sábado, 15 de novembro de 2014

Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa

No dia 15 de novembro, a comunidade surda em Portugal assinala o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa.

Com um vocabulário e gramática próprios, como acontece com as línguas orais, a língua gestual portuguesa é a língua materna das pessoas surdas, produzida a partir dos movimentos das mãos, do corpo e das expressões faciais.

O INR, I.P., deu um impulso decisivo para esta efeméride, com a criação do GESTUÁRIO da Língua Gestual Portuguesa, no início da década de 90 do século XX.

Na nossa Constituição, em 1997, ficou consagrado o compromisso do Estado Português em "proteger e valorizar a língua gestual portuguesa enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades."

A celebração desta efeméride converge para a concretização dos princípios da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, designadamente os princípios da acessibilidade informativa e comunicacional.




Quando a língua materna é o gesto

O Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa comemora-se neste 15 de novembro. Para assinalar a data, a TVI24 esteve à conversa com alguns jovens surdos que falaram sobre as suas experiências de vida

Iolanda tem 21 anos e quer ser arquiteta para poder adaptar as casas à comunidade surda. A jovem dá o exemplo das campainhas que existem nas habitações que, no caso dos surdos, poderiam ser substituídas por luzes.  É um objetivo para o futuro e diz que vai lutar por isso. A sua primeira língua é a Língua Gestual Portuguesa (LGP), mas a sua determinação, essa é expressa numa língua universal.



Tal como outros alunos do Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira (CED), Iolanda é surda. Nos corredores desta escola, em Lisboa, os alunos, surdos e ouvintes, misturam-se em conversas e brincadeiras. Todos se entendem e se fazem entender. Os problemas são os mesmos que os de todos jovens: as notas, as miúdas, os namorados, as amigas, o futebol.

Aqui, a surdez existe, mas não é uma marca de identidade. Uma ideia que é reforçada pela professora de História Mónica Silveira que admite, no entanto, que o mesmo não se verifique noutras escolas do país.  
 
«Aqui estamos todos muito sensibilizados. Mas acredito que ainda há muitos surdos em muitas escolas do país que são olhados como incapazes. Estamos um bocadinho distanciados dessa realidade. Muitos continuam a achar que eles só podem fazer trabalhos práticos, ou de pedreiro ou de canalizador, por exemplo. Não!» explica Mónica Silveira, em declarações à TVI24.

Apesar da evolução da sociedade ter ajudado a combater alguns estigmas, o caminho para a igualdade de oportunidades ainda não está completamente feito. Exemplo disso é o caso de um aluno surdo que chegou ao CED sem nunca ter tido aulas de Inglês, como conta o professor de Inglês Pedro Barros.

O aluno em causa estava ao abrigo de um programa curricular especial devido a uma alegada capacidade cognitiva inferior que estaria relacionada com a surdez. Pedro Barros afirma que, no CED, o aluno aprendeu Inglês, mesmo estando alguns passos atrás dos colegas - pelo simples facto de nunca ter tido aulas dessa disciplina.

Ter acesso às mesmas oportunidades do que os alunos ouvintes é, de resto, uma preocupação para muitos alunos surdos.    
«Se eu não tiver acesso à informação não vou estar em pé de igualdade com os ouvintes», refere Maria Arlinda, de 18 anos.

Maria Arlinda está no 10º ano, mas apenas há dois meses nesta escola. No estabelecimento de ensino anterior, Maria Arlinda diz que os surdos não se preocupavam em estar em circunstâncias de igualdade com os ouvintes.





Por casa a mãe não fala LGP, mas isso não parece ser um problema. A adolescente diz que falam por mímica e que as duas até têm um código. Com o resto da família admite, porém, que é um pouco mais difícil.
«Sinto que os ouvintes têm uma ligação muito forte entre eles e eu não sinto essa ligação com eles. Sinto-me mais isolada. Tenho algumas dificuldades na comunicação com a sociedade e às vezes penso como vai ser o futuro», diz Maria Arlinda

Se Iolanda queria ser arquiteta,  Maria Arlinda, que está no 10ºano quer prosseguir os estudos académicos e ser psicóloga. Se tem estudado muito? «O suficiente», atira entre um sorriso.

A conjuntura atual, demarcada pela crise económica e social, tem dificultado a entrada dos jovens no mercado de trabalho. No caso dos jovens surdos, as dificuldades podem ser acrescidas. Mónica Silveira explica que há empresas que estão sensibilizadas para esta condição, mas outras, pelo contrário, fecham-se.





A professora refere as áreas das artes gráficas e da publicidade como casos de sucesso de integração dos alunos no mercado de trabalho.

Mas mercado de trabalho é coisa que não passa pela cabeça de Abu: «trabalhar não, não penso nisso», diz, com uma expressão descontraída. Para já, com 16 anos, gosta de pensar apenas no hóquei que tem como «hobby» de eleição e que faz com que tenha muitos amigos ouvintes.

Já Miguel, de 15 anos, prefere a natação e, em 2013, esteve em Sófia, na Bulgária, nos Jogos Surdolímpicos. Treina de segunda à sexta às 6:00 da manhã para depois poder ir às aulas e folga da piscina só mesmo ao domingo. Além da natação, os computadores também são uma das suas paixões e, por este motivo, até pondera seguir algo relacionado com a informática no futuro.



Filho único de pais surdos, em casa de Miguel impera a LGP. O resto da família é ouvinte e quando há dificuldades de comunicação diz que faz um «bocadinho de mímica».

Quando vão ao café ou a uma loja, quer Abu quer Miguel admitem que têm mais dificuldades em comunicar do que, por exemplo, na escola. Às vezes recorrem à escrita, mas para Abu ter de escrever «é uma chatice».

Talvez por isso, mesmo quando têm amigos surdos e ouvintes, a maioria dos jovens surdos acaba por ter, de forma natural, uma maior aproximação com os surdos. A razão parece ser simples: afinal, falam a mesma língua.
 
  «Gosto de falar sobre a minha vida com os meus amigos surdos e partilhar as nossas experiências e as expectativas para o futuro.», conta Maria Arlinda.

Hugo, de 14 anos , diz que quase todos os amigos são surdos porque «falam a língua gestual» e, por isso, falar com eles torna-se mais fácil.

O aluno está no 5º ano, tal como Marta, de 11 anos. Além da surdez, têm duas outras coisas em comum: gostam de praticamente todas as disciplinas da escola e são os únicos surdos na família.

Para Marta, a prima que sabe língua gestual serve muitas vezes, de intérprete quando está com outros familiares. Já no caso de Hugo, este diz que costuma ensinar a língua aos pais e que, quando é preciso, também utiliza mímica.



Através de mímica, de códigos, da oralidade e da escrita, as declarações dos jovens surdos com que a TVI24 falou deixam adivinhar que na maioria dos casos, há sempre uma alternativa para que consigam comunicar com os ouvintes que não sabem língua gestual.

No entanto, um episódio bizarro aconteceu a uma antiga aluna surda da escola, como nos conta a professora Mónica.
  «Ela estava à espera do autocarro e na paragem estava outra pessoa. Essa outra pessoa tentou assalta-la e começou a agarrá-la. Ia a passar um carro da polícia, mas quando a polícia chegou pensou que era a aluna que estava a assaltar a outra pessoa... A aluna queria explicar que estava a ser assaltada, mas não conseguiu e a outra pessoa acabou por fugir», afirma a professora.

Uma «história macaca» como refere Pedro Barros, destacando, no entanto, que poderá ter havido algum preconceito racial à mistura, uma vez que o assaltante era branco, ao contrário da aluna.


A LGP e o ensino





Hoje, apesar de haver turmas integradas com alunos ouvintes e surdos, o ensino é feito de forma individual nas disciplinas teóricas. «Dar aulas a um aluno surdo e a um aluno ouvinte é completamente diferente, a língua é diferente e, por isso, implicam estratégias diferentes», refere Mónica.

Mas nem sempre foi assim, como relata Marta Morgado, surda e professora no CED desde 1997, que na juventude frequentava duas escolas, uma com ouvintes e outra só com surdos.  
 
«Na escola de surdos não havia trabalho, os professores não trabalhavam e a língua gestual não era uma coisa como é agora. Foi aí que percebi que queria ser professora de surdos», revela.

Marta recorda um período em que nas escolas havia uma desvalorização da língua gestual, obrigando os alunos surdos a oralizar.
 
«Quando a LGP começou a ser ensinada primeiro, os alunos começaram a perceber melhor a língua portuguesa e as outras coisas», explica.
 
Foi precisamente no ano em que Marta começou o seu percurso no CED, em 1997, que a LGP, com um vocabulário e gramática próprios, passou a ser uma das línguas oficiais de Portugal, tendo ficado consagrado na Constituição da República Portuguesa o compromisso do Estado em «proteger e valorizar a Língua Gestual Portuguesa enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades».

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

UNIÃO EUROPEIA DE CEGOS PUBLICA RELATÓRIO «ACCESS DENIED»

Um relatório publicado hoje revela que em 2014, 30 milhões de europeus com deficiência visual continuam a enfrentar barreiras injustas e desnecessárias no acesso a atividades básicas, serviços e informações, nomeadamente, online.
O relatório demonstra que estas barreiras podem ser encontradas em caixas de multibanco, máquinas de bilhetes, websites, aplicações, televisores e outros bens de consumo como microondas ou máquinas de lavar roupa.
Surpreendemente, esta pesquisa da União Europeia de Cegos mostra ainda que mesmo as instituições da UE regularmente falham na disponibilização de informação acessível a pessoas com deficiência visual. Em particular, os websites da Comissão e do Conselho Europeu foram analisados e classificados como “muito aquém” e “extremamente inacessível”, respetivamente.
"É tempo de a União Europeia acabar com esta discriminação e pôr a sua casa em ordem”, diz o Presidente da União Europeia de Cegos, Wolfgang Angermann.
Hoje (11) e amanhã, membros da União Europeia de Cegos, entre os quais a ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, estão no Parlamento Europeu a organizar um “encontro às escuras”. O evento, apoiado pela eurodeputada Catherine Stihler, em parceria com a eurodeputada Rosa Estaras, promove curtos (e não românticos) encontros que visam destacar os obstáculos quotidianos que as pessoas com deficiência visual enfrentam e o papel da União Europeia na sua eliminação, através de legislação e implementação de normas e tecnologias existentes.
A União Europeia de Cegos pede a todos os eurodeputados - muitos dos quais já manifestaram o seu apoio – a defenderem uma legislação forte o suficiente para acabar com a exclusão social das pessoas com deficiência visual.
"Em janeiro de 2011, a Comissão prometeu uma “Lei Europeia da Acessibilidade" [European Accessibility Act] para remover barreiras no acesso a informações, usufruto de bens e serviços e a viajar”, diz Angermann "mas ainda estamos à espera - é tempo de a União Europeia deixar de ignorar as pessoas cegas!"

Estudo: «acesso negado» a trinta milhões de deficientes visuais

fonte: tvi24

É necessário eliminar barreiras, através de legislação e implementação de normas e tecnologias existentes
Trinta milhões de deficientes visuais europeus continuam a enfrentar «barreiras injustas» no acesso a atividades básicas e serviços, revela um estudo da União Europeia de Cegos, que apela às instituições europeias para «pôr fim à discriminação» contra estas pessoas.

Estas barreiras podem ser encontradas em caixas de multibanco, máquinas de bilhetes, «websites», aplicações, televisores e outros bens de consumo, como micro-ondas ou máquinas de lavar roupa, especifica o relatório com o título «Acesso negado», hoje divulgado na ação de sensibilização «Encontro às escuras», que decorre até quarta-feira, no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Segundo o relatório, 30 milhões de europeus com deficiência visual continuam «a enfrentar barreiras injustas e desnecessárias no acesso a atividades básicas, serviços e informações, nomeadamente, ‘online’».

«Mesmo as instituições da União Europeia regularmente falham na disponibilização de informação acessível a pessoas com deficiência visual», observa o documento.

Os «websites» da Comissão Europeia e do Conselho Europeu foram analisados no estudo e classificados, respetivamente, como «muito aquém» e «extremamente inacessível».

Perante os resultados deste estudo, a União Europeia de Cegos pediu hoje às instituições europeias que desenvolvam uma «ação urgente a nível legislativo, para pôr fim à discriminação contra as pessoas com deficiência visual e colocar as suas casas em ordem».

«É tempo de a União Europeia acabar com esta discriminação e pôr a sua casa em ordem», defendeu o presidente da União Europeia de Cegos, Wolfgang Angerman, num comunicado divulgado esta terça-feira.

Na ação de sensibilização «encontro às escuras», apoiada pela eurodeputada Catherine Stihler, em parceria com a eurodeputada Rosa Estaras, são promovidas atividades que visam demonstrar aos deputados os obstáculos que os deficientes visuais enfrentam no dia-a-dia.

Esta iniciativa, organizada pelos membros da União Europeia de Cegos, entre os quais a ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, pretende também demonstrar o papel da União Europeia na eliminação destas barreiras, através de legislação e implementação de normas e tecnologias existentes.

A União Europeia de Cegos pede a todos os eurodeputados, «muitos dos quais já manifestaram o seu apoio», a defenderem «uma legislação forte o suficiente para acabar com a exclusão social das pessoas com deficiência visual».

Em janeiro de 2011, a Comissão prometeu uma «Lei Europeia da Acessibilidade» para remover barreiras no acesso a informações, usufruto de bens e serviços e a viajar, disse Wolfgang Angerman.

«Mas ainda estamos à espera. É tempo de a União Europeia deixar de ignorar as pessoas cegas», defendeu o responsável.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Investigadores da Universidade de Coimbra criam aplicação para guiar pessoas cegas através da voz

in: PÚBLICO


SmartGuia: Shopping Assistant for Blind People funciona em smartphones mesmo através de bluetooth e wi-fi.
SmartGuia: Shopping Assistant for Blind People funciona
em smartphones mesmo através de bluetooth e wi-fi.

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu uma aplicação para smartphones para guiar pessoas cegas no interior de edifícios. A aplicação que funciona com o sistema 'SmartGuia: Shopping Assistant for Blind People' guia por voz o utilizador.

O guia, que foi criado em colaboração com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), pretende “orientar o cego até ao seu objectivo, respondendo a perguntas e facultando informação clara sobre lugares, produtos e serviços que se encontram no edifício”, explica o coordenador do projecto, José Cecílio, numa nota da FCTUC.

“A aplicação é accionada pelo utilizador e, a partir daí, actualiza constantemente a informação: estabelece percursos e indica distâncias, descreve o ambiente envolvente [por exemplo, a que distância está do elevador ou de escadas], identifica pontos de interesse”, explica o coordenador.

Segundo os investigadores, o utilizador pode dizer para o smartphone o que pretende fazer, ir às compras ou comer. O sistema reconhece as palavras que foram ditas e questiona depois o utilizador sobre preferências mais concretas, como o restaurante que pretende. Feita a escolha, o sistema guia a pessoa cega por voz, através de mudanças de trajectória, até ao sítio desejado. O sistema funciona por bluetooth e wi-fi.

Os investigadores pretendem que a utilização do guia inteligente, que foi recentemente premiado pelo Instituto Fraunhofer Portugal, seja alargada a qualquer pessoa. O objectivo é que “ao entrar no centro comercial, o cliente possa saber quais as lojas que estão com promoções nesse dia, em que produtos e qual a percentagem de desconto”, indica José Cecílio. Segundo o investigador, o primeiro projecto-piloto vai decorrer em breve num centro comercial de Coimbra.

Jardim sensorial em Lisboa serve como uma ferramenta de treino para cegos

No centro de Lisboa, num espaço próximo do Marquês de Pombal, há um jardim sensorial que mais do que ser visto, existe para ser sentido.


ACAPO desafia deputados em Bruxelas a realizarem tarefas de olhos vendados

A ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal vai desafiar os deputados do Parlamento Europeu a vendarem os olhos enquanto realizam algumas atividades, como ligar uma máquina de lavar, numa ação de sensibilização em Bruxelas.
 

Juntamente com outras associações da União Europeia de Cegos, a ACAPO vai promover na terça e na quarta-feira, no Parlamento Europeu, a iniciativa “High Speed Blind Dates”, uma ação de sensibilização dirigida aos parlamentares europeus.
“A ideia foi mobilizar uma entidade com as responsabilidades e as competências políticas do Parlamento Europeu (…) para uma ação de sensibilização” que visa “chamar a atenção para as questões de falta de acessibilidade a nível da União Europeia”, disse hoje à agência Lusa a presidente da ACAPO, Ana Sofia Antunes.
Durante a iniciativa serão desenvolvidas diversas atividades interativas, que visam consciencializar os eurodeputados para as dificuldades que os cidadãos com deficiência visual enfrentam no desempenho das suas tarefas da vida diária e que a maioria realiza autonomamente.
Ana Sofia Antunes explicou que os deputados europeus vão ser desafiados a vendar os olhos e convidados a realizar um conjunto de atividades sem ver, como introduzir uma ‘password’ num ecrã tátil, como os dos iphone ou tablets, e colocar uma máquina de lavar a louça a funcionar.
“Enquanto realizamos o percurso com eles, durante o qual os convidamos a realizar este conjunto de tarefas, vamos procurando sensibilizá-los para diferentes questões e convidá-los a integrarem o grupo que ao nível do Parlamento Europeu representa as pessoas com deficiência para que seja o mais forte possível e integre o maior número possível de representantes”, adiantou.
A presidente da ACAPO disse que as associações estão “a pôr bastante esperança naqueles que possam vir a ser os resultados desta iniciativa” e na visibilidade que pode ter a nível dos meios de comunicação social em toda a Europa.
“Sendo uma população minoritária tem sempre uma certa tendência para ser esquecida e a nossa função é recolocar em cada dia e em cada momento os problemas que afetam esta população com deficiência visual em cima da mesa”, sublinhou.
Apesar de “sermos fantásticos a nível de legislação e de garantir que os nossos direitos encontram-se legalmente protegidos”, aquele “pequeno grande passo” entre a previsão legal e a concretização das leis que são aprovadas “ainda não é feito nem garantido a nível da grande maioria dos Estados da União Europeia e Portugal não é exceção nessa matéria”.
“Leis fantásticas, prática pobre”, comentou Ana Sofia Antunes, reiterando que o objetivo da iniciativa é “chamar a atenção” para a falta de acessibilidade ao meio edificado e às tecnologias de informação, cujos equipamentos “deviam ser pensados para todos, mas não são”.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Investigadores de Coimbra desenvolvem guia para cegos

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um "guia inteligente para orientar pessoas cegas" no interior de edifícios públicos, anunciou esta sexta-feira a instituição.

O guia, que foi criado em colaboração com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), pretende "aumentar a autonomia das pessoas cegas nas atividades do seu quotidiano", sublinha uma nota da UC, agora divulgada.Trata-se, na prática, de uma aplicação para smartphone desenhada para ajudar, de forma rápida, intuitiva e segura, o utilizador a encontrar serviços e produtos desejados no interior de edifícios públicos.

A partir do telemóvel, o novo sistema - 'SmartGuia: Shopping Assistant for Blind People' (https://eden.dei.uc.pt/~jcecilio/videos/SmartGuia_Compressed.mp4) - utiliza as tecnologias Bluetooth e Wi-Fi para "orientar o cego até ao seu objetivo, respondendo a perguntas e facultando informação clara sobre lugares, produtos e serviços que se encontram no edifício", explica José Cecílio, coordenador do projeto. 

"O guia é acionado pelo utilizador e, a partir daí, atualiza constantemente a informação", designadamente estabelecendo percursos, indicando distâncias, identificando pontos de interesse ou descrevendo o ambiente envolvente (referindo, por exemplo, a que distância há elevador ou escadas), exemplifica José Cecílio.

Simplifica trabalho

Uma das características mais distintivas do sistema é o facto de simplificar o trabalho do utilizador em termos de especificação daquilo que ele pretende, podendo "dizer simplesmente palavras que identifiquem o que deseja, tais como 'comer' ou 'comprar roupa'", salienta o investigador.

"O sistema consegue reconhecer essas palavras-chave, questionando de seguida sobre preferências mais concretas", como indicar os restaurantes que existem, podendo, depois, o utilizador escolher qual deles deseja. "Uma vez completo o processo de escolha do destino, o sistema guia o cego oralmente" até ao local pretendido, conclui José Cecílio.

Apesar de ter sido desenvolvido para guiar invisuais, este sistema, premiado recentemente pelo Instituto Fraunhofer Portugal, pretende alargar a utilização a qualquer cidadão. O objetivo é que, ao entrar num centro comercial, por exemplo, o cliente possa saber quais "as lojas que estão com promoção nesse dia, em que produtos e qual a percentagem de desconto", sintetiza o investigador da UC, adiantando que vai ser "implementado um projeto-piloto num centro comercial de Coimbra".


In: CM