quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Uma questão perfumada...(artigo Jornal I)

O tipo e a qualidade de apoio que uma sociedade dá às pessoas com deficiência é um espelho directo do grau de civilização e humanismo dessa sociedade


“Reparei que pões perfume à tua filha.” A pergunta caiu assim, de repente, e a mãe da Vera ficou surpresa. “Porque não?”, retorquiu. “Não pões à tua?” As duas crianças, de dois anos de idade, estavam frente a frente, nos respectivos carrinhos de passeio, a Francisca agitando-se, rindo, fazendo caretas para a Vera. Esta, com paralisia cerebral, emitia sons e tentava libertar-se da cinta que a mantinha na posição de sentada.
“Sim, ponho, isso é um facto... mas a Francisca é normal, quer dizer, a Vera, como é assim, não deve dar muito por isso… foi por isso que achei original.”
A mãe da Vera disse, com um tom calmo: “Sabes que a Vera, por ser ‘assim’, como tu dizes, tem algumas funções muito desenvolvidas, como é o caso do olfacto. E pondo-lhe um perfume bom estará também protegida quando encontra pessoas rançosas e mentalmente malcheirosas. Percebes a ideia...”
E enquanto a conversa terminava logo ali, a Francisca despedia-se da Vera acenando-lhe um adeus e a Vera tentava sorrir, mesmo que com muita dificuldade.
Foi decidido! Hoje ninguém anda de óculos. É, leitor, quer ler o i, procurar um livro na sua livraria preferida ou até escolher um CD para ouvir em casa? Paciência. Queria ir ao banco e acabou no sapateiro… azar! E… cuidado com essas escadas. Ui! Deve ter doído, esse trambolhão. Não sabe onde está o seu carro? Nem sabe ler as matrículas? Ah! Já nem reconhece os seus filhos entre as várias crianças que estão na escola. Pois é… tudo isto porque hoje não o deixaram usar os seus óculos, você, um deficiente que sem a sua prótese ocular se transforma numa pessoa com handicap.
Agora imagine que este sonho (pesadelo, leia-se) é real para muitos e que estes ainda são desconsiderados pelos outros, que se julgam superiores na escala humana? 
Ainda não nos convencemos de que o caminho não é “integrar”, ou seja, dar umas benesses aos “pobres desgraçados”, mas construir uma sociedade e um meio ambiente onde todos possam estar. Todos temos deficiências, só que algumas são aceites e outras não. O que é injusto. O que não é decente. O que fere os valores fundamentais da humanidade!
Mesmo com enormes melhorias e avanços, há ainda que lutar para que as pessoas portadoras de deficiência, seja qual for o seu grau de handicap, vivam plenamente a cidadania. A variedade do tecido social é a sua maior “mais-valia”. Aliada a esta concepção do mundo está a questão da qualidade de vida e de como este conceito, associado aos conceitos de felicidade, auto-estima, respeito por si e pelos outros e participação, constitui os objectivos individuais e sociais, ao nível dos diversos ecossistemas, numa perspectiva solidária e complementar da sociedade. Uma sociedade onde todos possam, se quiserem, “usar perfume”, pesem ainda as muitas barreiras, obstáculos e dificuldades que se colocam no quotidiano da pessoa com deficiência e da sua família.
A sociedade é composta por diversas matizes e cada um de nós, mesmo vendo-nos a nós próprios como “sem deficiência”, temos também uma série de “fraquezas” e mesmo handicaps, os quais muitas vezes nos causam até maior impacte social e relacional do que as consideradas deficiências “tradicionais” – veja-se a timidez, por exemplo. A complementaridade do tecido social e a participação de todos na vida comum é a única maneira de potenciar toda a riqueza da espécie humana.
É por isso que a mãe da Vera lhe põe perfume, tal como a mãe da Francisca… todavia, na atitude preconceituosa da mãe da segunda é que reside a diferença conceptual e civilizacional.
Pediatra

Prémio de Inovação Tecnológica Eng.º Jaime Filipe

Convidam-se os investigadores e inventores, das áreas do design e das tecnologias a participar na edição 2015 do Prémio Engenheiro Jaime Filipe. As candidaturas podem ser apresentadas, por pessoas singulares ou coletivas, de 10 de julho a 30 de setembro.

Este prémio visa promover a invenção de equipamentos, instrumentos, utensílios e tecnologias que aumentem a autonomia das pessoas com deficiência nos actos da vida diária, pessoal e social, que estimulem eprolonguem as suas capacidades físicas, cognitivas e sociais, e contribuam para uma maior qualidade de vida.

Participe e divulgue esta informação a todas as pessoas que desenvolvam a sua atividade nos processos de inclusão e participação das pessoas com deficiência.


Devo partilhar o diagnóstico? - Life&Style

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domingo, 23 de agosto de 2015

Software de fala de Stephen Hawking está disponível gratuitamente

A Intel acabou de lançar o mesmo sistema de voz utilizado por Stephen Hawking como um software de código livre. Dessa maneira, a companhia acredita que os desenvolvedores vão expandir o uso da aplicação e descobrir novas formas de utilizar a tecnologia.

Chamado de Assistive Context-Aware Toolkit (ACAT), a ferramenta permite que os usuários usem computadores com poucos movimentos físicos — tanto que ela foi desenvolvida para Hawking, que possui esclerose lateral amiotrófica (ALS). O físico usava o ACAT para transformar os movimentos faciais em texto e, posteriormente, voz.

"Nossa esperança é que, ao deixar a plataforma configurável em código livre, os desenvolvedores vão continuar expandindo o sistema e adicionando novas interfaces para os usuários, novas modalidades de sensibilidade, predição de palavras e outros recursos", comentou Sai Prasad, dono do ACAT, no site da Intel.

A ferramenta é constituída por três partes: um sensor infravermelho ou uma webcam que detecta os movimentos faciais, uma interface que seleciona letras para formar palavras e um software de predição para entender a mensagem que o usuário deseja passar.

O ACAT é gratuito e está disponível apenas para PCs. É importante notar que o código livre não é voltado para os usuários finais, mas sim para desenvolvedores. O link para download está aqui (ele também inclui um guia de uso com técnicas avançadas de navegação).


Fonte: TecMundo 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Número de alunos com necessidades especiais aumentou 73,5% em cinco anos

Em cinco anos, entre 2010/2011 e 2014/2015, o número de alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE) a estudar em escolas regulares aumentou 73,5%, passando de 45.395 para 78.763, segundo revelam dados divulgados recentemente pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.

Um aumento que já era esperado devido ao alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, mas que segundo o presidente da Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, David Rodrigues, se deve também a um crescendo das “dificuldades sentidas pelos alunos face aos programas e metas curriculares mais exigentes” que têm sido adotados. 

“Há cada vez mais alunos que são diferentes do estudante padrão para os quais os programas e as metas são concebidos. E as escolas têm muitas dificuldades em encontrar outra resposta para eles que não seja o acompanhamento pela educação especial“, refere David Rodrigues.

João Adelino Santos, professor e autor do blogue Incluso, tem uma perspetiva diferente e fala antes de uma “maior consciencialização” quer por parte dos docentes, como dos pais, “que deixaram de encarar as necessidades educativas especiais ou a educação especial como um estigma para os seus educandos e passaram a reclamar os seus direitos”. “Os docentes estão mais sensibilizados para as dificuldades de aprendizagem decorrentes de aparentes limitações estruturais e funcionais e referenciam os alunos mais precocemente na tentativa de esbater as dificuldades de aprendizagem e, consequentemente, combater o insucesso escolar”, especifica.

Este professor chama também a atenção para o impacto do alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, lembrando que “antes da aplicação desta obrigatoriedade, uma fatia muito significativa dos alunos com necessidades educativas especiais abandonava o sistema educativo no final do 9.º ano de escolaridade”. O primeiro lote de alunos abrangido pela nova escolaridade obrigatória chegou ao ensino secundário em 2012/2013. Nesse ano o número de alunos com NEE neste nível de ensino (5426) quase duplicou em relação ao registado em 2010/2011 (2997). No ano passado tinha subido para 8978.

Sobre o aumento do número destes alunos, João Adelino Santos lembra ainda que os estudantes com NEE que prosseguiam estudos faziam-no habitualmente em escolas profissionais, dadas as suas “aparentes dificuldades de aprendizagem”. O facto de atualmente serem as escolas públicas que concentram grande parte da oferta de cursos profissionais “teve o efeito de manter esses alunos nestas escolas, ainda que na modalidade de ensino profissional. Ou seja, os alunos passaram a permanecer mais tempo e em maior número no sistema educativo regular e a serem considerados também para efeitos estatísticos”, acrescenta.

David Rodrigues alerta que se pode estar a caminho de “um sistema de ensino muito diferente, com os alunos que apresentem dificuldades a serem desviados precocemente para as vias profissionalizantes ou currículos alternativos, porque não existem os apoios que seriam necessários” nas escolas.

Considera-se que um aluno tem necessidades educativas especiais quando apresenta dificuldades no processo de aprendizagem e participação, devendo nestes casos ser apoiados pela educação especial. Há as chamadas NEE de caráter temporário, em que se incluem os alunos com problemas ligeiros de desenvolvimento ou de aprendizagem. E as permanentes, onde se incluem os alunos com deficiência mental, com problemas de cegueira e de surdez, entre outros.

Segundo os dados divulgados pela DGEEC, entre os alunos com NEE os dois grupos mais representados integram os que apresentam dificuldades na aquisição de competências e na execução de tarefas. Um aluno pode ter dificuldades em vários níveis em simultâneo. Em 2013/2014, último ano com esta informação, dos 63.657 alunos com NEE a estudar em escolas regulares, 60.498 estavam no primeiro grupo e 48.165 no segundo.

As medidas mais frequentes adotadas pela educação especial são o chamado “apoio pedagógico personalizado”, que no ano letivo passado abrangeu 70.182 alunos, e as “adequações no processo de avaliação”, destinadas a estudantes com NEE permanentes e que foi aplicada a 64.453.

Dos 78.763 estudantes identificados como tendo necessidades educativas, apenas 13.937 estavam abrangidos por currículos específicos individuais, a medida adotada para os casos mais severos, onde se substitui as competências definidas para cada nível de educação para as adaptar às características e necessidades de cada aluno. A medida menos aplicada foi a da adequação no processo e matrícula, através da qual os alunos com NEE permanentes têm condições especiais de acesso às escolas, podendo por exemplo frequentar estabelecimentos que não estejam na sua área de residência ou matricular-se por disciplina. Foi aplicada a 6752 alunos.


Fonte: Público

EDUPROFS: Necessidades Especiais de Educação, ano 2014/2015

EDUPROFS: Necessidades Especiais de Educação, ano 2014/2015: A DGEEC apresenta os principais resultados relativos a necessidades especiais de educação, ano letivo 2014/2015 . Continuando a produçã...

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkianno âmbito do concurso "Educação Especial 2015"

Projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkianno âmbito do concurso "Educação Especial 2015". Muito interessante e útil para quem trabalha na área.
Mais informações posso reenviar mail com indicações mais pormenorizadas da referida formação. 
Deixo link com formulário de pré-inscrição:http://ei3.me/2015mupei/