sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Investigadores de Coimbra desenvolvem guia para cegos

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um "guia inteligente para orientar pessoas cegas" no interior de edifícios públicos, anunciou esta sexta-feira a instituição.

O guia, que foi criado em colaboração com a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), pretende "aumentar a autonomia das pessoas cegas nas atividades do seu quotidiano", sublinha uma nota da UC, agora divulgada.Trata-se, na prática, de uma aplicação para smartphone desenhada para ajudar, de forma rápida, intuitiva e segura, o utilizador a encontrar serviços e produtos desejados no interior de edifícios públicos.

A partir do telemóvel, o novo sistema - 'SmartGuia: Shopping Assistant for Blind People' (https://eden.dei.uc.pt/~jcecilio/videos/SmartGuia_Compressed.mp4) - utiliza as tecnologias Bluetooth e Wi-Fi para "orientar o cego até ao seu objetivo, respondendo a perguntas e facultando informação clara sobre lugares, produtos e serviços que se encontram no edifício", explica José Cecílio, coordenador do projeto. 

"O guia é acionado pelo utilizador e, a partir daí, atualiza constantemente a informação", designadamente estabelecendo percursos, indicando distâncias, identificando pontos de interesse ou descrevendo o ambiente envolvente (referindo, por exemplo, a que distância há elevador ou escadas), exemplifica José Cecílio.

Simplifica trabalho

Uma das características mais distintivas do sistema é o facto de simplificar o trabalho do utilizador em termos de especificação daquilo que ele pretende, podendo "dizer simplesmente palavras que identifiquem o que deseja, tais como 'comer' ou 'comprar roupa'", salienta o investigador.

"O sistema consegue reconhecer essas palavras-chave, questionando de seguida sobre preferências mais concretas", como indicar os restaurantes que existem, podendo, depois, o utilizador escolher qual deles deseja. "Uma vez completo o processo de escolha do destino, o sistema guia o cego oralmente" até ao local pretendido, conclui José Cecílio.

Apesar de ter sido desenvolvido para guiar invisuais, este sistema, premiado recentemente pelo Instituto Fraunhofer Portugal, pretende alargar a utilização a qualquer cidadão. O objetivo é que, ao entrar num centro comercial, por exemplo, o cliente possa saber quais "as lojas que estão com promoção nesse dia, em que produtos e qual a percentagem de desconto", sintetiza o investigador da UC, adiantando que vai ser "implementado um projeto-piloto num centro comercial de Coimbra".


In: CM 

ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE PARA CRIANÇAS




A Orientação e Mobilidade é perfeitamente aplicável tanto a crianças, como a jovens e pessoas adultas, levando-se em consideração a maleabilidade do programa e o respeito ao princípio da individualidade. Entretanto, no caso de crianças pequenas, bebês ou ainda na fase pré-escolar, devemos também considerar algumas peculiaridades no que diz respeito à habilidade de se orientar e se movimentar no meio ambiente.
Na realidade, a orientação e mobilidade deveria iniciar-se juntamente com o atendimento da criança nos programas de educação e Intervenção Precoce. Já nesta fase, através de uma intervenção profissional com a efetiva participação da mãe e das pessoas que lidam com o bebê, alguns dos pré-requisitos da orientação e mobilidade estarão sendo desenvolvidos, tais como, a formação de conceitos, envolvendo a imagem corporal, o uso das sensações, das percepções e dos movimentos físicos através dos jogos corporais, massagens e manipulações em que serão utilizados a cabeça, o tronco e os membros através de flexões, extensões, rotações e circunduções.
À medida que a criança cresce e se desenvolve, deve ser incentivada e encorajada a aprender a explorar o mundo que a cerca. Inicialmente, a criança deficiente visual recebe as informações mais importantes através do outro, principalmente da mãe: seu cheiro quando se aproxima, sua voz quando fala ou canta o seu toque quando abraça, dá banho, troca fralda ou a massageia suavemente com as mãos.
Para a criança, o ambiente é qualquer lugar que possa conhecer e com o qual possa estabelecer algum tipo de relação mesmo que seja no colo da mãe. Um dos primeiros ambientes com o qual a criança estabelece relações é o interior do seu berço. Depois vem o quarto, o banheiro, sala, cozinha, etc. Cada um desses lugares tem características diferentes e que devem ser mostradas à criança pela verbalização, pelo enxergar (quando tem algum resíduo visual), pelo tocar, manipular, explorar tátil e cinestésicamente, ouvir e cheirar. Quando a criança adquire o comportamento verbal, a nomeação contribuirá para a formação da imagem corporal facilitando também o desenvolvimento de conceitos durante a exploração dos novos ambientes. Não devemos, porém, esquecer a citação de Cutsforth (1951) de que o conhecimento apenas pela verbalização é a irrealidade verbal do cego.

No colo
Enquanto o bebê não se locomove sozinho, ele aprende as primeiras habilidades de orientação no colo da mãe. Adapta-se aos braços de quem o segura e pode se familiarizar com aquilo que está dentro desse campo de ação. Ele pode tocar no seu berço, em mobiles e brinquedos próximos e isso irá ajudá-lo a se sentir orientado no futuro. Ele pode tocar em portas de armários, portas dos cômodos, maçanetas e trincos, acender e apagar as lâmpadas acionando os interruptores, molhando as mãos na água da pia, conhecer os odores e sons comuns ao ambiente doméstico, etc. Devemos estar atentos, pois, enquanto algumas crianças irão explorar ativamente e por iniciativa própria, outras precisarão ser encorajadas.

Os deslocamentos
A medida que a criança começa a rolar, rastejar e engatinhar, novas descobertas vão acontecendo. Todavia, situações de risco também vão surgindo o que obriga as pessoas que interagem com a criança a se preocuparem com a proteção adequada para esses deslocamentos. Proteção adequada deve ser entendida não como uma forma de se evitar que a criança conheça os riscos, mas como uma forma de se prevenir contra acidentes mais contundentes, que a fariam adquirir medos desproporcionais e perder a confiança em si mesma e nos outros.
Colocar brinquedos sonoros à frente e ao lado da criança vai ajudá-la a encontrá-los com maior facilidade. Posteriormente, é importante movimentar os brinquedos de um lado para outro, com o objetivo de encorajar a criança a se deslocar para localizá-los.
As tentativas e o sucesso de virar o corpo de um lado para o outro e encontrar o brinquedo são fundamentais para a confiança e motivação na exploração do ambiente e para os primeiros deslocamentos. À medida que aumenta a confiança e o interesse, a criança moverá livremente o corpo, rolando, rastejando e ampliando as suas possibilidades de exploração A forma de dizer que está à vontade é quando não se agita, não reclama e pode se voltar para qualquer lado para explorar. Já nessa fase, as áreas externas são fontes preciosas para novas experiências: odores variados, novas texturas e uma enorme variedade de sons, como, por exemplo, cheiro de terra e grama molhada, flores e vegetação, fumaça, churrasco, deitar, rolar, sentar e pisar na grama, na areia, na terra, os sons de veículos, buzinas, o canto dos pássaros, etc.
Após rastejar, a criança deve estar preparada para engatinhar o que trará maior liberdade para os seus deslocamentos. Ela fica de quatro e balança o corpo para frente e para trás curtindo novas sensações. Descobrindo a locomoção dessa maneira, ela passa a explorar ainda mais o ambiente, encontrando seus brinquedos no chão, descobrindo pisos diferentes, passando por baixo de móveis, localizando paredes e portas, etc. Nesse período, a criança poderá usar um bonezinho de aba dura o que garantirá melhor proteção para o seu rosto, mas todo o processo de intervenção precoce poderá ajudar quanto à percepção de obstáculos pelo reflexo auditivo. Freqüentemente, crianças com pouca ou nenhuma visão tendem a abaixar o rosto. É importante encorajá-las a olhar para frente, mantendo a cabeça erguida, o que ajudará a fortalecer os músculos do pescoço e ombros. Nessa etapa, já são introduzidos alguns procedimentos para autoproteção. A criança aprende a usar as mãos, antebraços e braços para garantir alguma proteção frontal no seu deslocamento.
Da mesma forma que foram fixados brinquedos ao berço, objetos familiares e significativos poderão ser postos em alguns pontos da casa para serem usados como pontos de referência, facilitando a orientação. Os pais e as pessoas que convivem com a criança, devem ajudá-la a descobrir alguns canais de circulação, criando caminhos, usando os móveis e sons familiares como pontos de referência, estabelecendo relações posicionais nos cômodos e entre eles. A criança estará sendo preparada para definir as primeiras rotas dentro de casa.
Ela aprenderá mais fazendo algumas coisas por si mesma, encorajada pela família, que a observa e se sente gratificada. Depois de algumas tentativas, erros e acertos, se sentirá especialmente orgulhosa de si o que favorecerá o desenvolvimento da auto-confiança, auto-estima e independência.
Uma situação que freqüentemente causa grande preocupação aos pais são as escadas. A criança gosta de subir e descer escadas engatinhando. Os pais devem ensiná-la a sentar no primeiro degrau e subir sentando em cada degrau subseqüente, deslocando-se de costas. Para descer, a criança deve sentar no primeiro degrau e proceder como na subida, mas com deslocamento de frente. A criança deve ser incentivada a subir e descer de almo-fadas, móveis e brinquedos em play-grounds, o que em muito contribuirá para o seu equilíbrio e confiança nos deslocamentos em diferentes planos. Uma sugestão é colocar um portão que impeça o acesso à escada quando fora do controle do adulto. Nessa fase, um acidente sério na escada poderá prejudicar consideravelmente todo o processo em busca da autonomia.
Finalmente a criança começa a andar. Mais madura, estável emocionalmente e com um repertório cognitivo, perceptivo e motor rico pelas experiências passadas, ela estará pronta para interagir com maior eficiência e segurança nos deslocamentos e exploração dos ambientes. Ela pode começar a usar o rastreamento com a mão nas paredes, móveis e corrimãos. É hora de verificar o ambiente quanto à segurança, eliminando os possíveis obstáculos aéreos na altura da criança, quinas e arestas perigosas, móveis quebrados, etc. A criança responderá melhor às solicitações quanto ao uso das autoproteções e método de familiarização com os ambientes.
Devemos nos reportar a Processo e Método - Ambientes Internos como referência para todas as possibilidades desse momento. Inicialmente, a criança poderá se deslocar acompanhando as paredes. Posteriormente, poderá acompanhar um adulto ou mesmo uma outra criança, o irmãozinho por exemplo, já usando alguns dos procedimentos para o guia vidente, fazendo o agarre no pulso do acompanhante. Isto facilitará para o passo seguinte, que serão os deslocamentos sem nenhum apoio de mão. Uma vez que a criança já caminha independentemente sem o apoio das mãos, já brincou de empurrar cadeiras, carrinhos de boneca, rolar rodinhas com bastão, usar o raquetão, etc, chegou a hora de se pensar na bengala.

O uso da bengala - um outro capítulo à parte
A criança está andando por toda a casa, por toda a sala de aula, por outros ambientes familiares e seguros. Como poderá se locomover para outras áreas que tenham desníveis constantes ou presença de obstáculos repentinos na altura do chão sem depender de outras pessoas?
É exatamente neste momento que a criança poderá se beneficiar da utilização da bengala longa, um simples bastão, que mesmo com todo o avanço tecnológico, ainda se traduz como o mais eficiente instrumento para dar independência à mobilidade da pessoa portadora de deficiência visual. A bengala funcionará como uma extensão tátil-cinestésica para transmitir à criança uma riqueza de informações tal e qual ela teria se caminhasse passando a mão no chão.
A bengala também será um anteparo eficiente para possíveis choques contra objetos e pessoas que se encontrem na sua linha de caminhada. O uso da bengala será o começo de uma nova etapa para a liberdade da criança. Ela deverá ser encarada como uma nova e boa amiga. A introdução precoce do uso da bengala para a criança deficiente visual tem favorecido sua melhor aceitação tanto pela criança como pela família e vai deixando de ser uma curiosidade também no ambiente escolar, com professores, funcionários e alunos encarando-a de forma mais natural e positiva.
Para crianças com visão residual bem aproveitável nas atividades acadêmicas mas sem eficiência para a percepção de desníveis e detecção de obstáculos ao nível do chão, o uso da bengala tem trazido segurança e independência. Com relação às técnicas a serem desenvolvidas com o uso da bengala, o importante a ser considerado é que inicialmente sua manipulação deverá ser feita de forma bastante simples mas com segurança. A criança aprenderá a empurrá-la à frente do corpo numa posição semelhante à técnica diagonal. Depois, ela poderá ser conduzida em movimentos constantes de varredura, com a ponteira em contato permanente com o chão, descrevendo já um arco de proteção. Neste início, uma boa estratégia é amarrar guizos ou outros pequenos objetos que produzam ruído na ponteira da bengala. Isto ajuda a manter a ponteira no chão. Devemos ter claro que aprender a usar a bengala não é diferente de aprender qualquer outra habilidade, o que requer respeito aos princípios da aprendizagem motora e ao ritmo da criança. A medida que a criança consegue dominar as manipulações preliminares, passamos a propor técnicas mais avançadas. Finalizando, perguntamos: Qual a idade ideal para a introdução da bengala na vida da criança deficiente visual? Não podemos responder. Ou responderíamos, um tanto levianamente, aos três ou quatro anos. Todavia, estaríamos cometendo a impropriedade de desrespeitarmos um princípio por nós citado diversas vezes, o da individualidade.
Cada criança tem seu ritmo, sua história e devemos respeitá-la. Ao pensarmos na bengala, devemos analisar criteriosamente cada caso. Queremos reforçar a idéia de que o uso simplesmente da bengala não é a panacéia para os problemas de orientação e mobilidade, seja da criança, do jovem ou do adulto portador de deficiência visual. Orientação e Mobilidade é uma área muito ampla, rica e fundamental no atendimento à pessoa portadora de cegueira e visão subnormal. Um programa de orientação e mobilidade, do mais simples ao mais sofisticado, deverá atender à perspectiva atual da participação efetiva e comprometida do próprio indivíduo, da família e dos profissionais em busca de uma interação saudável e provedora, facilitando o desenvolvimento da pessoa portadora de deficiência visual.

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excerto de:
Deficiência Visual - Reflexão sobre a Prática Pedagógica
autora: Marilda Moraes Garcia Bruno
colaboradores: Cecília Maria Oka, Elizete Pacheco, João Álvaro de Moraes Felippe, Mara Olympia C. Siaulys, Maria Christina M. Nassif, Tânia Regina Martins Resende, Tomázia Dirce Peres Lora, Vera Lúcia Leme Rhein Felippe
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ublicação: Lara Mara
São Paulo: Laramara, 1997


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Avaliação da Consciência Linguística, adaptada de Sim-Sim, 2001

Uma boa ferramenta de trabalho para avaliar alunos do 1º Ciclo com dificuldades ao nível da Consciência Linguística, como por exemplo, alunos com Dislexia apoiados no âmbito da Educação Especial.
Avaliação da Consciência Linguística (Adaptada de Sim-Sim, 2001)
Objetivo: Pretende-se avaliar a capacidade linguística nos seus aspetos fonológicos, semânticos e sintáticos.

O toque mágico que veio dar liberdade a quem só podia atender chamadas

Salvador Mendes de Almeida ajudou a testar produto

Fundação PT cria sistema para ecrãs tátéis que permite a quem tem dificuldades motoras enviar mensagens, fazer chamadas ou navegar na internet.
"Foi a primeira vez que enviei um SMS. Tinha um telemóvel mas só recebia chamadas." Foi a pensar na independência das pessoas com mobilidade limitada, como o jovem que fez esta afirmação, que a Fundação PT, a Magic Key e o Sapo criaram a aplicação PT MagicContactUma inovação que reúne as funções mais populares dos smartphones e tablets. Os ícones grandes e um sistema de mira que vai correndo as opções para serem ser selecionadas com um toque permitem que os tetraplégicos, pessoas com paralisia cerebral ou com doenças que limitam o controlo dos braços enviem mensagens, façam telefonemas e naveguem na internet.
A PT MagicContact é uma aplicação gratuita, disponível para o sistema Android, "totalmente portuguesa e desenhada de raiz para pessoas com limitações motoras, que reúne todas as potencialidades de telefone", descreveu Teresa Salema, diretora de Sustentabilidade e Desenvolvimento de Soluções da Fundação PT, ontem na apresentação da aplicação. Além daFundação Portugal Telecom (PT), esta aplicação foi realizada em parceria com a Magic Key, uma spin off do Instituto Politécnico da Guarda, e o SAPO.
Presente na apresentação - durante a qual foi feita uma demonstração do uso da aplicação - esteve também Salvador Mendes de Almeida, da Associação Salvador, que colaborou na fase de testes e de melhoria das potencialidades deste sistema."Esta aplicação é um grande estímulo para que as pessoas com deficiências motoras sejam ativas na sociedade", defendeu.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

WORKSHOP | A transição para a vida pós-escola​r nas Perturbaçõ​es do Espetro do Autismo

Esta ação de formação destina-se a docentes, familiares e outros técnicos envolvidos no acompanhamento de alunos com perturbação do espetro do autismo (PEA) que estejam a frequentar os últimos anos de escolaridade e estejam abrangidos por medidas educativas do regime de educação especial (Dec. Lei 3/ 2008).

Nesta fase da escolaridade, os alunos com PEA de diferentes graus de incidência, deverão ser preparados para uma meta global (a longo prazo) de inserção na comunidade, implicando um processo individual de mudança de ambientes, papéis e identidades.

O final da escolaridade corresponde à primeira de uma sequência alternada de processos de aprendizagem, de trabalho/ ocupação e de participação na vida ativa e na sociedade civil.

Os jovens com necessidades educativas especiais reclamam a vontade de participar numa vida ativa, em plena igualdade de direitos. O acompanhamento dos jovens nesta fase da vida implica que a equipa educativa tenha de “sair do espaço da sala de aula” para procurar experiências e objetivos na comunidade mais alargada, em constante articulação de objetivos pedagógicos e em diálogo com a família e com atores sociais que poderão enriquecer o projeto de vida do aluno

A presente ação de formação pretende por em perspetiva os objetivos de acompanhamento destes alunos nesta fase e salientar os aspetos que poderão garantir boas práticas na sua implementação. Pretende também fornecer estratégias e exemplos práticos de como podem as equipas educativas atualmente responsáveis por este processo contribuir para a continuação de uma inclusão plena dos jovens com perturbação do espectro do autismo na sua comunidade e na sociedade civil em geral.

Programa

1. Perturbação do Espetro do Autismo: o que há de novo?
2. O professor, as medidas educativas (PEI, CEI e PIT) e a articulação de recursos e estratégias
3. Estratégias para a promoção de competências académicas, sociais e funcionais
4. Estudo de caso – planificação educativa conjunta de um caso hipotético

Destinatários
Docentes, familiares e outros técnicos envolvidos no acompanhamento de alunos com perturbação do espetro do autismo (PEA)

Formadora
Rita Soares – Psicóloga Clínica, formada pela Universidade de Lisboa, participou na conceção e coordenação de vários projetos de intervenção na área das perturbações do desenvolvimento de âmbito nacional e europeu, incluindo projetos de integração de Pessoas com PEA no mercado de trabalho aberto.
Além de colaborar com a equipa do CADIn, desenvolve atividade em vários agrupamentos especializados no atendimento educativo a alunos com PEA, no âmbito do Centro de Recursos para a Inclusão (CRI) da APPDA-Lisboa.
Próximas datas
22 de novembro de 2014 | 10h00 – 13h00
Auditório do CADIn Cascais – Estrada da Malveira, Edifício CADIn

Inscrições
Pelo e-mail | 
congressos@cadin.net

Custo | 25€
Nº mínimo de participantes | 10
Nº máximo de participantes | 20

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Desemprego afeta mais quem tem deficiência

fonte: TVI24 

Desemprego afecta mais quem tem deficiência e entre cegos a taxa é de 45%
 
A presidente da Associação dos Cegos e Ambliopes de Portugal alertou hoje que os problemas que normalmente afetam a sociedade têm especial incidência em quem tem uma deficiência, lembrando que perto de 45% das pessoas invisuais estão desempregadas.

O alerta surge por ocasião dos 25 anos da Associação dos Cegos e Ambliopes de Portugal (ACAPO), que se assinalam a 20 de outubro, com a presidente da associação a aproveitar para chamar a atenção para as questões que mais afetam quem tem deficiência visual.

Na opinião de Ana Sofia Antunes, qualquer problema que normalmente afete a sociedade tem sempre uma particular incidência nas pessoas com deficiência visual.

«Falamos, claro, das carências ao nível do emprego, das lacunas ao nível do apoio educacional, seja ele na escolaridade regular como depois na escolaridade superior, as questões de acessibilidade na via pública e aos meios de informação», destacou a dirigente.

Apontou um estudo feito recentemente pela ACAPO junto dos seus associados e utentes, que revelou que a taxa de desemprego entre estas pessoas atingirá os 45%, quando está nos 14% no total da população.

Para a presidente da ACAPO, estes «são números muito significativos», que mostram como esta população sente de uma forma «muito mais intensa» as dificuldades gerais.

Apontou, por outro lado, que um dos problemas que neste momento merece a dedicação da associação tem que ver com os custos acrescidos que advêm da deficiência e que, na opinião de Ana Sofia Antunes, não têm sido devidamente contemplados, nomeadamente ao nível dos transportes.

«Não nos podemos esquecer que as pessoas com deficiência visual não dispõem de transporte próprio, deslocam-se permanentemente em transporte público e, onde ele não existe, contratando transporte privado», alertou.

Acrescentou que as pessoas com deficiência visual têm uma série de necessidades ao nível desses apoios, mas «não recebem qualquer tipo de apoio por parte do Estado».

«Tendo nós uma população tão ampla, vivendo de pensões e de subsídios, [devemos] efetivamente pugnar por uma maior justiça desses valores, que são em muitas situações absolutamente precários e não permitem às pessoas terem níveis de vida com o mínimo de dignidade», denunciou.

Cegos no paraíso

fonte: i online

Em São Tomé e Príncipe não há oftalmologistas. Equipa portuguesa faz 6 mil quilómetros quatro vezes por ano para recuperar a visão de "muitas pessoas desnecessariamente cegas"
Segunda de manhã, oito quando a equipa deixa o hotel. Num tirinho põe-se no hospital. É difícil engarrafar a marginal, e as distâncias na capital dificilmente aborrecem. Está bom tempo e por estes dias se chove é só para o sol receber aplausos ao entrar e sair de cena. O protagonista é sempre ele. Chegamos ao recinto numa carrinha identificada com a Cooperação Portuguesa, Projecto Saúde para Todos: Especialidades. Velhos pavilhões com uma boa folga entre eles. Dividem-se assim as diferentes especialidades do único hospital da ilha.

A equipa separa-se. Dois médicos ficam com as consultas, os restantes seguem para o bloco operatório. É a típica sala de exames aos olhos. Um quadro para as letras em diferentes escalas a um canto com uma cadeira a enfrentá-lo no lado oposto, depois há mais cadeiras e os comuns aparelhos de optometria. Num entra e sai constante, em pouco mais de uma hora os dois médicos, assistidos por um funcionário hospitalar, atendem sete ou oito pacientes. Têm uma pilha com as fichas e vão chamando os nomes.

Estavam com o senhor Cader Viana, de 80 anos, quando entrámos, depois atenderam miúdos entre os cinco e os doze anos, outro homem de 69, uma mulher de 30, e isto duas, às vezes três consultas em simultâneo. Alguns recém-operados, a cicatrizar, numa recuperação à base de pomadas, gotas. Nos mais velhos o problema é o glaucoma, depois há as cataratas, com muitas crianças com deficiências congénitas. Há um caso que incomoda o Dr. António Melo. Uma jovem traz o filho de 12 anos com estrabismo congénito: não vê muito do direito e já não vê nada do esquerdo. Diz ela que o pai disse que o problema apareceu há uns anos mas depois desapareceu. O médico não lhe dá hipótese; que as coisas não se passam assim, e o pior, se consultado mais cedo, antes dos 10, ainda se podia fazer alguma coisa. Agora está condenado a viver com uma cegueira que progredirá até a luz não ter mais formas.

Olhar é dos poucos luxos de que os são--tomenses vão gozando diariamente. Abrem os olhos e são tranquilamente inundados por uma visão encantadora, um ponto de vista reservado àquela "suave, doce, lânguida ilha/aberta como flor na distância do mar". Assim o poeta Ruy Cinatti começou as suas "Lembranças para S. Tomé e Príncipe", de 1972.

Volvidos mais de 40 anos, o arquipélago mantém a graça que "prolonga um pouco a virginal beleza", atrás das arruinadas marcas do colonialismo que nunca foi suplantado por uma nova dinâmica económica e empresarial.

Porque "todas as pessoas têm o direito a ver", num dos países mais pobres do mundo há apenas um médico para cada 2 mil habitantes, nenhum oftalmologista, e é um projecto português que vem há cinco anos tentando cobrir esta lacuna e retirar do escuro as "muitas pessoas desnecessariamente cegas".

Luís Dias Pereira, capitão da equipa de oftalmologia que, quatro vezes por ano, sai de Portugal com destino à ex-colónia e retoma, durante 15 dias, a missão de aligeirar as dificuldades de uma população que não tem nos dois hospitais do arquipélago - este e um outro no Príncipe - um único doutor que lhes trate os problemas dos olhos.

Em entrevista na noite de sábado, o médico contava como nas consultas desse mesmo dia tinha atendido um homem com graves limitações de mobilidade. Um indivíduo pesado e grande, que teve de ser carregado por outros três, não havendo uma cadeira de rodas para o trazer. Não se trata, esclarece, de alguém que se tornou obeso por embarcar em excessos alimentares, antes alguém que sofre de um problema de saúde que não chegou a ser descortinado - "talvez um problema neuromuscular". Certo é que o homem já não mexia as pernas. "Além disso, que já por si é limitativo, e de que maneira, está praticamente cego: não conta os dedos a 20 centímetros da cara." Uma cegueira que provavelmente é reversível, adianta o especialista. Infelizmente, explica, nesta missão já não será possível dar-lhe uma resposta porque o número de doentes listados preencheu já as vagas operatórias - havendo lugar a cerca de 100 intervenções em cada visita ao país. Fica agendado para a próxima. Terá de esperar quatro meses.

Dias Pereira diz que a frieza e a distância que lhe permitem fazer melhor o seu trabalho levam a que esqueça muitos dos casos que seguiu ao longo dos anos. Apesar da dificuldade ou da resistência a destacar esta ou aquela excepção que lhe tenham ficado na memória, refere uma criança de cinco anos que tratou em S. Tomé com um problema de cataratas e que tinha ainda uma "síndrome complicada, um défice intelectual, de desenvolvimento". Lembra que "havia uma tensão muito grande entre a menina e a mãe, que, apesar de mãe, muitas vezes perdia a paciência com a filha". A menina "não via, gritava, agitava-se, não era que tentasse agredir mas havia toda uma dificuldade de relacionamento muito séria. Tinha cataratas, e de facto pudemos operá-la. Mas após a operação, e mesmo nestas idades", explica, "readquirir a visão às vezes não se consegue totalmente, e sobretudo não é um processo imediato". Contudo, "só de operarmos as cataratas, o comportamento da miúda e da própria mãe modificou-se: a miúda passou a ser muita mais calma e a mãe deixou de ser rude ao tentar controlar aquela agitação da filha". O médico admite que este foi o caso no qual a distância profissional teve mais dificuldade em impor-se.

O i acompanhou os quatro médicos e duas enfermeiras numa das manhãs já no fim da última destas missões, a 15.a desde que o programa passou a abranger a área de oftalmologia, em 2010. De acordo com um relatório sobre as primeiras 13 missões, durante as mesmas foram realizadas "cerca de 7 mil consultas e 955 cirurgias", sendo as principais patologias abordadas a catarata, o glaucoma ("tanto a catarata como o glaucoma surgem-nos em fases muito avançadas"), a cegueira infantil, a prevenção de trauma e a retinopatia diabética.

A missão tem também um papel importante na formação e na capacitação dos serviços, e Dias Pereira adianta que as pessoas com que têm contactado se mostram "motivadas, com grande vontade de aprender. Embora não autonomamente, já conseguem dar alguns dos passos na actividade do bloco operatório ou das consultas sozinhas". Assim, não havendo oftalmologistas, "há outros técnicos que têm permitido uma curva de aprendizagem relevante". O médico acrescenta que "noutras especialidades, particularmente na pediatria, tem havido uma melhoria substancial no tratamento e acompanhamento dos doentes".

No consultório, o corrupio não abrandou. A uns 500 metros dali entrávamos no bloco operatório. Uma criança de seis meses de barriga para cima na mesa, já anestesiada. Um problema de cataratas congénita bilateral. Dias Pereira ainda nos conduz antes de vestir uma segunda farda e começar a operação. Explicava que é uma intervenção que vai ser feita nas mesmas condições em que seria realizada em Portugal, com os mesmos meios e cuidados. Somos dez na sala, um tanto atravancada pelo material. O equipamento vem de Portugal e, enquanto a equipa está fora, fica trancado num escritório do Instituto Marquês de Valle Flôr - parceiro do projecto.

A luz do Sol entra por um dos lados e é franqueada pelo vidro fosco, acalma, e então abre aquele espaço em tonalidades suaves de azul até aos joelhos, combinada com a pedra de mármore daí para baixo. Pereira Dias dirige apoiado por Cláudia Calhau, com a enfermeira Anabela Raposo - que coordena a missão com Dias Pereira - a cobrir todas as bases para que nada falhe. Além dos portugueses há um auxiliar médico cubano (no hospital ao abrigo de um protocolo entre os dois países) e três médicos são-tomenses a seguir a intervenção, mais um assistente hospitalar, também são-tomense, que leva e traz o que é preciso. Tudo na perfeição. Uma hora passa e chega o momento de tranquilizar a mãe.

Saizete Cruz tem 31 anos e mais quatro filhos. Dilan foi o primeiro a precisar de cuidados sérios. Dois meses depois de o ter dado à luz percebeu que os gestos que lhe faziam não tinham resposta. Na consulta a doutora explicou que havia um véu a impedi-lo de distinguir as formas. Depois restou esperar o regresso à ilha dos especialistas.

Operado a um glaucoma, no fim da consulta, o senhor Viana insistia com os médicos numa recompensa. Queria oferecer--lhes bananas que é tudo o que tem. Que não se preocupasse, dizia-lhe António Melo. E ele encolhendo os ombros sem perder o sorriso. Já pouco via antes da operação, agora tem uns comprimidos para tomar e a recomendação de comer as suas bananas maduras.
Nunca antes fora operado. Diz que está "muito feliz, muito agradecido". Pereira Dias admite que para o paciente é um "impacto grande: em 30 minutos resolvemos o problema. Depois, mais duas ou três semanas e a pessoa readquire uma visão ao nível da que tinha há dez anos". Mas na hora de falar dos sucessos do programa o médico não se congratula, apenas confessa o contentamento por fazer parte de algo que mostra que "não somos só futebol", acrescentando que é bom ver o empenhamento do Estado português no apoio à população dos antigos territórios ultramarinos.