quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O que perdeu Ray e a minha Mãe não?

Eis uma forma simples, divertida e inteligente de apresentar algumas das soluções que melhoram o dia-a-dia das pessoas com deficiência visual. O conceito do vídeo vale por si.

domingo, 18 de outubro de 2015

Facebook procura desenvolver "app" para invisuais

fonte: JN



Tendo noção do quão visual é o "feed" de notícias no Facebook, a empresa encontra-se agora a trabalhar numa solução que permita aos invisuais "ver" as imagens que os amigos partilham.
"Se pensar o quanto o feed de notícias é visual - e provavelmente é grande parte - e a frequência com que as pessoas fazem um comentário ou dizem algo sobre o que é partilhado, mas sem dizer realmente o que está na foto", consegue perceber-se a necessidade da aplicação que os engenheiros da Facebook estão a desenvolver, diz primeiro engenheiro cego daquela rede social, Matt King.
O Facebook liga 1500 milhões de pessoas em todo o mundo, mas é complicado de acompanhar para aqueles que são invisuais. "Então, para alguém como eu [invisual], é um pouco como, ok, o que se está a passar aqui? Do que é que estão a discutir?", acrescenta King, em declarações ao site "TechCruch", especializado em tecnologia.

De momento, os invisuais têm acesso a "screen readers", ferramenta que permite identificar o que o ecrã mostra, o que permite perceber o que é escrito na rede, mas não tem qualquer efeito nas fotos que são mostradas.

Para combater isso, procuram desenvolver um objeto de reconhecimento, baseado em inteligência artificial, para ajudar os invisuais a ter uma ideia do que está nas fotos que as pessoas partilham na rede. Numa mensagem áudio que começa com "esta imagem poderá conter", a ferramenta descreveria tópicos da mesma. Por exemplo, numa foto de um pôr do sol numa praia a descrição poderia ser natureza, nuvens, exterior.

King confessa que a aplicação ainda está longe de ser vista como um produto final. "Pode não estar a 100% ainda, mas mesmo que esteja apenas a meio, o nível de comprometimento e a alegria que tenho é como ir de 0% para 50% do que é possível", diz.

"É um passo enorme, mas apenas vai ficar melhor daqui para a frente. Considero que a boa vontade da Facebook em investir em áreas como esta realmente excitante e apenas mais uma forma de ligar as pessoas com deficiências a uma grande experiência", acrescenta o engenheiro.

King, que se encontra a trabalhar na rede social há apenas quatro meses, confessa que tem noção que a tecnologia relacionada com os "screen readers" ainda está pouco desenvolvida. Porém, procura melhorar a experiência na rede, e mesmo na web, para aqueles que não conseguem ver o que os rodeia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015


15 de Outubro - dia internacional da bengala branca

Hoje é o dia internacional da bengala branca. 

Uma data importante para as pessoas com deficiência visual: representa a independência, liberdade e confiança das pessoas cegas.
Não esquecemos desta no nosso agrupamento de escolas.

Português, atleta, campeão internacional e... cego




Conheça o invisual que leva o nosso hino ao atletismo mundial.

É cego desde nascença, pratica atletismo há 20 anos e já conquistou sete medalhas de ouro em campeonatos do Mundo e da Europa. Nuno Alves começou a treinar quando saiu do campo para ir viver para a cidade. "Faltava-me um bocadinho de actividade física para libertar a adrenalina", contou ao CM o atleta natural de Tourém.

É na pista que Nuno se esquece que a cegueira o diferencia dos demais atletas. "A única coisa que penso é que tenho de ganhar aos outros e mais nada. Tento ouvir a informação do guia sobre os adversários e penso chegar à meta o mais rápido possível".

Com 40 anos, quando não está a correr, o medalhado é assistente operacional e trabalha na Fundação para a Ciência e Tecnologia. Sente-se triste "por não poder ser atleta a tempo inteiro", já que o que recebe por mês por ser atleta paralímpico está longe de chegar. É que em Portugal "não se vê o desporto para deficientes da mesma maneira que outros desportos", o que influencia o desempenho face aos adversários de outros países.

No entanto, não é por isso que Nuno deixa de acordar muito cedo, e de se deitar tarde, para poder conciliar os treinos e o trabalho. Nota-se que é uma pessoa de objetivos - as medalhas conquistadas são as primeiras a falar por ele, nesse campo - e o próximo é o campeonato do mundo.


Ouro, hino e lágrimas

"A primeira vez que fui campeão do mundo senti-me realizado e emocionado por pôr o hino a tocar por Portugal". Foi em 2007, em São Paulo, recorda o atleta.

Ricardo Abreu também é atleta, neste caso atleta guia, ou seja, acompanha Nuno em todos os treinos e provas. Fá-lo há três anos, altura em que deixou o seu percurso individual para começar os treinos específicos para exercer a sua tarefa. "É uma função muito gratificante e vivo as vitórias como se fossem minhas", diz com orgulho.

Já Nuno, refere-se a Ricardo sempre com um sorriso no rosto. Explica que o guia tem de ter um nível muito elevado para estar à altura deste tipo de desafio, mas não só: "também tem de ser um amigo. Nós passamos muitas horas por semana juntos e estar acompanhado por uma pessoa com quem temos boa relação é determinante".

"Nuno não é cego"

O Clube de Atletismo de Pedro Pessoa na Sobreda, em Almada, que este ano começa a época com 60 atletas, é o clube que Nuno escolheu para continuar a praticar desporto. Para Pedro Pessoa, presidente e treinador, "Nuno não é cego".

O responsável desportivo sublinha que há um trabalho diário para que o atleta tenha os melhores resultados possíveis. "Todos os exercícios que faço com os outros tento fazer com ele. Nunca o exclui. Uma vez fomos correr para a praia e eu disse-lhe logo que não fosse encostado a mim. Dei-lhe duas opções: ou vais para dentro de água ou vais para a areia seca. E deixei-o ir à vontade. Deixei-o livre".


"Não há mais cegos em Portugal? Eu treino-os!"

O treinador garante que não recebe qualquer apoio do Estado português por ter um atleta invisual. "Ter o Nuno no clube, ou não ter, é igual a nível de apoios". Mas não é isso que o trava, pelo contrário. O que o motiva é de tal ordem grande que não hesitou em aproveitar a reportagem do CM para deixar um convite: "Eu posso treinar mais cegos. Será que não há cegos em Portugal? Em Almada não há cegos? Não há miúdos? Eu aceito-os".

Campeão da Europa de 5 mil metros e vice-campeão de 1500 metros, Nuno recebeu o Prémio de Mérito Desportivo do Estado Português em setembro. O prémio monetário é para dividir entre o treinador, o atleta e o clube, mas o presidente decidiu diferente, para melhor, entenda-se.

Pedro Pessoa deliberou, juntamente com a direção que o acompanha, que o dinheiro destinado ao clube será dividido pelos atletas guias, Ricardo Abreu e João Montes (outro guia que acompanha Nuno, mas apenas nalguns treinos). "Este prémio só nos é atribuído pelos prémios que o Nuno tem ganho. É igual para os atletas sem deficiência. Se não ganhasse, não recebia nada", justifica o presidente.


Mais esforço, menos apoio

O Comité Paralímpico de Portugal confirmou ao CM que o valor da bolsa de alto rendimento mensal, para atletas do escalão 1, como é Nuno Alves, é de 518€. Já o Comité Olímpico confirmou que um atleta olímpico, do mesmo escalão, recebe 1375€/mês. O mesmo desporto, os mesmos treinos e as mesmas conquistas. A diferença está, neste caso, nos menos 857€ a que Nuno não tem direito, simplesmente por... ser cego.
 

domingo, 11 de outubro de 2015

Portaria n.º 341/2015, de 9 de outubro

Portaria n.º 341/2015, de 9 de outubro, cria e regulamenta as normas de organização, funcionamento, avaliação e certificação da oferta formativa de cursos vocacionais de nível Básico e de nível Secundário nas escolas públicas e privadas sob tutela do Ministério da Educação e Ciência, sem prejuízo de ofertas que outras entidades possam vir a desenvolver.

Determina-se que o ingresso nos cursos vocacionais deve ser precedido de um processo de orientação vocacional realizado pelo psicólogo escolar que fundamente ser esta via adequada às necessidades de formação do aluno, correspondente aos seus interesses vocacionais e, no caso daqueles com necessidades educativas especiais, ajustada ao seu perfil de funcionalidade (cf. n.º 3 do art.º 5.º).