sexta-feira, 29 de julho de 2016

Polícias de todo o país recebem formação de Língua Gestual

Polícias de todo o país recebem formação de Língua Gestual: Vinte e dois agentes da PSP de todo o país terminaram esta quarta-feira o primeiro curso de Curso de Língua Gestual Portuguesa dirigido a polícias, para facilitar a comunicação e promover os direitos da comunidade surda.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Dicas para adaptar a casa de pessoas com deficiência

Acessibilidade
Algumas adaptações na casa onde moram pessoas com deficiência ou  com mobilidade reduzida são necessárias para proporcionar autonomia e  tornar a vida mais fácil.
A NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas trata exclusivamente do assunto e traz todas as referências a respeito das modificações em edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Veja as principais mudanças a serem feitas:
1-Pessoas que usam cadeiras de rodas ou mesmo andadores e bengalas e também com visão comprometida têm muita dificuldade para se locomover em pisos inclinados ou em espaços com escadas. Portanto, a primeira modificação é providenciar rampas e o nivelamento de pisos. Prefira sempre pisos antiderrapantes e elimine todos os tapetes da casa. No caso das rampas, há um padrão adequado para a sua construção. Do contrário, um cadeirante, por exemplo, não vai conseguir conduzir sozinho sua cadeira, pois não terá força suficiente para impulsioná-la em aclives e falta de segurança em declives. Uma rampa apropriada para cadeirante deve ter, no máximo, 8% de inclinação. Em espaços públicos, a rampa deve oferecer ainda patamares de descanso.
Em uma residência, a construção de rampas nem sempre é viável por conta da falta de espaço suficiente. Quanto maior o desnível, mais longa é a rampa. Neste caso, é preciso fazer um estudo detalhado do imóvel para oferecer patamares com espaço suficiente para um cadeirante poder manobrar sem risco de acidente. Há ainda a oferta de plataformas elevatórias, cadeiras elevatórias ou elevadores residenciais. Mas o custo infelizmente ainda é alto.
2-Corredores largos são essenciais também. Cadeirantes, pessoas com bengalas, muletas ou andadores precisam de, no mínimo, um metro para se locomoverem sem se chocar com as paredes.
3-Para cadeirantes são essenciais também utilizar portas mais largas – 90 cm no mínimo. O peitoril de janela pode baixar para 70 cm de altura para cadeirantes, mas não é ideal para idosos ou crianças que circulam bem.
4-Portas e janelas devem ter maçanetas e puxadores especiais para o caso de a pessoa não ter braços ou mãos com atividade plena. No caso de residência para cadeirante, aconselha-se ainda a proteção metálica ou reforçada para a parte inferior das portas. Isso aumenta sua vida útil, já que pequenas colisões da cadeira são inevitáveis.
5- Nos dormitórios, prefira móveis de cantos arredondados para evitar ferimentos. Closet ou guarda-roupas devem ter projeto especial para facilitar o acesso a calçados e roupas. Acessórios que facilitam a manipulação e acomodação de cabides já existem no mercado. O ideal é contar com móveis de portas de correr, pois ocupam menos espaço e são mais práticas, em especial para os cadeirantes. Para eles, é preciso prever ainda o espaço de circulação da cadeira (1,5 m x 1,5 m é o mínimo para uma cadeira de rodas girar em seu próprio eixo). Ele deve ser suficiente para a manobra livre e a transferência da pessoa para a cama. Por isso, o ideal é que a cama não seja encostada na parede. O mesmo espaço é exigido nos banheiros.
6- Tomadas e principalmente interruptores de luz devem estar na altura adequada para o deficiente alcançá-los. O ideal é fazer o projeto personalizado. Controles, botões, teclas e similares devem ser acionados através de pressão ou de alavanca.
7- No banheiro, os cuidados são redobrados. Além do piso antiderrapante é preciso providenciar barras de apoio. Mas antes de comprar tais barras, o consumidor deve estar atento à qualidade. As barras devem atender à Norma 9050 da ABNT – que estabelece dimensões e resistência apropriadas – e ainda às normas NBR 10283 e NBR 11003, que se referem à resistência à corrosão. As barras devem ser inteiramente de aço inox, incluindo suportes e parafusos de fixação sextavados. Do contrário, o risco de oxidação e de acidente é certo. As barras também devem ter empunhadura correta para evitar que a pessoa prenda o braço entre a alça e a parede, causando fratura.
8- Há no mercado inúmeros modelos de barras com as mais variadas funções. Em lojas especializadas há também suportes para lavatório, espelhos com inclinação (por ficar permanentemente sentado, o cadeirante tem dificuldade de utilizar espelhos planos), bancos articulados para banho (porque nem toda pessoa com mobilidade reduzida consegue tomar banho em pé), elevação para vaso sanitário (assentos mais altos para facilitar a transferência da cadeira para o vaso sanitário) e metais sanitários (torneiras, registros etc.) com sistema de acionamento diferenciado.
Projetos mais sofisticados oferecem ainda a instalação nos banheiros de sistema de comunicação interna na residência – interfone – para casos de emergência.
9- Na cozinha, um bom projeto deve dar garantia de circulação segura, aproximação e alcance dos utensílios. As pias devem possuir altura de no máximo 85 centímetros, com altura livre de, no mínimo, 73 centímetros. Bancada posicionada no centro da cozinha confere maior praticidade, principalmente se o fogão ou cooktop estiver nela – o acesso às bocas fica mais fácil. O melhor é utilizar fogões, fornos ou cooktops elétricos, pois, sem a presença do fogo na cocção, o trabalho torna-se mais seguro.
10- Além dos pisos antiderrapantes, se a pessoa sofrer de deficiência visual, uma boa solução é usar materiais de cores contrastes para alertar sobre a presença de degraus ou qualquer outra alteração no piso ou ainda nas paredes. Para estes usuários é importante também o uso adequado de texturas nas paredes. Mas, no geral, é correto evitar revestimentos ásperos que podem machucar.

Vibrating footwear could help astronauts, visually impaired skirt obstacles

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sábado, 23 de julho de 2016

Pokémon Go ajuda aprendizagem de crianças autistas

Fonte TVI24

Escola para crianças com necessidades educativas especiais incentiva alunos a jogarem nas salas de aula. Estudo revelou que o jogo pode ajudar as crianças autistas a concentrarem-se nos estudos. 

Alunos australianos com necessidades especiais estão a ser incentivados a jogar Pokémon Go, dentro e fora das salas de aula.

A notícia pode chocar os mais "info-excluídos", mas os resultados de um estudo sobre os efeitos positivos do jogo na sociabilidade e aprendizagem de crianças autistas dão força à tese defendida por um investigador australiano.

Craig Smith, professor e investigador especialista em autismo, concluiu que, ao ser permitido às crianças autistas jogarem Pokémon Go dentro e fora das salas de aula, a capacidade de interação social melhora e o nível de concentração nos estudos aumenta.

Neste sentido, a escola para crianças com onde leciona, na Austrália, incentiva os seus alunos a aderirem ao maior fenómeno dos jogos de realidade aumentada dos últimos tempos.

Para muitas das crianças, é difícil envolverem-se em atividades sociais. Mas com a loucura dos Pokémons estes alunos estão a conversar uns com os outros e a encorajar-se mutuamente a participar em atividades socais através do jogo", disse o especialista ao jornal The Independent.

O especialista considera que para uma criança com dificuldade de aprendizagem, interação e convívio, o Pokémon Go quebra barreiras nunca antes ultrapassadas por outro método ou técnica de ensino. Assim sendo, jogar Pokémon Go trata-se de uma mais-valia por diversos motivos, uma vez que incentiva estas crianças a brincar no exterior e a interagir com outras pessoas.

O jogo dá às crianças a confiança para superarem os seus limites sociais", acrescentou Smith.

O especialista indicou ainda que, tal como muitos outros professores, acredita que todas as escolas, não só as que se dedicam a necessidades educativas especiais, devem aderir a esta tendência. Craig Smith espera que os docentes considerem os seus conselhos e passem a usar o jogo como uma ferramenta de aprendizagem. E dá exemplos:

O jogo pode ser usado como revistas ambulantes onde os alunos são convidados a seguirem uma história ou um mapa, e isso vai ajudá-los a desenvolver competências como a criatividade e até mesmo melhorar as suas habilidades matemáticas"

O Pokémon Go surgiu no mundo das aplicações para telemóvel como a galinha dos ovos de ouro da Nintendo eestá a contagiar o mundo. Só em Portugal, o número deutilizadores já ultrapassou um milhão desde sexta-feira. O objetivo recorda a série de desenhos animados e manda "apanhá-los todos", para isso o jogador tem de seguir o caminho indicado na aplicação até encontrar o Pokémon e capturá-lo.

rograma provisório das V Jornadas Deficiência Visual & Intervenção Precoce, sobre a temática. "LITERACIA emergente para a cegueira".

A ANIP organiza a V Jornadas Deficiência Visual & Intervenção Precoce – Literacia Emergente para a Cegueira, que têm lugar em Coimbra, no próximo dia 28 de outubro de 2016.

A motivar esta iniciativa apresenta-se a conjuntura atual onde muitas crianças com cegueira de idades precoces têm um acesso muito restrito a um dos meios mais prodigiosos para a educação, cultura e desenvolvimento pessoal do ser humano: o livro, bem como outros recursos promotores da sua alfabetização.

Se tem interesse por esta área e tema, não perca a oportunidade. Inscreva-se já! formacao@anip.net

No JL de 20 julho 2016: A igualdade de oportunidades e a Lei de Bases do Sistema Educativo

No JL de 20 julho 2016:
A igualdade de oportunidades e a Lei de Bases do Sistema Educativo
Ana Maria Bettencourt*
A aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE) em 1986, teve por base um importante compromisso que abriu caminho para a expansão do acesso à educação e para a consolidação da arquitetura do sistema educativo. Ao longo das décadas, a LBSE tem constituído um travão (ainda que insuficiente) ao deambular das políticas e aos caprichos de alguns decisores. É tempo de comemorar os trinta anos daquele importante momento na história da educação em Portugal e de abrir espaço para uma reflexão que possa conduzir a novos entendimentos.
A preocupação com a igualdade de oportunidades
O acesso, o sucesso e a educação de segunda oportunidade são linhas de força da LBSE, que proclama o direito “a uma justa e efectiva igualdade de oportunidades no acesso e sucesso escolares” (artº 1 nº 2) e a “uma escolaridade de segunda oportunidade”(artº 3 alínea i). A generalização da escolaridade obrigatória ao ensino básico de nove anos foi acompanhada de um ideal porventura menos consensual e que veio a revelar-se mais difícil de atingir na sociedade portuguesa: o assumir de um tronco verdadeiramente comum, uma formação geral comum a todos os portugueses (lembre-se a “experiência“ recente que visava ressuscitar o ensino dual).
Trata-se de uma orientação que importa salvaguardar em eventuais revisões da LBSE, dotando o sistema de condições que lhe garantam consistência.
A LBSE foi um importante impulso em matéria de acesso à educação desde o pré-escolar, aos ensinos básico, secundário e superior.
Nos anos que se seguiram à aprovação da LBSE houve progressos assinaláveis em matéria de acesso a todos os níveis de ensino. Se considerarmos por exemplo a educação pré-escolar e o ensino pós- primário verifica-se que no início da década de 1980 tardavam em progredir. Segundo a Pordata, a taxa real de escolarização no pré-escolar era ainda de 14,2% em 1980, tendo passado para 71,6% em 2000. No mesmo período, a taxa de escolarização no 3º ciclo do ensino básico passou de 25,8%, para 83,9%. Durante este tempo foi necessário um grande investimento em infraestruturas e na formação de professores. Investimento que terá de se intensificar em matéria de acesso designadamente nos ensinos secundário e superior e na educação de adultos. Para além da LBSE, a integração europeia constituiu um fator de pressão para a escolarização dos portugueses.
O direito ao sucesso escolar ficou muito aquém dos ideais traçados em 1986. Há que repensar a escola, a sua organização, os programas, a pedagogia.
A generalização do acesso bem como a crescente diversidade cultural e étnica da população escolar trouxe grande complexidade pedagógica à escola portuguesa bem como acentuada dificuldade em combater o insucesso escolar e assumir uma maior responsabilidade pelas aprendizagens. A acumulação pelos alunos de dificuldades contribui para perpetuar as desigualdades. A correção desta situação passará pela reorganização do trabalho nas escolas, dos modos como esta se relaciona com o mundo, com o conhecimento, com a cultura e com a ciência. É necessário repensar os currículos e os programas de modo a que, como indica a LBSE, seja possível assegurar “o equilíbrio entre o saber e o saber fazer, a teoria e a prática, a cultura escolar e a cultura do quotidiano”(ensino básico, artº 7 alínea b). A LBSE aponta outros caminhos pouco concretizados, por exemplo, no que diz respeito à educação para a cidadania, ao desenvolvimento da autonomia dos alunos, da capacidade de trabalho e do gosto pela atualização de conhecimentos.
A estrutura do ensino básico organizada em três ciclos obriga os alunos a difíceis transições. Esta situação foi justificada pela gestão de uma herança do Ensino Preparatório e pela qualificação dos professores. Mas é absurdo hoje, perante uma escolaridade obrigatória de 12 anos haver professores confinados ao longo de toda a sua vida profissional a dois anos dessa escolaridade! É importante criar condições de reconversão científica e pedagógica de modo a que os professores possam acompanhar os seus alunos ao longo de vários anos.
Os trinta anos de vigência da Lei de Bases demonstraram que a sequencialidade progressiva que ela defendia e em que muitos acreditavam se tornou impraticável face ao peso da lógica disciplinar e à organização existente. De facto, salvo raras exceções, na prática não existe uma organização do ensino que tenha em conta a diversidade das aprendizagens realizadas nos ciclos precedentes, os progressos alcançados e as dificuldades não ultrapassadas; pelo contrário, o ensino tem sido perspetivado em função das etapas mais avançadas da escolaridade. A experiencia de acompanhamento de projetos de promoção do sucesso escolar levou-me a constatar como é difícil, com a estrutura atual, criar transições graduais e apoios eficazes aos alunos. Como seria diferente se a escola pudesse privilegiar a continuidade das equipas pedagógicas e a estabilidade dos docentes na escola. Como seria diferente com um currículo a funcionar, por exemplo por áreas e projetos transdisciplinares, com programas mais reduzidos e consequentes com a evolução e generalização do acesso ao conhecimento. Apesar das dificuldades há agrupamentos que conseguiram diminuir as ruturas existentes entre ciclos, graças a grandes esforços. Nada justifica porém perpetuar hoje uma organização que penaliza os alunos mais pobres comprometendo a igualdade de oportunidades e adiando o objetivo da construção de um verdadeiro tronco comum.
A escolaridade obrigatória de doze anos é também um fator que obriga a repensar a sua estrutura e sequência.
O Direito à educação de segunda oportunidade
O Direito à educação de segunda oportunidade foi consagrado na LBSE, onde se previa que se destinasse designadamente aos excluídos ou aos que pretenderiam completar a formação profissional, cultural ou tecnológica. Dada a estrutura de qualificação da população portuguesa, esta seria porventura a área de maior urgência em matéria de educação, tanto mais que poderia funcionar como promotora de sucesso das gerações mais jovens e de igualdade de oportunidades. A educação de adultos, que deve ir para além da educação de segunda oportunidade e abarcar conceitos como a educação ao longo da vida e a educação permanente, tem sido uma área mal compreendida e objeto de instabilidade política verificada por exemplo no programa “Novas Oportunidades” que o Governo anterior decapitou.
A igualdade de oportunidades e o ensino superior
O sistema binário consagrado na LBSE é um fator de desigualdade no acesso ao ensino superior.
A criação e desenvolvimento do ensino politécnico tem constituído um importante meio de expansão do acesso ao ensino superior, de apoio ao desenvolvimento regional e dinamização local.
No entanto, a rigidez de interpretação do sistema binário deu origem à existência de desigualdades, contrariando o que a LBSE estipulava para o ensino superior: democraticidade, equidade e igualdade de oportunidades (artº 12 nº 2,alínea a). Em grande parte dos cursos, sobretudo naqueles que são comuns aos dois subsistemas, a opção dos alunos é significativamente condicionada pela sua origem sociocultural.
A arquitetura do sistema binário baseou-se no equívoco de que seria possível a criação de dois mundos perfeitamente diferenciados. Com o passar do tempo as fronteiras foram-se diluindo, tendo a universidade e politécnico assumido de modo concorrencial grande parte das formações originalmente definidas como pertencendo à especificidade do ensino politécnico. As restrições inerentes a uma equívoca “pureza “ do sistema foram sendo aplicadas sobretudo ao ensino politécnico. Esta situação verifica-se para diversas formações, designadamente no que diz respeito à outorga de doutoramentos pelo ensino politécnico, mesmo quando estes têm a capacidade de provar disporem das condições definidas oficialmente para o fazer. Os politécnicos têm vindo a ser afetados no que poderia ser o desenvolvimento da especificidade da sua investigação, uma vez que os doutoramentos dos seus docentes são realizados na universidade. Por outro lado, se levada à letra, seria absurda a exclusão das universidades da investigação que deveria ser desenvolvida no politécnico “aplicada e de desenvolvimento, dirigida à compreensão e resolução de problemas concretos” (artº 11, nº 4). Onde caberia a investigação no domínio da medicina por exemplo?
As atualizações da LBSE neste domínio (2005 e 2013) aprofundaram a cultura de “pecado original” e são reveladoras de preconceitos e incapacidade de reconhecer a evolução do ensino superior no seu conjunto.
É importante que as alterações à LBSE tenham em conta o conhecimento da realidade e constituam passos para a democratização da educação e para o desenvolvimento do país.
Agora que a vida política nos demonstrou ser possível haver entendimentos políticos impensáveis há uns tempos, vamos acreditar que também na educação é possível encontrar plataformas que garantam estabilidade e uma progressão segura.
A existência de novos compromissos pode ser decisiva como já o foi em 1986.
*Presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Lisboa

Educação Especial: Da Avaliação à Intervenção

Educação Especial: Da Avaliação à Intervenção