quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Por que nunca deve esfregar os olhos com as mãos

Desde que eramos crianças que ouvimos, provavelmente mais do que uma vez, que nunca se deve pôr as mãos nos olhos. Mas porquê?


Até pode evitar ao máximo tocar nos olhos com as mãos mas a verdade é que quando tem comichão e não há nenhum lenço de papel à vista, o mais provável é que vá cocá-los com as mãos sem se preocupar sequer se estão lavadas ou não.

Mas qual é pior coisa que pode acontecer afinal? O site She Finds foi tentar perceber e sublinha que os especialistas concordam que esfregar os olhos com as mãos é de facto uma das piores coisas que pode fazer pondo em risco a sua saúde. E mais, também não vai contribuir nada para a sua beleza.
A especialista em saúde feminina do Providence Saint John’s Health Center em Santa Monica Dra. Sherry Ross adverte que as mãos estão cheias de bactérias. “Quando esfrega os olhos, pode saber-lhe bem por um momento, mas está a transferir bactérias indesejadas e a exercer pressão numa área sensível e vulnerável.”
Esta ação além de aumentar o risco de inflamação nos olhos, como conjuntivite, pode mesmo, se os esfregar de forma mais agressiva, provocar danos na córnea.
A Dra. Kristine Arthur, médica no Providence Saint John’s Health Center, na Califórnia, sublinha ainda que esfregar os olhos com as mãos não desinfetadas aumenta ainda a probabilidade de contrair doenças infeciosas como gripes e resfriados.
As pessoas que usam lentes de contacto devem ter ainda mais cuidado para nunca esfregar os olhos com as mãos uma vez que estão em maior risco de desenvolver infeções mais graves que podem até levar a perda de visão, avisam os especialistas.
No campo da Beleza, este hábito também não lhe traz benefícios nenhuns, destaca o site She Finds. Isto porque, como destaca o dermatologista Dr. Tsippora Shainhouse, de Beverly Hills, esfregar a pele à volta dos olhos pode provocar uma irritação crónica e engrossar a pele desta zona, deixando-a hiperpigmentada e até com as rugas mais vincadas. 

Jovem cria pulseira inteligente que dá autonomia a cegos


 

Uma pulseira inteligente desenvolvida por um jovem mexicano promete dar mais autonomia a quem tem deficiência visual. A Sunu Band registra o entorno a partir de tecnologia sonar e transmite por vibrações a presença de obstáculos em seu caminho, ajudando o usuário a seguir seu trajeto.
Criado por Marco Trujillo apenas como um projeto acadêmico, o protótipo foi testado por crianças cegas, que foram capazes de superar várias provas, como sair de um labirinto.
Os pais de alguns dos garotos se entusiasmaram com os resultados, resolveram investir no projeto e convencer o jovem a levá-lo adiante. Trujillo, então, abriu uma startup, a Sunu, para aperfeiçoar a pulseira e viabilizar sua produção. Quase quatro anos depois, o produto está pronto para ir para o mercado, com custo de lançamento de 199 dólares (cerca de R$ 750).
“O funcionamento é como o de um sensor de estacionamento, mas com vibração em vez de bips”, explica Trujillo.
A pulseira fica na mão oposta à usada pela bengala-guia. Movimentos leves permitem direcionar o ultrassom, como se fosse uma lanterna. O dispositivo avalia o ambiente e, a partir de amostras de eco 30 vezes por segundo, produz uma vibração de maior ou menor intensidade, dependendo da distância do objeto que o produziu. Desta forma, o cego pode interpretar as vibrações e desviar dos obstáculos ao seu redor.
A adaptação ao dispositivo é rápida, afirma o empreendedor. “Nos testes realizados, constatamos que a curva de aprendizagem é mais curta do que a das bengalas.”
 

Empregabilidade Jovem - sessões de formação - ACAPO



Estão abertas as inscrições para 4 sessões de formação sobre Empregabilidade Jovem, orientadas por Irina Francisco e Alexandre Almeida.

Datas e horários:
  • 28 de novembro, 14h/18h, Lisboa;
  • 5 de dezembro, 14h/18h, Coimbra;
  • 18 de dezembro, 14h/18h, Porto;
  • 19 de dezembro, 09:30h/13:30h, Braga.

Prazos de inscrição:
- Lisboa - 26 de novembro;
- Coimbra - 3 de dezembro;
- Porto e Braga - 16 de dezembro.
Destinatários:
Jovens com deficiência visual e idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, desempregados ou à procura do primeiro emprego.
Objetivos:
• Partilhar experiências de procura de emprego;
• Identificar competências pessoais e profissionais;
• Valorizar os pontos fortes e aprender a contornar os pontos fracos;
• Construir um bom currículo;
• Conhecer as estratégias mais eficazes de procura de emprego;
• Refletir criticamente sobre como abordar a deficiência visual no currículo e na entrevista de emprego.

6 Pontos a Dançar, Contos vão Contar

FONTE: CAIPdv

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OLEC - construção de materiais
 
A Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira (OLEC) - 6 Pontos a Dançar, Contos vão Contar - é um projeto em curso, distinguido e apoiado por uma Menção Honrosa do Prémio BPI Capacitar 2014, que almeja ser um serviço especializado, impulsionador do acesso e disseminação de materiais no domínio da literacia emergente na cegueira.
Para acompanhar este projeto, visite o nosso blog - "6 pontos a dançar, contos vão contar - Oficina de Literacia Emergente para a Cegueira (OLEC)", em:
https://caipdvolec.wordpress.com/ 

Ana Sofia Antunes é a primeira secretária de Estado cega

Ana Sofia Antunes estava em 19.º lugar nas listas do PS pelo círculo de Lisboa. Foram eleitos só 18. Ficou à porta do Parlamento, mas entra agora para o Governo como secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência. Republicamos, com as devidas adaptações, um artigo publicado em Agosto.

Não gosta da expressão invisual, considera-a politicamente correcta. Prefere cega ou deficiente visual. Ana Sofia Antunes, 33 anos, é provedora do cliente da EMEL, presidente da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e integrou as listas de candidatos a deputados do PS por Lisboa. Estava em 19.º lugar, posição que em Agosto se considerava elegível, pelo que se pensava que poderia ser a primeira deputada cega a sentar-se no hemiciclo depois das legislativas. Dizia ter vontade de mudar o que já devia ter sido mudado e não teve medo das palavras: “Um país que não respeita os seus deficientes não tem respeito por si próprio.”
Nasceu com deficiência visual, frequentou uma escola especializada nos primeiros anos e depois fez todo o percurso escolar até à faculdade enfrentando e superando as dificuldades que existiam, e existem. Isso fê-la perceber o muito que ainda há por fazer em relação a pessoas com deficiência visual ou outras deficiências. É uma activista, com um longo caminho na ACAPO, de que é presidente desde Janeiro de 2014.
Quando foi convidada para integrar as listas do PS como independente, ficou surpreendida, mas “feliz”. Se tivesse sido eleita seria a primeira deficiente visual a sentar-se no Parlamento como deputada. Seria simbólico mas mesmo assim já vinha tarde, lamentava.
“Nós, ao contrário de outros países europeus, nunca tivemos pessoas com deficiência a ocupar cargos como deputados ou no Governo”, nota, considerando que essa lacuna, em termos de representação, “diz muito” sobre a própria sociedade e sobre o país. Por isso, não podia recusar o desafio: “Aceitei com muito orgulho. Mais do que a minha ida para o Parlamento, é uma abertura de portas para as pessoas com deficiência.”
Sabia que o que esperavam dela era que levasse as questões relacionadas com a inclusão e a igualdade para a Assembleia da República. Ainda assim, não pretendia fechar-se “numa espécie de gueto”, com apenas uma causa, uma bandeira. Não se é eleito apenas por um conjunto de cidadãos, mas “por todos”, ressalvou.
Apesar de ter essa ideia presente, quando questionada sobre o que pretendia fazer caso viesse a sentar-se no hemiciclo, Ana Sofia Antunes tinha as respostas todas na ponta da língua. Eram muitas as propostas. Dois exemplos apenas: queria bater-se pelas medidas compensatórias dos custos da deficiência e pela criação de uma lei de bases da vida independente. Terá agora mais poder para o fazer.
Sobre o primeiro ponto, dizia haver “estudos de entidades independentes que demonstram aquilo que é a realidade das pessoas com deficiência e o que significa a mais no orçamento familiar”.
“Obviamente que existem algumas medidas a nível fiscal que tentam minorar o impacto a nível do IRS, mas não são suficientes. O que temos é uma dedução à colecta um pouco superior às restantes pessoas”, explicou. E o que Ana Sofia Antunes defendia que deve ser estudado é a existência de “um complemento” que permita fazer face a despesas adicionais.
“Se tenho uma deficiência motora, não tenho culpa de ter nascido com esta característica”, argumentou, acrescentando que apoiar estas pessoas chama-se Estado Social. Se tal não acontece, “é um país que não respeita os seus deficientes”. E um país que não respeita os seus deficientes é “um país que não tem respeito por si próprio”.
Sobre a criação de uma lei de bases da vida independente, explicou que se pretende analisar “de que forma é que as verbas investidas pelo Estado a institucionalizar pessoas podem ser atribuídas directamente à pessoa para viver de uma forma autónoma, na sua habitação”, ou seja, os montantes podiam servir para pagar a assistentes que auxiliassem as pessoas com deficiência em casa.
Ana Sofia Antunes trabalhou na Câmara Municipal de Lisboa entre 2007 e 2013, era então presidente o actual secretário-geral socialista e primeiro-ministro indigitado, António Costa. Licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa, fazia assessoria jurídica no departamento da mobilidade.
Foi já depois de ter feito estágio, entrado na Ordem dos Advogados e exercido um ano de advocacia que recebeu o convite para ir para a câmara. Lá, começou a mexer-se, a querer fazer mais, a mostrar preocupação com as barreiras arquitectónicas em Lisboa, por exemplo. Fez parte de um grupo pequeno que começou um plano de acessibilidade pedonal na cidade.

domingo, 22 de novembro de 2015

dot - O relógio inteligente de braille para os invisuais | Pplware Kids

dot - O relógio inteligente de braille para os invisuais | Pplware Kids



O défice visual traduz-se numa redução da quantidade de informação que o indivíduo recebe do meio ambiente, ficando assim restrita a quantidade de estímulos adquiridos. No entanto, este défice não origina necessariamente problemas no desenvolvimento psicológico (Martin & Bueno, 1997). Na verdade, o indivíduo dispõe de outras vias de recolha de informação que podem complementar ou substituir a via visual, com a adequada orientação e apoio. A investigação refere um conjunto de comportamentos que podem caracterizar estes indivíduos, contudo é mais correcto o uso do termo “tendências”, pois nem todos os cegos apresentam os mesmos traços psicológicos na sua estrutura de personalidade.
O bebé cego, tal como o bebé normovisual, a partir da actividade reflexa inata (comportamento natural não aprendido), começa a organizar tipos ou sequências de acção, à excepção das referentes ao sentido da visão, verificando-se algumas diferenças nítidas na sua evolução, a partir dos quatro ou cinco meses.
Segundo Fraiberg (1977) e Sonksen (1979, cit. por Dias, 1995), a coordenação auditivo-manual processa-se no bebé cego, entre os oito e os dez meses, o que significa um atraso considerável em relação ao bebé normovisual. Todavia, é necessário salientar que enquanto a coordenação visuo-manual levanta um problema de ordem sensório-perceptiva simples (ou seja, o bebé normovisual olha para um objecto e tem logo acesso às características visíveis e aos sons produzidos pelo mesmo), a coordenação auditivo-manual só é possível quando os sons produzidos pelos objectos começam a possuir um significado, ou seja, quando o bebé cego é capaz de atribuir a cada som um objecto exterior. A reacção auditivo-manual torna-se possível quando o bebé cego começa a ser capaz de fazer, por exemplo, a distinção entre o som de um trovão e o som de um brinquedo. Este tem de perceber que o brinquedo pode ser manuseável, palpável e que num trovão não pode tocar.
Relativamente ao desenvolvimento motor, a visão desempenha um papel crucial que a audição só poderá suprir parcialmente e a partir dos dez meses, embora o desenvolvimento postural seja semelhante ao da criança normovisual (Dias, 1995).
O bebé cego consegue sentar-se e manter-se de pé com a mesma idade que o bebé normovisual, contudo demonstra alguns atrasos significativos no que diz respeito ao estender as mãos, engatinhar e andar (Fraiberg et al., 1966, cit. por Santin & Simmons, 1977). Este atraso no que respeita aos movimentos é compreensível tendo em conta que o bebé cego tem de aprender a conhecer o ambiente de uma maneira diferente e precisa aprender a dirigir-se para um determinado estímulo, já minimizado, fornecido pela audição, para tentar explorar um mundo desconhecido e confuso.
A criança cega, segundo Adelson e Fraiberg (1977) e Scholl (1984, cit. por Dias, 1995), experimenta algumas dificuldades no engatinhar e no início da marcha, por falta de estímulos exteriores. A exploração activa ocorre apenas quando esta é capaz de se deslocar no sentido de descobrir o mundo exterior, estando este aspecto, mais uma vez, dependente da informação fornecida pela audição. Mesmo nos casos de crianças com atraso no desenvolvimento, as referências do desenvolvimento motor não têm uma ligação estrita com o desenvolvimento sensorial. Num caso extremo de restrição total da mobilidade, a criança normovisual é capaz de explorar e conhecer o ambiente, uma vez que o desenvolvimento sensorial prossegue sem a mobilidade. No entanto, para a criança cega, a mobilidade é extremamente necessária no estabelecimento de uma ligação primária com o mundo exterior. Caso esta não exista, o desenvolvimento auditivo e táctil está claramente comprometido. Estas crianças possuem pouca percepção da estrutura do espaço que as rodeia, até poderem movimentar-se no sentido de descobri-lo e explorá-lo.
Por volta dos onze/doze meses, o bebé cego apresenta pouca motivação para explorar um ambiente imprevisível, receando as suas consequências. As reacções naturais à imprevisibilidade, o retraimento, o medo e a desconfiança são factores que retardam a mobilidade e o comportamento exploratório (Santin & Simmons, 1977).
A realidade e o mundo que rodeiam a criança cega estão reduzidos ao espaço que o seu corpo ocupa e as suas referências do exterior reduzem-se aos sons e contactos corporais. É importante que esta tenha possibilidade de adquirir uma boa percepção do seu próprio corpo e do espaço, o mais cedo possível, para poder relacionar-se e intervir no seu meio. Assim, e em termos educativos, o principal objectivo deve ser a promoção da sua autonomia e independência, permitindo-lhe uma adequada inter-relação com o mundo (Simões, 1998).
A educação dos cegos deve, então, valer-se de técnicas e recursos de orientação e mobilidade, de forma a estimular a criança na exploração do mundo facilitando, desta feita, a sua mobilidade (Wegner, 1983).
Os programas de educação e reabilitação de pessoas cegas devem contemplar um treino intenso do uso da bengala que, segundo Hoover (cit. por Wegner, 1983), deve funcionar como uma extensão do tacto, de forma a testar o terreno para o próximo passo e dar mais confiança ao seu utilizador.
Para além destes aspectos, é necessária uma preparação psicológica quer da criança, quer da família e da escola. A utilização da bengala branca vai diferenciar a criança aos olhos dos outros, identificá-la como diferente, fazê-la sair do anonimato, funcionando como reconhecimento do estatuto de pessoa cega, o que coloca o problema da aceitação da deficiência e da atitude tomada face à realidade (Dias, 1995).
No que diz respeito à aquisição da linguagem, o bebé cego evolui de modo semelhante ao bebé normovisual, podendo verificar-se atrasos essencialmente devido à pobreza de experiências, ou seja, à falta de estimulação (Dias, 1995). Como referido, estas crianças permanecem, por vezes, mais tempo em algumas etapas do desenvolvimento. Sendo assim, é importante recorrer a uma maior estimulação dos outros sentidos (audição, tacto, olfacto e paladar).
Se a criança aprender, a partir de experiências vividas e reais acompanhadas de uma explicação oral, a distinguir melhor os sons, os cheiros e as texturas, relacionando-as entre si, o seu conhecimento global do mundo ficará muito mais enriquecido (Simões, 1998).
Relativamente à socialização, refira-se que este processo na criança cega é, por norma, mais complexo que na criança normovisual. Embora a primeira percorra as mesmas etapas, pode ser seriamente afectada, não por factores intrínsecos à cegueira, mas por motivos extrínsecos, como a própria sociedade (existência de estereótipos, preconceitos e principalmente de falta de informação), o que pode constituir um grande obstáculo à sua plena inclusão.
Tendo em conta esta realidade, importa abordar o problema da valorização pessoal e da auto-imagem. Esta última é o conjunto de todos os elementos da personalidade que cada um considera e percebe como seus, dependendo em parte das experiências anteriores e da imagem que os outros reflectem de nós. Assim, os indivíduos consideram-se capazes ou incapazes quer na medida em que os outros os percepcionam, quer na medida em que ao agir, tomam consciência da sua eficácia ou ineficácia (Dias, 1995).
Parece evidente que o conceito que o cego constrói de si próprio varia de acordo com as vivências e experiências a que teve oportunidade de aceder, pelo que se torna determinante reportarmo-nos à relação mãe/bebé cego. A imagem que a criança cega tem de si própria vai depender desde logo da riqueza vivida no interior da díade (Dias, 1995).
Em geral, quando uma criança nasce cega, não encontra a receptividade que seria de esperar por parte da família, quando comparada à criança normovisual. Quando, nos primeiros dias ou meses de vida, a cegueira da criança é percebida ocorre frequentemente uma ruptura ou comprometimento do vínculo afectivo que sustenta a relação mãe/filho (Rodrigues & Macário, s/d). Verifica-se uma forte ansiedade por parte da família e, na maioria dos casos, a mãe não se sente disponível, de imediato, para estabelecer uma boa relação com o filho diferente do esperado. Se a mãe não conseguir ultrapassar esta situação e criar um clima de distância entre si e a criança cega, esta última começará a sentir-se desde logo rejeitada e construirá uma imagem negativa de si própria. Outro factor de risco surge quando o quadro de ansiedade dos pais se prolonga ao longo do desenvolvimento da criança, manifestando-se sobre a forma de uma protecção excessiva, com efeitos nefastos para a estruturação psicossocial da mesma.
Pelo contrário, se a família der à criança cega a possibilidade de viver num clima de segurança, carinho e proximidade, esta vai, provavelmente, construir desde cedo uma imagem positiva de si própria. Este é sem dúvida um factor fundamental de protecção ao seu desenvolvimento global, actuando em conjunto com outros de igual importância, tais como a promoção da autonomia e independência e a criação de um ambiente educativo propício ao desenvolvimento da criança cega.

Bibliografia
  • Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (s/d). [on-line]. Disponível no URL: www.acapo.pt/information.asp
  • Dias, M. (1995). Ver, Não Ver e Conviver. Livros SNR N.º 6. Lisboa: Secretariado Nacional Para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência.
  • Informações básicas sobre deficiência visual (s/d). [on-line] Disponível no URL: http://www.entreamigos.com.br/textos/defvisu/inbadev.htm
  • Martin, M. & Bueno, S. (1997). Necessidades educativas especiais. Capítulo XIV (Deficiência visual e acção educativa). (Trad. de Ana Escoval). Lisboa: Dinalivro.
  • Rodrigues, M. & Macário, N. (s/d). Estimulação Precoce: Sua Contribuição no Desenvolvimento Motor e Cognitivo da Criança Cega Congénita nos Dois Primeiros Anos de Vida. In Revista Benjamin Constant. Ano 8, n.º 21, pp. 15-16, Maio 2002. Rio de Janeiro.
  • Santin, S. & Simmons, J. (1977). Problems in the construction of reality in congenitally blind children. In Journal of Visual Impairment & Blindness, 71, pp. 425-453.
  • Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência. (2002). Ajudas técnicas: benefícios para as pessoas com deficiência. Folhetos SNR n.º 49. Lisboa: SNR.
  • Simões, A. (1998). Crianças com Deficiência Visual. Cadernos de Educação de Infância n.º 47/98. Lisboa: APEI.
  • Wegner, S. (1983). Curso de Especialização de Professores na área da Deficiência Visual. Instituto Benjamin Constante.



Desenvolvimento Sócio-cognitivo das Crianças com Deficiência Visual: Uma Perspectiva
autores: Ivo Henriques - Centro de Actividades Ocupacionais de Câmara de Lobos & Susana Spínola - Serviço Técnico de Educação para a Deficiência Auditiva
in Revista Diversidades n.º 23 - Ano 6
Janeiro, Fevereiro e Março de 2009

fonte: http://www02.madeira-edu.pt/



Raro Afonso, valente Afonso (Albinismo)

Afonso nasceu a 30 de novembro de 2012 no hospital de São Teotónio, em Viseu, e em poucas horas tornou-se alvo da curiosidade de todos os médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde. “Até a namorada de um médico pediu para ver o nosso bebé”, lembram os pais. Mais tarde, Cláudia e Nuno iriam confirmar no hospital que Afonso terá sido o primeiro albino a nascer em Viseu, mas naqueles primeiros dias em família a estranheza de dois pais morenos terem um filho tão louro demorou a dar lugar à suspeita de uma doença rara.

Na internet perceberam que o filho podia ter albinismo, uma condição genética rara que se carateriza pela ausência total ou quase total de pigmento na pele, nos pelos, no cabelo e nos olhos. O albino não tem proteção natural contra os raios ultravioleta e a exposição ao sol provoca queimaduras severas que podem rapidamente degenerar em cancro de pele. A visão é também afetada e o doente tem sérios problemas oculares - muitas vezes chega a ser considerado legalmente cego. Foi neste ponto que Cláudia bloqueou. Na cabeça dela, o albinismo do filho apenas teria repercussões na pele. Mas, além do corpo e do cabelo absolutamente brancos, o olhar de Afonso era estranho, parecia perdido. Cláudia lembrava-se dos primeiros tempos de vida do filho mais velho, Manuel, e sabia que com aquele bebé estava a voltar à estaca zero: “Antes de o Afonso nascer, sabíamos qual o melhor comportamento a ter com um bebé e com o sol, mas depois tivemos de reaprender tudo. Investimos muito tempo a fazer pesquisas e foram os fóruns online de pais de albinos que mais nos ajudaram”.

Hoje, com quase três anos, Afonso é seguido por quatro médicos de áreas diferentes - pediatria, oftalmologia, dermatologia e genética - mas o seu corpo ainda encerra vários mistérios. “Mesmo depois de termos feito testes genéticos, o que sabemos hoje é que uma mutação genética minha e uma da Cláudia passaram para o Afonso, mas ainda nos falta descobrir se o albinismo dele não será apenas o sintoma de uma doença ainda pior”, explica Nuno.

Segundo a Raríssimas, Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras em Portugal, na União Europeia as doenças mais invulgares são aquelas que afetam menos de 5 pessoas em 10 mil. O albinismo é raro porque afeta uma em 17 mil ou 20 mil pessoas na Europa. Por essas contas, em Portugal, com uma população de 10 milhões, haveria cerca de 500 albinos de diferentes idades. Não existem estudos conhecidos, nem associações nacionais de apoio a pessoas com esta condição.

Susana Vilaça é coordenadora do serviço de dermatologia do Hospital Lusíadas, no Porto, e nunca teve pacientes albinos: “É uma doença congénita extremamente rara e existem várias subclassificações desta entidade. A falta de pigmentação na pele obriga a um cuidado cutâneo extremo, porque o risco de sofrer queimaduras e desenvolver cancro de pele é muito elevado. Entre outros cuidados, uma pessoa albina deve procurar sempre sombras, usar óculos de sol, roupa escura e densa e um protetor solar superior a 50”.

TROCAR OS DIAS PELAS NOITES

Com seis semanas de vida, Afonso estava a receber a sua primeira consulta de oftalmologia. Cláudia levava nos braços um bebé que julgava cego e não sabia o que fazer: “Uma das primeiras coisas que a médica fez foi desligar e voltar a ligar a luz do consultório. Desligou e ligou, desligou e ligou, e depois lá nos disse: ‘Cego não é, mas vamos ter de trabalhar muito com ele nos próximos tempos’”. Assim, no início de 2013, “as luzes de natal passaram diretamente da árvore para o berço. Comprámos também uma bola de espelhos de discoteca e pendurámo-la perto dele.

Nos primeiros meses de vida, os bebés começam por reconhecer objetos de cores contrastantes, sobretudo pretos e brancos. No caso de Afonso, tudo o que pudesse ser apresentado dentro desses tons seria essencial. “O olho é um músculo e tem de ser exercitado como tal. A fase mais importante do olho de um bebé é até aos seis meses de vida e essa era a janela que tínhamos para investir ao máximo no Afonso”, lembra Cláudia, enquanto abre uma caixa com alguns dos primeiros brinquedos do filho.

Além dos padrões de cores fortes e contrastantes, os sons também se tornaram essenciais para o desenvolvimento da visão de Afonso. “Chegámos a prender-lhe guizos nos pés e nos pulsos para ele ouvir e ir à procura. A estimulação foi tanta que o Afonso, com baixa visão, até começou a andar primeiro que o Manel”, conta a mãe.

AQUELE PAI ALI DEVE ACHAR QUE ESTOU A CORRER ATRÁS DO FILHO DE OUTRA PESSOA QUALQUER

Essencial para este trabalho com uma criança tão pequena foram as consultas de baixa visão no Hospital Pediátrico de Coimbra e uma equipa do Centro de Apoio à Intervenção Precoce na Deficiência Visual (CAIP-DV), que avalia regularmente a evolução visual do Afonso. A CAIP-DV pertence ao Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância (SNIPI), um serviço gratuito que está disponível em todos os concelhos de Portugal e que tem equipas locais de profissionais de saúde (ELI). Neste caso, uma ELI passa várias manhãs da semana na creche do Afonso a fazer exercícios visuais. “Neste momento temos sessões duas vezes por semana e continuamos a ter metas para atingir, mas os exercícios já não são para crianças com baixa visão, podiam aplicar-se a qualquer criança”, afirma Cláudia, satisfeita por hoje saber que o filho, com óculos, vê quase tão bem como qualquer outra criança.

A tarde vai a meio e os quatro estão num jardim debaixo de sombra. Cláudia adora o cabelo comprido dos filhos; toca-lhes com jeitinho, desembaraça os nós das melenas dos rapazes, e enquanto o faz lembra-se de quando estava grávida do Afonso e do quanto desejava que ele nascesse com caracóis iguais aos do Manel. Recorda-se das brincadeiras da irmã, que é loura, e que lhe dizia ter a certeza de que o Afonso ia nascer com o cabelo encaracolado: “Louro é que não será”. E louro é que não foi. O cabelo, as pestanas e todos os pelos no corpo de Afonso são brancos, tão brancos que desaparecem na água. “Ir à rua com estes dois miúdos é uma aventura. As cabeças viram-se todas para nós. E às vezes estou a correr atrás do Afonso no parque infantil e penso ‘aquele pai ali deve achar que estou a correr atrás do filho de outra pessoa qualquer’”, conta Nuno.

Hoje estes quatro estão habituados a fazer das noites os dias normais das outras pessoas. No verão, nas horas piores, o ideal é mesmo não andar na rua. E se tiver de andar, então que seja de calças e de camisa comprida. Nas horas de maior calor e de maior incidência de raios ultravioleta, afastam Afonso das janelas com luz direta. Estão também a descobrir a pouco e pouco o prazer de ir à praia entre as 19h e as 21h. Mesmo a essa hora Afonso leva sempre o chapéu, o corpo untado com creme e roupa que é lavada com uma proteção especial contra os uv. Parece complicado, mas estas rotinas são já naturais para toda a família: “O Afonso já interiorizou que se é para ir à rua, tem de levar o chapéu e de manhã até dá logo os braços para pormos o creme. Isto é uma coisa que ele tem de levar para a vida. Quando crescer, é ele que vai ter de ter cuidado com a pele, é ele que vai ter de ter cuidado com os olhos”, diz Nuno.

A grande preocupação destes pais é a fase da adolescência, porque sabem que os miúdos são cruéis uns com os outros quando chegam à fase dos namoros e da rebeldia - não querem pôr creme no corpo, não querem usar óculos, não querem ser gozados e qualquer cuidado é um castigo. É por isso que para Nuno e Cláudia é importante que Afonso venha a conhecer outros albinos, portugueses ou não. “Há encontros em Espanha, em Inglaterra e nos Estados Unidos e estamos a pensar levá-lo a alguns.”

No Ocidente, os albinos não têm hoje problemas de integração na sociedade quando comparados com a perseguição que sofrem noutras partes do mundo. Sobretudo em países de África Oriental, muitos são abandonados à nascença e grande parte é alvo de superstições. Vistos como seres estranhos, com poderes especiais, acabam vítimas de tráfico de órgãos no mercado negro dedicado a bruxarias.

Manuel tem cinco anos e um dia há de saber que a data 13 de junho foi escolhida pelas Nações Unidas para alertar todos os anos para os ataques e a discriminação a que os albinos ainda estão sujeitos no século XXI. Para já, Manuel sabe que o irmão tem uma pele sensível ao sol e alguns problemas nos olhos. Às vezes a mãe diz-lhe: “Sabes que vais ter de ajudar sempre o teu irmão, não sabes?”. Às vezes, o filho mais velho surpreende os pais: “Eu também sei que o mano tem muita sorte por ser europeu. Eu sei”.


Fonte: Expresso

Saco Sensorial

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Frio não combina com atividades sensoriais que fazem aquela bagunça caprichada, de deixar o corpo todinho lambuzado. Mas a gente sempre dá um jeito de brincar, faça chuva ou faça sol. :)
Outro dia fizemos garrafinhas sensoriais usando gel para cabelo e adoramos o resultado. Tivemos então a ideia de encher um saco com gel colorido para os pequenos explorarem de muitas maneiras, e sem bagunça nenhuma! E para deixar mais divertido, colocamos dentro do saco um punhado de estrelinhas metálicas compradas na papelaria e algumas bolinhas de gel, dessas feitas para usar em vasos. Ficou uma delícia de apertar.
Aproveitamos nossa tarde brincando com latinhas na casa da Alice para testar a novidade. Esticamos o saco no chão e esperamos para ver qual seria a reação dela. Primeiro olhou desconfiada, mas logo foi chegando perto e arriscou colocar a mão. Sorriu feliz com a sensação gostosa. Começou então a bater e apertar, fazendo a meleca escorregar de um lado para o outro, criando ondas. Quando percebeu as bolinhas, ficou um tempão tentando pegá-las, achando graça cada vez que uma escapava dos seus dedinhos curiosos.
Quis também explorar com os pés. Pisou na pontinha, fazendo um buraco no gel. Colocou os dois pés no meio do saco e, sentindo que podia escorregar, pediu ajuda para a mamãe, que logo estendeu a mão para segurá-la. Foi e voltou de mão dadas, pisoteando as bolinhas e sentindo cócegas nos pés. A mamãe então teve a ideia de segurar o saco no ar, para criar mais uma maneira gostosa de explorar, e Alice achou divertido ver tudo amarelo do outro lado do saco.
Depois que a brincadeira acabou, saímos da varanda para tomar um café. No meio do caminho, Alice resolveu voltar. Pegou o saco, levou para o tapete da sala e colocou do lado de um móvel onde pudesse se apoiar e, sozinha, pisou com gosto no gel geladinho.
Veja o nosso passo a passo com outra ideia colorida. E use a imaginação para criar seu saco sensorial. 
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DICAS
  • Use sacos plásticos bem grossos, para evitar que rasguem durante a brincadeira.
  • Os sacos também podem ser lacrados com fita dupla face ou com fita adesiva transparente grossa.
  • Faça sacos sensoriais temáticos pintando o gel de diferentes corantes.
  • Na hora da compra, preste atenção se o gel tem um perfume forte demais. Para os pequenos é melhor procurar uma opção sem perfume.
  • Lantejoulas, estrelinhas, purpurina, botões, isopor e bichinhos de plástico são bem vindos para rechear o saco. Só preste atenção em pontas duras ou afiadas pois podem furar o plástico.
  • Fizemos um sacão sensorial, mas usar pequenos sacos com diferentes cores e objetos também é muito divertido!

  • PRINCIPAIS ESTÍMULOS
    • Sensorial. Tato e visão são estimulados de muitas maneiras. Para os pequenos é interessante sentir a temperatura e a sensação de deslizar os dedinhos nos diferentes objetos.
    • Concentração.

    • SEGURANÇA
  • A atividade deve ser acompanhada por um adulto o tempo inteiro.
  • Evite escorregões! Caso a criança queira explorar com os pés ofereça um apoio onde ela possa se segurar.
  • Interrompa a brincadeira caso o saco rasgue.
  • Evite brincar com os pequenos que ainda gostam de colocar tudo na boca. Afinal, não queremos ninguém experimentando gel!

  • PREPARO E BAGUNÇA
    • O preparo é moderado. É preciso ter um pouco de paciência para misturar os ingredientes, rechear e lacrar duplamente o saco. Mas o processo leva só alguns minutinhos.
    • Depois de pronto a bagunça é zero! Atividade perfeita para quem quer fazer uma brincadeira sensorial limpa. Como o gel e os objetos ficam dentro do saco, as crianças exploram sem fazer nenhuma sujeira. :)

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Escola proíbe criança cega de usar bengala



 | Hoje às 00:34
Uma escola de Bristol, em Inglaterra, proibiu uma criança cega de sete anos de usar a bengala, por considerar que o objeto pode afetar a "saúde e segurança" das outras crianças.
Escola proíbe criança cega de usar bengala 














Lily-Grace Hooper sofreu um derrame cerebral quando tinha apenas quatro dias de vida, tendo ficado totalmente cega do olho direito. No início deste ano, um centro de caridade para crianças cegas ofereceu uma bengala a Lily-Grace. Então, em abril, começou a usá-la na escola, de forma a tornar-se mais independente.
Kristy Hooper, a mãe, contou ao jornal local "Bristol Post" que a bengala se tornou "uma extensão do braço" de Lily-Grace. "Quero fazer com que ela seja capaz de se tornar independente", partilhou.
Perante a recente imposição da escola, que considerou que a bengala pode afetar a "saúde e segurança" dos demais, a direção do estabelecimento propôs, em alternativa, que um adulto acompanhasse a menina em permanência.
Contudo, Kristy considerou a situação "ridícula: se tirassem uma bengala a um adulto, seria discriminação. O mesmo acontece aqui". Além disso, a mãe teme que o facto de um adulto estar sempre com a menina acabe por afastá-la das outras crianças.
Lily-Grace "não teve quaisquer problemas com outros alunos", lembrou a mãe, sublinhando que os outros pais também se mostraram "muito compreensivos" com o caso.
"Lily-Grace adaptou-se à bengala muito rapidamente e precisa dela para ir para a escola, para andar no recreio ou apenas para ser capaz de circular no local. E a saúde e segurança da minha filha? Esta é uma escola boa, mas este é um conselho muito mau", desabafou a mãe.
Por outro lado, Kristy confessou que não queria tirar a filha da escola que atualmente frequenta, já que ela gosta de lá estar, esperando que o "senso comum prevaleça".
A Health and Safety Executive, organização independente para temas relacionados com a segurança, saúde e doença no trabalho, criticou a escolha de palavras tomada pela Hambrook Primary School, referindo que não há nada no regulamento que proíba uma criança de usar uma bengala na escola.
Já Jo Dent, diretor do estabelecimento escolar, afirmou que "o departamento de mobilidade da escola levantou as questões de saúde e segurança em volta da nova bengala devido a uma recente avaliação de riscos".
Dent esclareceu ainda que "a estudante não foi proibida de trazer a bengala, simplesmente pedimos que não a usasse na escola como uma medida temporária, até termos hipótese de nos reunirmos com os pais e discutir a situação".

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Humanos geneticamente modificados? Daqui a dois anos é possível

fonte: TVI 24

Laboratório [Foto: Reuters]

Editas Medicine, uma empresa de biotecnologia, pretende utilizar métodos avançados de engenharia genética para tratar a cegueira
Uma empresa de biotecnologia privada, a Editas Medicine, anunciou que pretende iniciar os primeiros testes utilizando uma técnica inovadora e, assim, criar seres humanos geneticamente modificados. A tecnologia tem como objetivo tratar uma doença rara que provoca a cegueira, noticia o The Telegraph.

Katrine Bosley, a presidente-executiva da Editas Medicine, anunciou numa conferência dos EUA, que a empresa pretende iniciar a experimentação da tecnologia em pacientes cegos daqui a dois anos, em 2017.

Os cientistas da Editas Medicine acreditam que se usarem a CRISPR, uma inovadora tecnologia de edição genética, irão conseguir editar o ADN de doentes que sofram de Amaurose Congénita de Leber (ACL), uma doença rara e degenerativa que impede que a retina funcione normalmente. A doença provoca uma perda grave de visão desde o nascimento e, com o passar dos anos pode levar à cegueira total.

A técnica CRISPR, também conhecida como Repetições Palindromicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas, tem sido usada por muitos cientistas e funciona como uma espécie de “tesoura molecular” que remove áreas mutantes do ADN.

Darren Griffin, professor de Genética na Universidade de Kent, na Inglaterra, acredita que a tecnologia é uma esperança para pessoas que sofram de alguma anomalia genética.
"A tecnologia CRISPR está a oferecer uma série de aplicações interessantes, incluindo opções de tratamento para doenças genéticas”.
Mas a técnica CRISPR gera alguma controvérsia porque muda o código genético das pessoas, fazendo com que seja transmitido aos descentes nessa “nova forma”. Alguns críticos também temem que as mudanças genéticas possam ter consequências inesperadas para outras partes do genoma e, além disso, levar os pais a querer ter o bébé perfeito, escolhendo as características físicas que eles podem vir a ter.

Se os planos da Editas Medicine avançarem, a empresa será o primeiro laboratório do mundo a conseguir modificar os genes de um ser humano e eliminar milhares de doenças hereditárias causadas por erros de genes, tais como a doença de Huntington e a fibrose cística.

SISTEMA DE QUOTAS DE EMPREGO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

fonte: INR



 Existem quotas de emprego previstas na legislação?
 Sim. Encontra-se prevista uma quota de emprego até 2% do total de trabalhadores nas empresas e de 5% na Administração Pública.

A. Sistema de Quotas na Administração Pública
 Quem beneficia do sistema de quotas na Administração Pública?
 As pessoas com deficiência (orgânica, motora, visual, auditiva, mental ou de paralisia cerebral) com um grau de incapacidade igual ou superior a 60%, que possam exercer, sem limitações funcionais, a actividade a que se candidatam, ou que embora apresentem limitações funcionais, sejam superáveis através da adequação ou adaptação do posto de trabalho e ou de ajuda técnica.

 Onde se aplica?
 Aos concursos para integração de trabalhadores nos serviços e organismos da administração central e local, bem como nos institutos públicos que revistam a natureza de serviços personalizados do Estado ou de fundos públicos, que no aviso de abertura devem mencionar o número de lugares a preencher por pessoas com deficiência.
Também se aplica aos processos de selecção de pessoal que se destinem à celebração de contratos administrativos de provimento e contratos de trabalho a termo certo.

 Como se aplica?
 Nos concursos abertos para o preenchimento de:
  • 1 ou 2 vagas - o candidato que possua uma deficiência tem preferência em igualdade de classificação, que prevalece sobre qualquer outra preferência legal;
  • 3 a 10 vagas - é garantida a reserva de um lugar para candidatos que possuem uma deficiência;
  • mais de dez vagas - fixada uma quota de 5% do total do número de lugares postos a concurso.
 Há alguma excepção?
 São excepcionados os concursos de ingresso para as carreiras com funções de natureza policial, das forças e serviços de segurança, e do Corpo da Guarda Prisional.

 A partir de quando é aplicado?
 A todos os concursos abertos após 3 de Maio de 2001 na Administração Pública.

 Como é verificada a capacidade do candidato que possua uma deficiência?
 A capacidade é avaliada pelo júri de concurso de acordo com o conteúdo funcional do lugar a que se candidata.
O júri, em caso de dúvida, pode recorrer à entidade de recurso técnico especifico, constituída por representantes da Direcção Geral da Administração e do Emprego Público, que preside, do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., do Conselho Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, da Direcção-Geral da Saúde e da Direcção-Geral das Autarquias Locais.

 E se for o candidato que possua uma deficiência que discorde da avaliação?
 Poderá igualmente recorrer para a entidade referida no número anterior, requerendo ao júri de concurso no desenrolar da audiência prévia ou em sede de recurso hierárquico.

 Há recurso da deliberação da entidade de recurso técnico específico?
 Não.

 O que deve mencionar o candidato que possua uma deficiência no requerimento de candidatura?
 Deverá mencionar, para além de todos os outros elementos constantes no aviso de abertura, qual o grau de incapacidade e tipo de deficiência, assim como, se considera o processo de selecção adequado às suas capacidades de comunicação/expressão.

 O candidato tem de juntar algum documento comprovativo?
 Não.

 Os procedimentos de concurso são diferentes dos restantes candidatos, bem como as provas?
 Não, salvo as particularidades referidas anteriormente.

 Como é feito o provimento do concurso?
 O provimento é feito em duas fases, sendo primeiro preenchidos os lugares não reservados, seguindo-se-lhe o preenchimento dos lugares reservados, de entre os candidatos que possuam deficiência que não tenham obtido provimento na primeira fase, de acordo com a respectiva ordenação final. (De salientar que presentemente, após a classificação final, há lugar a uma negociação de posicionamento remuneratório, da qual resultará o preenchimento de vagas pelos candidatos que obtenham acordo. Devendo sempre ser respeitada a regra supra referida, salvo em situação em que não haja acordo com nenhum candidato com deficiência)

 E se não houver candidatos com deficiência?
 Nesse caso as suas vagas são preenchidas pelos outros candidatos de acordo com a respectiva ordenação final.

 Quem presta o apoio técnico necessário no processo de selecção?
 A entidade competente para prestar esse apoio é o Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., com sede na Avenida Conde Valbom, 63, 1069 - 178 Lisboa (Telefone: 217929500/ Fax: 217929595/ E-mail: inr@inr.mtss.pt )

 Que outras competências tem o Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., na aplicação do diploma?
 O acompanhamento da evolução da aplicação do diploma e a promoção da integração e adaptação das pessoas com deficiência nos serviços e organismos.

 Como é feito o acompanhamento da evolução da aplicação do diploma?
 Todos os serviços e organismos devem comunicar anualmente à Direcção-Geral da Administração e Emprego Público a abertura de concursos e informar o número de lugares preenchidos por candidatos com deficiência.
A Direcção-Geral da Administração e Emprego Público, por seu lado, deverá informar o Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., até 15 de Abril de cada ano, sobre a evolução da aplicação do diploma.


B. Sistema de quotas nas empresas

 Quem beneficia do sistema de quotas nas empresas?
 As empresas estão obrigadas a contratar até 2% de pessoas com deficiência sem indicação da deficiência ou grau de incapacidade.

 E esta obrigação aplica-se a todas as empresas?
 Não. A obrigatoriedade de contratação deve ter em conta a dimensão da empresa.

 E qual é essa obrigatoriedade?
 Essa obrigatoriedade dependerá de regulamentação. No entanto, não significa que as empresas não tenham de cumprir esta orientação genérica.

 Podem as empresas efectuar ofertas de emprego excluindo pessoas com deficiência?
 Não, sob pena de praticarem uma discriminação proibida e punida nos termos da respectiva Lei.

 E se entenderem que a actividade em causa não poder ser exercida por pessoa com determinada deficiência?
 Deverá nestes casos a empresa solicitar o parecer prévio do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P.

 E se o fizerem sem esse parecer?
 Estão sujeitas às coimas previstas na Lei, que proíbe e pune a Discriminação em razão da deficiência e de risco agravado de saúde, e no Código do Trabalho.

 Quem tem autoridade para fiscalizar as empresas nesta área?
 A Autoridade para as Condições de Trabalho.

 A empresa que contratar o trabalhador com deficiência poderá usufruir de apoios?
 Sim, poderá usufruir de um conjunto de apoios que se encontram previstos no Decreto-Lei nº 290/2009, de 12 de Outubro, sobre os quais poderá obter informação específica no site www.iefp.pt.


C. Outras entidades empregadoras

 E o sistema de quotas das empresas pode ser aplicado a outras entidades empregadoras?
 Sim, mas neste caso nos termos que vier a ser regulamentado.


D. Legislação a consultar:

 Lei n.º 38/2004 de 18 de Agosto
 Lei nº 46/2006, de 28 de Agosto
 Decreto-Lei nº 29/2001, de 3 de Fevereiro
 Decreto-Lei nº 34/2007, de 15 de Fevereiro
 Despacho Conjunto nº 1006/2001, de 17 de Novembro