilar Bravo garantiu que "as despesas com o acompanhante podem ser durante todo o tempo em que o aluno está no Programa Erasmus". "As ajudas são muito amplas e flexíveis, basta justificar as necessidades. O valor atribuído é adaptado ao gasto real do estudante", sublinhou.


Um ano de antecedência


Apesar de estarem previstas ajudas, são poucos os alunos que concorrem ao Erasmus e menos ainda os que têm necessidades especiais, lamentou por seu turno o vice-reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira, também presente no seminário organizado pela Erasmus Student Network, em colaboração com a Universidade de Lisboa."Tudo é motivo para desmotivar estes estudantes, que são muitas vezes talentosos. Às vezes é logo na própria família - que tem aquela vontade de proteger - que eles encontram a primeira barreira", disse Luís Ferreira, alertando para a "tendência de as mães 'hiper-protegerem' os seus filhos".


Assim, além da tradicional bolsa para estudar e verba para as viagens, os alunos com necessidades especiais podem ter apoio financeiro adicional, bastando para isso preencher o habitual formulário de candidatura, no qual os alunos fazem uma estimativa dos custos que vai ter.


"Um aluno que quer ir estudar para a universidade da Holanda e precisa de ir de táxi para as aulas, tem de calcular esse custo e apresentar a estimativa", exemplificou Pilar Bravo.


Rita Monteiro, do Departamento de Avaliação e Garantia de Qualidade, lembrou que as candidaturas ao programa Erasmus devem ser feitas com um ano de antecedência e, no caso dos alunos com necessidades especiais, ainda devem começar mais cedo, uma vez que são necessários mais documentos.


O primeiro passo, sublinhou Rita Monteiro, "é contactar o Gabinete de Relações Internacionais/Erasmus da escola" que frequentam e a partir dai iniciar todo o processo.


Fonte: Público

Diário da República acessível a cidadãos com deficiência visual

Segundo noticia o jornal Público, com as alterações introduzidas nas funcionalidades do Diário da República online, em 2017, os cidadãos portadores de deficiência visual vão passar a ouvir “as legendas dos ecrãs de pesquisa”, o que lhes permite entrar nos diplomas que pretendem.

7 coisas que não sabes sobre a língua gestual


A 15 de novembro, assinalou-se o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa. A VISÃO Júnior conta-te alguns factos super fixes sobre esta forma de comunicação tão especial!


Já reparaste naquela senhora que ocupa um pequeno quadradinho, no canto inferior da tua televisão, e que passa o noticiário a fazer gestos com as mãos? Ela é uma intérprete: está lá para ajudar as pessoas surdas a perceber o que se está a dizer na televisão, através da língua gestual.


A língua gestual é a forma de comunicação utilizada pelas pessoas surdas e por quem comunica com elas. Em vez de palavras sonoras, esta língua usa os movimentos das mãos e expressões faciais para "falar". É uma língua especial, com palavras e gramática próprias, diferentes das que usamos na linguagem oral (a linguagem falada).


DESCOBRE SETE CURIOSIDADES SUPER FIXES SOBRE A LÍNGUA GESTUAL!


1. Assim como em diferentes países se falam línguas diferentes, também a língua gestual varia com o país. Cada país pode ter os seus gestos para a mesma palavra.


2. Quem inventou o alfabeto manual (em que que cada gesto corresponde a uma letra do alfabeto) foi um sueco chamado Pär Aron Borg que era professor. Teve a ideia ao ver uma peça de teatro em que um menino surdo comunicava por gestos. Foi também ele quem trouxe o alfabeto manual para Portugal


3. Apesar de existir um alfabeto manual, habitualmente os surdos não o usam. Costumam comunicar por gestos que correspondem a palavras inteiras ou expressões completas (já imaginaste como era difícil se tivesses que dizer letra-a-letra todas as palavras que falas?),


4. A primeira escola de surdos portuguesa nasceu na Casa Pia de Lisboa, em 1823, por ordem do rei D. João VI.


5. Portugal foi o 6º país do mundo a reconhecer uma língua gestual nacional. Desde 15 de novembro de 1997 que a Constituição da República reconhece a Língua Gestual Portuguesa (data quem se assinala o dia nacional desta língua).


6. A Língua Gestual Portuguesa também é aprendida em África. É ensinada em vários países, como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.


7. Cada pessoa tem um nome especial em língua gestual. O nome gestual é uma espécie de alcunha e costuma depender de uma característica física ou psicológica da pessoa.


QUERES APRENDER LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA?

Na Escola Virtual de Língua Gestual Portuguesa - uma iniciativa da Associação de Surdos do Porto e da Escola Superior de Educação de Coimbra - podes aprender língua gestual online de forma gratuita! Só tens de fazer o teu registo no site e utilizar os materiais disponíveis para começar a aprender!


Fonte: Visão 

A pasteleira invisual que confeciona doces premiados

A pasteleira invisual que confeciona doces premiados: Na cozinha da associação Aurora Social, em Ponta Delgada, Manuela Bulhão dedica-se há duas décadas 'de corpo e alma' à confeção de doces, muitos dos quais já lhe valeram prémios, apesar de ser invisual desde os 21 anos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Azeitão Inclusivo nº 7 – JOSÉ PATRÍCIO, UM HOMEM COM A PARALISIA CEREBRAL NO CORAÇÃO, PELA INCLUSÃO

Azeitão Inclusivo nº 7 – JOSÉ PATRÍCIO, UM HOMEM COM A PARALISIA CEREBRAL NO CORAÇÃO, PELA INCLUSÃO

BENGALA BERNADETE


   

Metal, elástico, mãos habilidosas, e ela começa a surgir. É magrela, comprida e roliça, com uma proteção plástica na ponta que toca o chão. Primeiro, ela se encontra com outras iguais a ela.
 Você já sabe quem vai ser seu dono? — diz uma bem pequena.
— Ainda não, mas ouvi dizer que vamos viajar para longe. Estão montando as caixas em que vão nos embalar.
Todas estão excitadas, doidas para ganhar o mundo. Como bengalas que são, não querem ficar paradas; querem ganhar mundo, pois para isso foram feitas.
— Cada uma numa bolsa com outros materiais — diz o gerente aos operários.
Bernadete é colocada em uma bela sacola, depois de despedir-se das amigas. — Para onde será que elas vão? — pensa curiosa.
Na bolsa, durante a viagem, ela descobre amigos: dois punções e uma reglete, que servem para escrever; um tal de sorobã, que vive dizendo: «matemática é com o bom aqui!»; um pequeno engraçadinho, que tem o nome importante de «Guia de assinatura», mas que gosta mesmo de ser chamado de «assinador». Todos falam o tempo todo e estão doidos para trabalhar.
Chegando à mão do dono, que surpresa! Quando ele abre a bolsa e tira tudo de dentro, Bernadete descobre as amigas. Todas foram para o mesmo lugar. Eram vários jovens cegos, aliás, crianças ainda. Todos com bolsas cheias de materiais novos e curiosos para experimentar tudo.
— Legal! Minha bengala é do jeito que eu imaginei! — diz uma menina, tirando a sua bolsa e já testando como andar com ela — ela vai se chamar Bianca.
Os outros riram.
— Por que Bianca?
— Porque bengala tem que ter nome com B.
A brincadeira pegou, e nossa heroína foi batizada com o nome que já conhecemos: Bernadete.
Durante um tempo, ela ficou mais dentro da bolsa do que fora. Às vezes, quando o menino abria a bolsa para tirar punção, reglete ou sorobã, ela dava um impulso, saltava e se esticava toda. Todo mundo achava que era por causa do elástico novo, mas que nada. Era muita vontade que Bernadete tinha de correr mundo. Mas o menino a desarmava, dizendo:
— Caiu de novo.
E guardava outra vez. Quando ele ameaçava pegá-la realmente para ir a algum lugar, a mãe, ou o pai, ou a avó logo dizia:
— Guarda isso aí! Não precisa, eu vou te levar.
E lá ia Bernadete de novo para a bolsa. Já estava ficando deprimida. Pelas conversas que conseguia ouvir, sabia que suas amigas estavam andando por aí, vendo praias, parques, casas, entrando e saindo de ônibus, e ela não conhecia nada.
Um dia, no vestiário, depois da aula de natação, chegou o grande triunfo de nossa heroína. Seu dono foi informado de que não haveria a aula de informática por falta de luz, e um colega propôs:
— Por que, em vez de avisar em sua casa, você não vem comigo? Desço dois pontos depois da sua casa e posso te ensinar o caminho. Se você não fizer isso, nunca vão te deixar sair sozinho.
O colega tinha razão. Ele já tinha 18 anos e, apesar das insistentes conversas dos professores, os pais prometiam, mas não deixavam que saísse usando a bengala. Teria que ser no susto. Bernadete saiu da bolsa ardendo por trabalhar. O caminho era fascinante!: árvores, carros, muros, e ela ia ajudando o jovem a desviar de tudo.
— Que susto, menino! Como é que você veio parar aqui sozinho?! — perguntou a mãe quando o viu chegando.
— Sozinho não, mãe; com a bengala — disse ele se matando de rir.
Daquele dia em diante, Bernadete passou a trabalhar de verdade!: festas, casas de amigos, cursos, escola, banco, casa de parentes… Todos os roteiros se tornaram conhecidos para ela. Reviu amigas, conheceu outras colegas, entrou em buracos perigosos, de onde o dono a tirava com cuidado para que não quebrasse.
— Eca! « Caquinha de cachorro!» Era complicado desviar de tudo. Às vezes, ficava arrasada, quando o rapaz batia num orelhão, por exemplo, pois neste caso ela não podia fazer nada. Mas, com o tempo, aprendeu que isso era normal, fazia parte da vida, e que seu dono levava até com bom humor a situação toda.
O tempo passou e havia dias em que Bernadete ficava até cansada de tanto andar, mas não reclamava. Correspondia sempre da melhor maneira. Seu dono, agora, andava engravatado, frequentava tribunais e a guardava numa pasta elegante, mas não abria mão dela.
Um dia, conheceu outra bengala num canto de uma casa, onde estava rolando a maior festa e, pela maneira como seu dono e a dona da outra bengala chegaram rindo para busca-las, entendeu que ainda se veriam muitas vezes. Acertou. Durante três anos se encontravam muito, as duas, até que um dia passaram a viver na mesma casa, habitando a mesma prateleira do armário quando não estavam sendo usadas.
— Não confunda. Esta é a minha Bernadete. Ela tem nome desde que eu a ganhei — reclamou ele um dia quando a mulher quase pegou a bengala errada. Ele a reconhecia em qualquer lugar.
— Nem notei que ela era muito grande para mim — disse a moça rindo.
Depois de algum tempo, a responsabilidade de Bernadete aumentou: se ela falhasse, se não funcionasse a contento, o bebê podia cair dos braços do pai, ou da mãe que, às vezes, o marido conduzia, e ela levava isso muito a sério.
Um dia, porém, um acidente sério impediu Bernadete de continuar sua nobre tarefa: um buraco mais estreito, e a coitadinha ficou completamente torta.
— Vou comprar outra bengala! — disse o rapaz, decidido.
Bernadete entrou em crise. Achou que ia acabar no ferro-velho. Mas, quando a bengala nova chegou, o rapaz tomou uma decisão:
— Vou usar a nova, mas não vou me desfazer da minha primeira bengala. Foi com ela que me tornei independente. Ela me ensinou o quanto eu era capaz de andar sozinho. Preciso guardá-la.
Poucas vezes nossa personagem saía da prateleira; mas, quando isso acontecia, era para mostrar a algum dos filhos ou a quem conversasse com ele sobre autonomia e sobre sua vida, como Bernadete havia sido importante, e ela se sentia orgulhosa e valorizada.
FIM

Ξ
Bernadete
autora: Professora Carla Maria de Souza, Instituto Benjamin Constant.
fonte: «Pontinhos» n.º 354, julho / setembro de 2015
'Pontinhos' é uma revista trimestral infanto-jovenil editada pelo Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro