terça-feira, 31 de março de 2015

Cegos não conseguem abrir contas em bancos, denuncia a Acapo

fonte: Público
 
Símbolo do Banco de Portugal“Para os bancos nacionais todos os cegos estão interditos", diz a Acapo. Banco de Portugal diz que está disponível para com a Acapo, ou qualquer outra associação, fazer a análise da situação e resolver eventuais problemas.
São cada vez mais as queixas de associados da Acapo — Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal “que se vêem impedidos de celebrar contratos de abertura de conta bancária e outros”. A denúncia foi feita nesta sexta-feira, pela direcção nacional da associação, num encontro com jornalistas, em Lisboa.

A associação diz mesmo que vai “recorrer aos meios judiciais que tem ao seu dispor para proteger os seus associados” contra o que considera ser uma prática discriminatória.

“Os bancos recusam que uma pessoa cega abra uma conta”, diz na Ana Sofia Antunes, presidente da direcção nacional da Acapo. Alegam que não conseguem garantir que essa pessoa tome conhecimento do conteúdo dos documentos que lhe são dados a assinar e que as pessoas cegas não sabem ler. “Mas as pessoas sabem ler e sabem escrever, só que não é com o código utilizado pelas pessoas que estão nos bancos”, prossegue.

A actuação dos bancos, pelo menos de alguns, estará relacionada, segundo Ana Sofia Antunes, com novas orientações, emitidas recentemente, do Banco de Portugal (BdP). Contactado pelo PÚBLICO o BdP faz saber através do gabinete de comunicação que "está inteiramente disponível para, em conjunto com a ACAPO e/ou com qualquer outra associação similar, analisar a situação relatada e, sendo o caso, adotar as medidas necessárias tendentes à sua eliminação".

Acrescenta contudo a seguinte nota: "No que se refere às normas regulamentares do Banco de Portugal sobre prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo (Aviso nº 5/2013, de 18 de Dezembro) e, em particular, aos requisitos ali previstos para abertura de contas bancárias, julgamos não preverem as mesmas quaisquer procedimentos que possam inibir ou dificultar o relacionamento das instituições de crédito com as pessoas portadoras de deficiência visual."

A Acapo conta outra realidade, onde as dificuldades estão bem presentes. “As pessoas cegas sabem ler e são os bancos que não disponibilizam formas de aceder aos conteúdos, nomeadamente em formato electrónico, nem tão pouco autorizam os seus funcionários a fazer uma leitura presencial” dos documentos, diz a dirigente da Acapo.
“Os bancos exigem a presença de notário ou advogado para reconhecimento presencial de assinaturas e termo de autenticação dos documentos assinados pelas pessoas cegas, o que acarreta custos que os particulares têm de suportar.”

Nalguns casos, prossegue a Acapo, exige-se uma “assinatura a rogo” — ou seja, alguém assina pela pessoa com deficiência visual, perante notário. Isto, “mesmo quando as pessoas cegas sabem assinar”.

Na prática, diz a Acapo, aplica-se às pessoas cegas o regime de interdição previsto no Código Civil — que diz no seu artigo 138 que
“podem ser interditos do exercício dos seus direitos todos aqueles que por anomalia psíquica, surdez-mudez ou cegueira se mostrem incapazes de governar suas pessoas e bens”. Em suma: “Para os bancos nacionais todos os cegos estão interditos.”
Para a Acapo, isto viola o direito internacional e nacional, nomeadamente a Convenção sobre os direitos das Pessoas com Deficiência e a Constituição da República Portuguesa.
 

Projecto português cria plataforma digital móvel para dar mais autonomia a cegos


fonte: Público


A plataforma pretende facilitar as actividades quotidianas (NELSON GARRIDO)

Plataforma CE4BLIND pretende ajudar à leitura de textos, ementas de restaurantes ou ao reconhecimento de embalagens alimentares.
O Inesc Tec - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores - Tecnologia e Ciência (Inesc Tec) do Porto, juntamente com a Universidade do Texas e a Acapo — Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, está a desenvolver uma plataforma digital móvel para garantir uma maior autonomia dos invisuais nas suas actividades diárias.

A plataforma CE4BLIND pretende tirar partido dos últimos avanços tecnológicos ao nível dos dispositivos móveis e câmaras miniaturizadas, permitindo aos cegos e às pessoas com capacidade de visão reduzida mais facilidades nas actividades quotidianas.

João Barroso, investigador do Inesc Tec e responsável pelo projecto, explica que com a CE4BLIND será possível "a leitura automática de texto de livros, revistas, ementas de restaurantes ou o reconhecimento de embalagens alimentares", tudo com "recurso a técnicas de visão por computador". No projecto vão ainda ser exploradas novas formas de interpretação de dados 3D de objectos estáticos e em movimento, o que irá permitir uma melhor percepção do mundo real.

Actualmente existem diversos meios adaptados às necessidades das pessoas cegas e/ou com capacidade de visão reduzida, desde smartphones, que possibilitam o reconhecimento de objectos através de uma fotografia, a tablets com teclados braille.

A plataforma em desenvolvimento será concebida de forma a não ser necessário alterar as rotina dos invisuais, através de uma interface natural, e será usada por um grupo de utilizadores de uma forma adaptada às suas características e limitações.

No âmbito da parceria, a Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, fica responsável pela ligação do projecto às empresas e pela colocação no mercado de produtos inovadores na área de apoio aos cidadãos com necessidades especiais. Já a Acapo vai disponibilizar recursos humanos para a realização de testes extensivos com a plataforma.

O projecto CE4BLIND é o mais recente na área. Em 2008 surgiu o projecto SmartVision, que fornecia ao utilizador invisual instruções para chegar a um determinado destino. Seguiu-se o Blavigator, onde se desenvolveu uma bengala electrónica que sinaliza obstáculos.

Com a revolução digital, “os dedos passaram a ser os olhos” de quem não vê

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/com-a-revolucao-digital-os-dedos-passaram-a-ser-os-olhos-de-quem-nao-ve-1690602

sexta-feira, 27 de março de 2015

As pessoas com deficiência visual também se preocupam com a imagem?

Invisuais aprendem a usar outros sentidos para combinar roupas ou maquilhagem

Em todo o mundo há milhões de pessoas que não vêm, mas isso não as impede de terem vaidade e, muito menos, de serem capazes de escolher e decidirem sozinhas, o que vestir, como se pentearem ou até mesmo de se maquilharem. Porque, tal como para tudo o resto, aprendem a usar os outros sentidos para, por exemplo, saberem a combinar as peças de roupa.

Tertúlia com leitura em Braille




Os aócios da Delegação de Braga da ACAPO vão realizar Tertúlia com leitura em Braille dos Contos da Gorongosa, dia 23 de Abril às 15 horas no Museu dos Biscainhos.

quinta-feira, 26 de março de 2015

ColorADD® – sistema de identificação de cores para daltónicos


"Mais uma colorida parceria por uma educação mais plena e igualitária para Todos!!! A inclusão do código ColorADD no livro “Bia e Kiko exploram a Língua portuguesa” é um exemplo da enorme dedicação, competência e sensibilidade. Promove e facilita um espaço de aprendizagem, de informação total, para todos os que, desde tão tenra idade, não se sentem descriminados e diminuídos. O uso desta ferramenta simples em contexto escolar é um projeto que garante, por si só, uma utilização transversal para todos como ferramenta aumentativa! Quem sabe um dia esta será uma outra história, que recordaremos como um legado que Portugal deixa à Humanidade.
Acreditamos que todos podemos contribuir para um mundo melhor. A COR para TODOS é a nossa motivação.

#colorADD #lusoinfo #biaekiko #color #educação"Mais uma colorida parceria por uma educação mais plena e igualitária para Todos!!! A inclusão do código ColorADD no livro “Bia e Kiko exploram a Língua portuguesa” é um exemplo da enorme dedicação, competência e sensibilidade. Promove e facilita um espaço de aprendizagem, de informação total, para todos os que, desde tão tenra idade, não se sentem descriminados e diminuídos. O uso desta ferramenta simples em contexto escolar é um projeto que garante, por si só, uma utilização transversal para todos como ferramenta aumentativa! Quem sabe um dia esta será uma outra história, que recordaremos como um legado que Portugal deixa à Humanidade.

11 estratégias para melhorar a percepção visual das crianças com déficit de atenção

Trabalhar a percepção da criança com déficit de atenção, desde a percepção de formas imprecisas até chegar gradualmente a percepção dos traços das letras, dos números e das palavras. Procurando fazer com que a criança perceba as formas e deste modo obter a concentração da mesma. Através destas atividades a  criança com déficit de atenção pouco a pouco diferencia símbolos distintos, que são dados por pontos, claros e escuros, linhas, ângulos, que marcam sua figura. A criança vai diferenciando figuras e traços, e chega a internalizar os elementos que constituem formas mais especificas tanto nas figuras como nas letras.
Déficit de atenção

EXERCÍCIOS

1. Percepção de formas básicas no ambiente: descobrindo formas do ambiente, fazendo que ela as reproduza em um molde de formas geométricas, na lousa, no papel, etc. Ex: pedir para que as crianças encontrem um quadrado na sala de aula, um círculo, um triângulo em alguns objetos na sala.
Déficit de atenção
2. Classificação de formas segundo um critério: dar-lhes fichas de formas quadradas, circulares, curvas e triangulares. Pedir que as agrupem em famílias e que pensem em nomes para dar a essas famílias. Pode ser usado jogos de formas geométricas também.
Déficit de atenção
3. Classificação de formas segundo vários critérios: considerar mais além de outras variáveis com o tamanho e cor. Peça que haja grupos de acordo com o tamanho, forma e cor, lhes dizendo, por exemplo:

– Procure todos os quadrados.
– Agora, separe os grandes dos pequenos.
– Olhe os triângulos pequenos! Como podem se separar em grupo?

4. Simbolização de formas geométricas: utilizando formas geométricas peça que construam uma casa, um avião, uma figura humana, etc.
Déficit de atenção
5. Discriminação de fundo: peça que discriminem formas em um fundo, que sejam letras, figuras, números, etc. Por exemplo:
– Pedir que tracem as figuras que encontrarem com diferentes cores.
– Pedir que encontrem a figura da moldura no desenho.

6. Completar figuras: pedir que completem as partes das figuras que faltam.

7. Identificação de palavras com seus correspondentes. Configurações: apresente palavras (que não possam ainda ler) e peça que as moldurem, para que eles percebam que há letras de diferentes alturas. Em seguida apresente cartões com as configurações recortadas, e peça que os coloquem em cima das palavras da configuração correspondente.

RATO – PATO – MACACO
Déficit de atenção
8. Identificação do objeto diferente: apresentar uma caixa que contenha alguns objetos e entre esses um diferente. Peça que tirem o que é diferente. Por exemplo:
– Um caixa com fichas quadradas e entre essas uma redonda.
– Alguns palitos de sorvete vermelhos e somente um azul.
– Uns cubos pequenos e um grande.

9. Identificação da forma diferente: Para que o exercício anterior se dê de maneira concreta. Este exercício se faz através da representação gráfica, com diferentes graus de dificuldade:
– Cartões com figuras, onde o elemento diferente varia em forma e cor. Pergunte qual é o elemento diferente e por quê.
– Cartões com figuras nos quais o elemento diferente varia em tamanho, cor e forma.
– Cartões com elementos da mesma cor nos quais o elemento diferente varia em categoria.
– Apresentar quatro ou mais figuras onde o elemento diferente varie em um detalhe direcional.
Déficit de atenção


10. Identificação de letras semelhantes e diferentes: Uma folha de papel com letras e pedir que:
– Risque com um lápis de cor o cartão que mostra as letras iguais.
– Risque as letras diferentes utilizando uma cor diferente para cada uma.

11. Identificação de detalhes similares ou diferente: exemplos:
– Discriminação de desenhos pares.
– Identificar o desenho que não forma partes do grupo em cada linha.
– Identificar os desenhos similares em cada linha
– Identificar quais desenhos são pares (figuras abstratas). Pinte da mesma cor os pares.
– Identificar as figuras iguais em cada linha e pinte-as da mesma cor.
Através destas atividades as criança com déficit de atenção, poderão melhorar tanto sua percepção visual como sua concentração.