sexta-feira, 16 de setembro de 2016

José Macedo medalha de bronze no boccia

Portugal conquistou a terceira medalhas nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.



Parabéns!! 







terça-feira, 13 de setembro de 2016

LIVRO / DVD: O BEBÉ PERFEITO

Título: "O Bebé Perfeito"
Autora: Isabel Correia
Ilustradora: Bolota
Era uma vez, um bebé perfeito! Era uma vez, uma mãe com mãos que luziam como pirilampos!
Uma história de amor que valoriza a diferença, fazendo-nos repensar e redescobrir o significado de perfeição.
Este livro contém um DVD com narração em língua gestual portuguesa e locução em português. Pela primeira vez em Portugal, uma história foi transcrita em signwriting, um sistema de escrita das línguas gestuais, criado por Valerie Sutton nos anos 70, que permite escrever qualquer língua gestual através de símbolos que respeitam a organização gramatical, sintática e semântica dos gestos. O DVD contém um ficheiro em signwrinting (SW) que torna a história legível e que desmistifica a efemeridade e o estatuto de "língua ágrafa" da LGP.

Handbook of Early Childhood Special Education

Handbook of Early Childhood Special Education

Editors: Reichow, B., Boyd, B.A., Barton, E.E., Odom, S.L. (Eds.)

Deficientes visuais nos jogos paralímpicos

O atleta checo Petr Novak correndo cara a cara com seu script NICK LAHAM / GETTY IMAGESPETR NOVAK
Durante os Jogos Paralímpicos do Rio – realizados de 7 a 18 de setembro – muitos atletas não estarão sozinhos durante as provas. Com eles estão os guias: atletas e técnicos que os acompanham em determinados momentos da competição.

Natação
Abaixo, um resumo das técnicas utilizadas para ajudar os atletas com deficiências visuais.
No caso da natação, os atletas com problemas de visão competem com o auxílio do tapper na beira na piscina, a pessoa que os avisa quando estão prestes a chegar ao final, para que girem e finalizem a prova.
De acordo com a explicação da Federação Espanhola de Esportes para Cegos à Verne, esse papel costuma ser exercido pelos técnicos e treinadores de cada atleta, que com uma ferramenta personalizada dão leves toques na cabeça dos nadadores. Existem diversos dispositivos para o tapping. O mais comum é o bastão com espuma sintética em um dos lados. Para aperfeiçoar a técnica, o norte-americano Tharon Drake disse, por exemplo, que testou até mesmo uma vara de pescar com isca artificial.
Dentro da piscina, para não sair de suas raias, os nadadores com deficiência visual encostam nas cordas que separam as balizas. Além disso, o regulamento obriga todos os nadadores que competem na categoria S11 a levar óculos escuros. Dessa forma, os que têm certo grau de percepção competem nas mesmas condições dos que perderam completamente a visão.

Ciclismo

Os atletas com deficiência visual competem na modalidade tandem com um guia com visão na categoria B dos Jogos Paralímpicos. O piloto com visão fica na parte da frente e como copiloto, na parte de trás da bicicleta, fica a pessoa com deficiência visual.
No site Alto Rendimento, Pedro García – preparador físico e competidor no tandem com Fernando Pérez Hornero – explica que nessa modalidade é fundamental trabalhar durante os treinamentos com a coordenação e a confiança entre os dois corredores. Os dois ciclistas não só devem pedalar na mesma sintonia, como também devem sair da bicicleta, virar e manter o equilíbrio ao mesmo tempo em situações complicadas.
Os representantes espanhóis Joan Font e Ignacio Ávila, que competirão no tandem no Rio, costumam contar em suas respectivas contas do Instagram como realizam os treinamentos e as provas que disputam juntos.

Atletismo

De acordo com a Federação, só existem três provas que os atletas com deficiência visual não podem competir: as de obstáculos, as corridas com barreiras e o salto em altura. Podem competir nas outras provas de atletismo adaptando-se às modificações previstas no regulamento.
Nessa categoria existem dois tipos de acompanhantes: os guias atletas, que entram na pista durante as corridas, e os guias indicadores, que orientam os atletas nas provas de salto e nos lançamentos de disco e pelo.
Pedro Maroto, técnico responsável pelo atletismo paralímpico, conta ao EL PAÍS por e-mail do Rio de Janeiro que os guias hoje em dia são “quase profissionais. Precisam ter uma marca melhor que o atleta e se o atletismo sobe o nível, os guias também precisam fazê-lo”. Os treinamentos, diz Maroto, são realizados de forma conjunta e “a coordenação entre ambos é essencial, sendo até mesmo interessante que tenham as mesmas medidas antropométricas”.
Os guias atletas utilizam uma corda para competir unidos pela mão. Segundo Maroto as cordas devem respeitar duas regras: “Não serem elásticas e não medirem mais de um metro”. Além disso, guia e atleta “devem sempre correr juntos e os guias não podem impulsionar e empurrar seu atleta”. Nesse vídeo é possível acompanhar a ação do jovem velocista Gerard Descarrega e seu acompanhante Marcos Blanquiño.
Na prova de Maratona a regulamentação do Comitê Paralímpico Internacional permite que cada deficiente visual leve dois guias, que podem revezar nas quilometragens 10, 20 e 30.
Os guias indicadores, por sua vez, avisam o momento exato em que o atleta deve realizar um salto ou lançamento para orientá-lo na zona regulamentar e evitar que pise, por exemplo, nas linhas de penalização. Maroto explica que isso é feito “com palmas, vozes ou outra orientação acústica”. Nas provas de salto em distância, a tábua de impulsão é substituída por uma marca de cal que permite medir o salto do ponto exato em que se produz a última pegada.
O russo Sevostianov inicia carreira antes de escutar as indicações de seu treinador para pular 
O arremessador de disco e peso David Casinos, tetracampeão nos Jogos Paralímpicos, tem um canal do YouTube em que explica as normas seguidas por ele e sua treinadora. No seu caso, conta ele, além das indicações do guia, é fundamental a orientação da cabeça e o trabalho de pernas para arremessar o objeto na direção desejada.

Triatlo (Categoria: PT5)

Diferentemente de outras corridas de fundo como a maratona, onde os paralímpicos cegos contam com dois guias – que se revezam na metade da prova –, na categoria PT5 de triatlo os competidores levam um único guia para as três modalidades, como explica o regulamento da Federação Internacional de Triatlo. Guia e competidor devem ser do mesmo sexo e nacionalidade.
Héctor Catalá, campeão da Espanha e da Europa de triatlo PT5, explica em seu blog como trabalha com seu guia durante a corrida: “Na natação vamos unidos pela cintura ou perna, e é o guia que nos dirige para as boias”, conta. “No ciclismo é onde mais nos diferenciamos, já que usamos uma bicicleta de dois lugares. Por sermos duas pessoas fazendo força sobre a mesma transmissão, em circuitos planos, voamos. Na subida, a vantagem já não é tão evidente”. Depois, na corrida, “há duas opções, amarrados pelo cinto portadorsal ou com uma corda, segurando uma ponta cada um”.
Os Jogos Paralímpicos do Rio serão os primeiros da história em que haverá competição de triatlo.

Golbol

O golbol é um esporte criado especificamente para esportistas com deficiência visual e, portanto, não é necessário utilizar guias externos. Nessa modalidade “participam duas equipes de três jogadores cada uma”, explica a Federação Espanhola de Esportes para Cegos em seu site. “Vale-se principalmente da audição para detectar a trajetória da bola em jogo (que tem guizos em seu interior) e requer, além disso, uma grande capacidade espacial para saber se posicionar, a cada momento, no local mais apropriado, com o objetivo de interceptar ou lançar a bola”.
Todas as linhas do campo, um retângulo de 18 metros de comprimento por 9 de largura, são marcadas em relevo para que sejam reconhecíveis ao tato.

Futebol

Nos jogos do Rio existem duas modalidades de futebol: o futebol de 7, para diferentes graus de deficiência, e o futebol de 5, exclusivo para deficientes visuais. Esta modalidade, conforme explica o regulamento da Federação Internacional de Esportes para Cegos, é jogada em terreno descoberto para permitir uma acústica ideal. Os três terços do campo são demarcados e, atrás dos gols, encontra-se a área de guias.
As funções do guia, conforme explica o pesguisador Guido Gastón Suárez em seu artigo Importância do papel de guia no futebol para deficientes visuais, são: orientar aos jogadores no terço ofensivo do campo, indicar a distância de um jogador até o gol, informar do número de defensores que um jogador tem entre o gol adversário e ele mesmo, ajudar a saber o ângulo do gol, indicar a posição dos companheiros e orientar os jogadores quando devem ir para a defesa.
Assim como no golbol, a bola é equipada com guizos para que os jogadores saibam sua posição e trajetória.

Judô

O judô é, conforme explica o site da Federação Espanhola de Esportes para Cegos, uma das modalidades com menos modificações em relação à olímpica. “Existe somente uma modificação do regulamento, que determina que as provas devem começar com os dois esportistas agarrados”, descreve. “Se os judocas se soltarem em algum momento, o árbitro interromperá a prova para que voltem a se agarrar”.
Além dos gestos convencionais com que os juízes se comunicam, o judô para deficientes visuais inclui novos sinais auditivos e táteis para transmitir as decisões aos esportistas. Por exemplo, o regulamento de judô da Federação Internacional de Esportistas Cegos determina que “cada vez que o árbitro anunciar um ponto ou penalidade, além de utilizar o termo e o gesto convencionais, deverá anunciar ao (azul) ou shiro (branco), em função do atleta em questão”.
No judô paralímpico competem somente atletas com deficiência visual. Não há categorização e os competidores são divididos por peso, da mesma maneira que os atletas não deficientes.
A yudoca Mónica Merenciano agarrada a sua oponente antes de iniciar seu combate em Londres 2012

Remo

No remo olímpico não existe, por enquanto, uma categoria só para pessoas cegas, mas na modalidade LTA4+, de embarcações de quatro atletas, podem participar até dois atletas com deficiência visual. O regulamento de remo paralímpico detalha que, devido à inclusão dos para-atletas, “o juiz de saída dará às tripulações uma indicação verbal adicional” além da bandeira ou do sinal luminoso.

Uma ideia para iniciar este ano letivo.

Filme conta a história do primeiro dia de aula de uma menina com paralisa cerebral e provoca debate sobre inclusão


Tudo começou com um livro. Por que Heloísa narra a primeira infância de uma menina que tem paralisia cerebral. Na obra, a autora Cristiana Soares aborda as dificuldades que uma criança com deficiência enfrenta – em casa e na escola. A trajetória de Heloísa é baseada em uma história real e agora virou um filme de animação. O curta tem o mesmo nome e foco no primeiro dia de aula de uma pessoa com paralisia cerebral em uma escola comum.
O projeto Por que Heloísa tomou corpo, ainda, com um blog. Outro exemplo é o documentário Todos com Todos, que registra experiências de inclusão de crianças com deficiência em escolas da rede pública e privada. O livro, o blog e os filmes são oportunidades de professores e instituições adotarem a tecnologia a favor da inclusão. Todos os materias estão disponíveis na internet e são gratuitos.

Muitos parabéns! Que orgulho!


Parabéns Portugal!
Equipa BC1-BC2 ganha medalha de bronze. E deste modo conseguimos a segunda medalha para Portugal nesta edição dos Jogos Paralímpicos de 2016

Prémio Champalimaud


fonte: Público

 


Três dos premiados 2016

Um milhão de euros para distribuir por quatro cientistas que querem manter, regenerar e reparar as ligações no complexo circuito entre os nossos olhos e o cérebro. Christine Holt, Carol Mason, John Flanagan e Carla Shatz são os premiados.

Para que consiga ver estas palavras, algo de muito complexo acontece no seu cérebro numa fracção de segundo. É preciso que um complicado sistema com ligações, células, neurónios, proteínas funcione. Alguns estudos, desenvolvidos nas últimas duas décadas, têm conseguido explicar certos momentos desta enigmática viagem no cérebro que começa nos olhos e podem ser essenciais para novas terapias para problemas de visão e também para doenças neurodegenerativas. Quatro cientistas que conseguiram avanços importantes nesta área recebem esta terça-feira o Prémio António Champalimaud de Visão 2016 de um milhão de euros.

No desenvolvimento do embrião há células especializadas nos olhos que começam a enviar um fino cabo a partir do olho até ao cérebro que, no final, formará o nervo óptico. Quando falamos em nervo óptico parece que é uma só estrutura mas, na verdade, este nervo é feito de milhões de minúsculos axónios, os “cabos” nos neurónios que transmitem os impulsos nervosos a outros neurónios. Essas são as estruturas que levam a informação visual dos olhos até ao cérebro e que fazem com que sejamos capazes de ver.

A incrível viagem dos axónios
Durante a “instalação” deste complexo sistema de cabos e ligações, ainda no útero, os axónios passam por várias regiões cerebrais, viram à direita e à esquerda, passam por cruzamentos e rotundas até à meta – os alvos (sinápticos) no nosso cérebro.

“Uma enorme façanha de navegação” feita com muita precisão e que nos faz pensar que estes axónios têm uma espécie de GPS, como sublinha Christine Holt, investigadora na Universidade de Cambridge, do Reino Unido, e agora premiada. “O que estamos a tentar descobrir é como se orientam, o que é que guia estes axónios e os mantém no caminho certo para os alvos correctos”, resume a investigadora que adianta ainda que nos últimos 20 anos já se percebeu, por exemplo, que nesta viagem há algumas zonas importantes que atraem ou repelem os axónios. A investigação de Christine Holt debruça-se sobre os mecanismos (que podem ser moléculas) existentes nestas zonas e que guiam os axónios. “Se aquela molécula não estiver lá ou existir numa quantidade reduzida temos um problema grave de visão”, explica. A cientista também percebeu que o axónio é capaz de sintetizar novas proteínas em resposta a alguns sinais, revelando “uma impressionante capacidade de adaptação destas estruturas”.

Para já, os cientistas tentam perceber os mecanismos deste complexo sistema. Mas o objectivo é depois podermos interferir neste emaranhado de cabos e fios para corrigir problemas. “Se não soubermos como funciona o motor do carro não podemos repará-lo. Estamos a tentar perceber como tudo está montado e só depois vamos conseguir intervir. Esperamos que a nossa investigação venha a ter um impacto na reparação de danos causados por trauma, por exemplo. Outro aspecto será a possibilidade de intervir no campo da neuro-regeneração para doenças neurodegenerativas porque percebemos que alguns destes mecanismos que estamos a estudar são importantes para manter o axónio a funcionar depois de ele estar instalado e ligado”, refere Christine Holt ao PÚBLICO.

Os “semáforos”
Carol Mason, outra das vencedoras do prémio, também investiga o desenvolvimento do sistema visual na Universidade de Columbia, Estados Unidos. O seu trabalho centra-se sobretudo num momento especial da instalação deste sistema chamado “quiasmo óptico” e que, de forma simplista, consiste numa zona em que os axónios formam umas rotundas e um cruzamento no nosso cérebro.

“Para conseguirmos ver todo o campo visual, metade das células nervosas de um olho passam para o outro lado do cérebro no quiasmo óptico e a outra metade cresce para o mesmo lado do cérebro. O que estudamos é a forma como as células nervosas fazem esta navegação dual, ou seja, cruzam ou não cruzam o quiasmo óptico. Percebemos que há sinais no quiasmo óptico que funcionam quase como semáforos (que neste caso são moléculas) que dizem às células para atravessar ou não e que as células também têm receptores (moléculas) que interpretam estes sinais”, explicou ao PÚBLICO.

Em doenças como o glaucoma, em que assistimos à morte ou graves danos de células nervosas ou mesmo outro tipo de casos, como lesões traumáticas, acidentes vasculares cerebrais ou doenças neurodegenerativas, a grande questão é como fazer com que as células regenerem. “Uma maneira de estimular o crescimento de células nervosas no cérebro adulto poderá passar por restaurar a acção dos receptores identificados na fase de desenvolvimento embrionário [e que nessa etapa ajudam os neurónios a crescer]”, explicou ao PÚBLICO. “Conseguir que as células nervosas regenerem e restaurem as ligações no cérebro adulto é o sonho”, resume.

A maquinaria molecular

John Flanagan, que trabalha na Universidade de Oxford, em Inglaterra, também está empenhado em esclarecer como todo o sistema é criado e ligado no cérebro durante o desenvolvimento embrionário. “Conseguimos identificar alguns mecanismos moleculares importantes que “dizem” às células quando crescer e que podem servir para resolver problemas no cérebro adulto”, diz ao PÚBLICO, adiantando que estes mecanismos são sinais extracelulares e que o próprio axónio da célula tem uma “maquinaria” que responde a esses sinais.

Carla Shatz é outra das cientistas premiadas mas que não está presente na entrega do milhão de euros do Instituto Champalimaud pois esta terça-feira recebe também o Prémio Kavli de Neurociência, ou seja, mais uma milhão de euros mas a dividir por três investigadores. A cientista da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que soma prémios e milhões, passou a carreira a tentar decifrar o que acontece durante o desenvolvimento do cérebro, particularmente na região que recebe informação dos olhos. Entre outros avanços, descobriu que os neurónios expressam genes que antes se pensava serem exclusivos de células do sistema imunitário. A investigação de Carla Shatz e da sua equipa será relevante para esclarecer o funcionamento do cérebro e perturbações do desenvolvimento como o Autismo e a Esquizofrenia, mas também para perceber como é que o sistema nervoso e imunitário interagem.

Christine Holt, Carol Mason, John Flanagan e Carla Shatz têm muito em comum. Querem esclarecer o que se passa no cérebro durante o seu desenvolvimento para conseguirmos ver e, assim, perceber como podemos intervir quando surgem problemas na idade adulta. Escolheram o caminho feito de um emaranhado de "cabos" que parte dos olhos. Têm o mesmo sonho, a mesma visão. E agora têm também um milhão de euros para dividir.